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Estudo da ANEEL prova impacto altamente favorável da eólica no IDH dos municípios

 

Há dez anos, em dezembro de 2009, era realizado o primeiro leilão de energia de reserva para negociação exclusiva de energia eólica. Foram contratados na ocasião 71 empreendimentos nos Estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. 

 

 

Para entender o impacto que os investimentos geraram ao longo dos últimos anos, a Brasil Energia levantou a variação nominal do PIB nesses municípios, a partir de dados do IBGE, selecionando aqueles com maior variação. “Obviamente, as variações de PIB dos municípios não se explicam exclusivamente pela indústria de geração de energia eólica. Mas é inequívoca a contribuição da atividade nessas localidades”, ressalva, em nota para a Brasil Energia, o IBGE.

 

 

Lideram o ranking os municípios de Parazinho (RN), com uma variação nominal de 1.674,3% de crescimento, onde foram instalados cinco parques da CPFL Renováveis, São Gonçalo do Amarante (CE), com uma variação de 354,5%, onde foram instalados três parques da Queiroz Galvão, e João Câmara (RN), com uma variação de 354%, onde foram instalados cinco parques da CPFL Renováveis e um parque da Echoenergia. 

 

 

A CPFL Renováveis, que opera mais de  1,3 GW de eólicas no país, tem aproximadamente 400 imóveis e terrenos, com 60 mil hectares, arrendados para desenvolvimento, implantação e operação da fonte nos estados do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Bahia. 

 

 

As famílias donas das terras recebem um valor fixo na fase pré-operacional e um percentual sobre o faturamento da energia gerada por cada turbina na fase operacional. A empresa não revela os valores, mas cita que os impactos para a comunidade afetada por seus projetos vão além do arrendamento, já que há investimentos em projetos socioambientais.

Qualificação poderia ser ampliada

 

O chefe de gabinete da Prefeitura de Parazinho, Igor Ramos, conta que a arrecadação de ICMS e ISS em Parazinho praticamente não existia antes da eólica. É com esses recursos que o município garante tributos livres para investir em infraestrutura, saneamento, segurança, educação, saúde.

 

 

“Existe uma Parazinho antes e depois da eólica. E a população reconhece isso”, afirma Ramos

Ele lembra que, na fase de implantação dos projetos, as famílias chegavam a alugar suas casas para abrigar os profissionais das empresas que iam para o município. “Tínhamos uma pousada. Hoje temos seis”, conta. Lembra ainda que ocorreu uma maior contratação de mão de obra local”. Agora a demanda maior é por cargos técnicos, com formação. E as empresas trazem esses profissionais de outras regiões. “Tem gente de todo país aqui”, conta.

 

 

A avaliação é que as empresas poderiam investir na qualificação profissional nos municípios onde estão os projetos, melhorando a qualidade da mão de obra local e possibilitando a absorção em seus quadros, no futuro.

 

 

Impacto maior durante as obras

 

Compartilha dessa opinião Victor Samuel, secretário de Desenvolvimento de São Gonçalo do Amarante, município que aparece em segundo lugar do ranking a partir dos números do IBGE.

 

 

Na cidade aconteceu o mesmo: o maior impacto no município ocorreu na fase de implantação dos parques, quando a cidade viveu um boom de contratações para construção civil. “Hoje, infelizmente, não gera mais tanto emprego”, afirma.

 

 

Samuel observa que o crescimento do PIB de São Gonçalo do Amarante está mais relacionado ao Porto de Pecém, um grande divisor de águas para a região. “Mas temos a arrecadação da movimentação portuária por conta das exportações de pás eólicas e aerogeradores produzidos no Ceará em Pecém, que gera um acréscimo na receita”.

 

 

Segundo dados do estudo Ceará em Comex, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a exportação de pás eólicas e aerogeradores produzidos no Ceará cresceu seis vezes (672%) no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2018.

 

 

Mas não é só no Nordeste que a eólica tem dado sua contribuição. Em Santana do Livramento (RS), a arrecadação com a atividade impediu, inclusive, que o município chegasse a uma situação caótica, equilibrando as contas durante a crise econômica dos últimos anos. Fora outros benefícios como a construção de vias de acesso, melhoria da segurança e o incentivo à capacitação e pesquisa.

 

 

“É inequívoca a importância da eólica para Livramento. Se hoje vivemos momentos difíceis em relação a queda nas receitas, sem o Complexo Eólico, certamente, poderíamos estarmos vivendo uma crise sem precedentes”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Carlos Eduardo Grisolia da Rosa.

 


 

Aumento do PIB per capita  acima da média brasileira

“A abundância dos ventos vem ajudando a reverter ou equilibrar a situação de municípios brasileiros, sobretudo na região Nordeste”, observa o diretor da Aneel Sandoval Feitosa.

 

 

A agência está finalizando o estudo “Impactos da geração eólica no desenvolvimento socioeconômico”.  Nele, analisa 73 municípios que tiveram geração eólica instalada entre 2010 e 2016. De acordo com a pesquisa, o PIB per capita médio dos 73 municípios antes das eólicas (2010) era de R$ 10.931,66. Em 2016, o PIB per capita médio dos 73 municípios saltou para R$ 21.860,84. Na média, o PIB dos municípios com eólica teve um aumento de 152% no PIB per capita.

 

 

“De acordo com nosso levantamento, os municípios onde as eólicas se instalaram tiveram um crescimento do PIB 105% maior que os demais. Se considerarmos apenas eólicas maiores de 5 MW, o aumento do PIB desses municípios foi 121,5% maior”, conta Sandoval.

 

 

 

Fonte: Brasil energia

Link da notícia:  https://editorabrasilenergia.com.br/o-impacto-da-eolica-nos-municipios/

 

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