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Eólicas no MERCADO LIVRE diversificam Fontes de crédito

Em entrevista, Marcelo Girão, do Itaú BBA, mostra como caminha o financiamento de parques eólicos cada vez mais voltados ao mercado livre

 

 

O mercado de capitais tende a ganhar cada vez mais espaço na estruturação financeira de projetos eólicos, principalmente por conta do novo perfil do setor, que a partir de 2018 passou a ter mais PPAs firmados no ACL do que no ACR. Esta é a opinião, de Marcelo Girão, o chefe de project finance do Itaú BBA, banco que estima estar presente em 40% das eólicas em operação no Brasil, seja na assessoria, na prestação de fiança bancária ou no repasse do BNDES, tendo aportado R$ 8 bilhões em crédito no período, com exposição atual de R$ 5 bilhões.

 

“O mercado de capitais sempre foi, e ainda é, complementar às principais fontes de financiamento do setor, BNDES e BNB, mas a nova seara do ACL abre espaço para ele ter papel mais importante nas estruturações, a depender da localização do projeto e na estrutura do PPA”, disse o executivo ao Energia Hoje.

 

Oportunidades

 

Para Girão, as emissões de debêntures incentivadas ainda têm característica de dívida complementar nas estruturações e, nos últimos três anos, o Banco do Nordeste (BNB) tem sido disparada a maior fonte acessada pelos projetos, que se concentram no Nordeste, portanto elegíveis ao financiamento subsidiado que tem o melhor custo do mercado.

Mas novas regras do BNB de limitar a alavancagem a grandes empresas a no máximo 50% é uma porta aberta para que as emissões no mercado de capitais ganhem força. “Acredito que nos próximos meses, mesmo com o mercado volátil, podem surgir projetos integralmente financiados pelo mercado de capitais ou pelo menos respondendo pela metade do aporte de um projeto do BNB, por exemplo”, afirmou Girão.

 

Outro caminho aberto para as emissões são em projetos em que, por algum motivo, os bancos de fomento não podem financiar, como por exemplo quando o equipamento é importado. “Para o mercado de capitais não há regras de conteúdo nacional”, disse.

 

Como contraponto, porém, o câmbio atual desfavorece um cenário em que conviveriam o mix de mercado de capitais e equipamento importado e por outro lado a opção máquina local e banco de fomento. “Com esse câmbio, é preciso calcular para ver se vale a pena fugir do tradicional”, explicou.

 

Fianças

 

Dos R$ 5 bilhões em crédito exposto ao setor eólico pelo Itaú BBA, a maior parte hoje está alocada, segundo Girão, em assessorias financeiras e elaboração de fianças bancárias para projetos com recursos do BNB. Uma parte menor se volta para empréstimos-ponte e uma menor ainda em repasses do BNDES.

 

Do crédito no mercado, uma parte cada vez mais importante se volta para projetos com contratos no ACL. No projeto da Casa dos Ventos com a Vale, do complexo eólico Folha Larga Sul, na Bahia, por exemplo, o banco fez a fiança bancária. “Basta olhar o resultado dos leilões recentes, em que os projetos venderam apenas 30% ou menos da garantia física, ou seja, todo o resto está no ACL”, pontuou.

Para Girão, a tendência é cada vez maior de que o mercado livre domine o portfólio de crédito comparativamente ao regulado.

 

BNDES

 

Os repasses do BNDES, que foram fundamentais para o atual parque eólico nacional, segundo Girão, perderam espaço para o BNB, de melhor custo e com flexibilidade de amortização, nos últimos anos.

 

Mas o novo modelo de financiamento do banco nacional de fomento para o mercado livre, de preço suporte, pode fazer com que os repasses ganhem mais espaço nos novos projetos estruturados. “Ainda não utilizamos, por conta do melhor custo do BNB, mas a nova forma viabiliza PPAs mais curtos, já que o banco toma o risco de preço de recontratação, e financia com uma curva de preço suporte razoável”, disse.

 

PPAs a dólar

 

Para Girão, outra tendência para diversificar o perfil de financiamento do setor é de projetos com PPAs atrelados a dólar. Segundo ele, há vários clientes do banco avançando nessa direção, principalmente empresas exportadoras, que já possuem receita em dólar e gostariam de ter a despesa também em moeda forte, com a indexação do preço da energia.

 

O único obstáculo é a falta de arcabouço jurídico, que deve ser superado com projeto de lei em tramitação, o PL 2889/2019, do deputado Lucas Gonzalez (Novo-MG), que permite para exportadores a indexação em moeda estrangeira de serviços de infraestrutura, entre eles energia.

 

Com a segurança jurídica, Girão explica que serão abertas novas possibilidades de financiamento em dólar, tanto do mercado de capitais internacional como de agências de crédito à exportação (ECAs

 

Fonte: Energia Hoje

Escrito por: Marcelo Furtado

Link da Noticíahttps://energiahoje.editorabrasilenergia.com.br/eolicas-no-acl-diversificam-portfolio-de-credito/

 

 

 

 

 

 

 

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