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Uma eventual privatização não está nos planos do governo, disse o novo presidente da companhia

A nova gestão da estatal paranaense Copel vai se concentrar em resgatar o "DNA" da companhia, com foco nas atividades de geração, transmissão e distribuição. Uma eventual privatização não está nos planos do governo, disse o novo presidente da companhia, Daniel Pimentel Slaviero, em entrevista exclusiva ao Valor.

Indicado pelo governador Carlos Massa Junior, o Ratinho Junior, Slaviero veio do setor de telecomunicações. O executivo, que presidiu a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) por oito anos, ocupava o cargo de diretor de rede do SBT desde 2017, depois de ter sido diretor-geral da emissora em Brasília desde 2010. Sua carreira começou no grupo Paulo Pimentel, conglomerado de mídia do Paraná que pertencia ao ex-governador do Estado Paulo Pimentel – avô de Slaviero e também ex-presidente da estatal paranaense, entre 2003 e 2005.

 

"É um setor que, de certa maneira, não é totalmente estranho para mim", afirmou Slaviero, se referindo ao histórico do avô à frente da companhia, durante o segundo mandato de Roberto Requião no governo do Paraná. "Está sendo fascinante conhecer um setor tão complexo, mas tão estratégico para o Brasil e para a infraestrutura."

 

O primeiro passo de seu mandato será dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito, com foco na redução de custos, gestão eficiente e conclusão do ciclo de investimentos iniciado no passado. "A diretriz do governador Ratinho Junior é que a Copel volte a seu DNA, volte às suas origens, que são gerar, transmitir e distribuir energia. Tudo que não estiver alinhado com esse propósito será reavaliado", disse o executivo.

Ele citou, como exemplos, as participações na Copel Telecom, sua subsidiária integral, e na Companhia Paranaense de Gás (Compagás), na qual tem 51%, que serão alvo de "estudo profundo" para possíveis desinvestimentos. Ativos de energia que não tenham sinergias com as operações principais da companhia também serão reavaliados.

 

"A privatização da Copel não está na agenda desse governo. A Copel é uma empresa eficiente, gerando caixa, tem seus objetivos de disciplina, economia e capacidade de alocação de capital, endividamento abaixo dos limites contratuais", disse Slaviero. "Não vemos necessidade de privatização de uma empresa eficiente, que busca investimentos", completou.

 

Nos primeiros nove meses de 2018, a Copel teve lucro líquido de R$ 1,05 bilhão, alta de 6,9% em relação ao mesmo intervalo de 2017. A receita subiu 11,4% no mesmo período, para R$ 11,2 bilhões. O endividamento, contudo, subiu para uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 3,2 vezes, ante 3,1 vezes ao fim de 2017.

A ideia do governo é que a companhia possa voltar a investir em novos ativos com a conclusão do ciclo de investimentos passado, que vão começar a gerar caixa e ajudar a reduzir o endividamento.

"Queremos ampliar o papel da empresa, usar a entrada de R$ 450 milhões de receita", disse, se referindo ao faturamento adicional previsto para este ano com a conclusão de obras em atraso.

 

A companhia está trabalhando para concluir as obras das hidrelétricas de Colíder e Baixo Iguaçu e também do complexo eólico de Cutia. "Vemos perspectiva de aumento de receita ao redor de R$ 450 milhões em 2019, isso vai dar fôlego para que possamos reduzir a alavancagem financeira, assunto sensível no passado mas hoje em trajetória descendente."

Depois de vários adiamentos, a primeira turbina da usina de Colíder finalmente iniciará testes neste mês, segundo o executivo. Ele contou que problemas registrados no passado nas comportas foram solucionados. A licença de operação da hidrelétrica saiu em 3 de janeiro. Pelo cronograma previsto pela empresa, em março, será inaugurada a Baixo Iguaçu. Em abril, o complexo de Cutia. Até maio, Colíder estará totalmente em funcionamento. "O primeiro semestre será muito auspicioso para a Copel", disse.

 

O objetivo é retomar a rentabilidade da companhia, um "orgulho dos paranaenses". "O povo do Paraná escolheu uma nova geração para comandar o Estado, e isso foi traduzido em 7 de outubro, quando o governador Ratinho Junior foi eleito no primeiro turno. O recado das urnas foi claro, é uma nova forma de política com atuação transparente, ética, sem privilégios e com redução da máquina pública", disse Slaviero.

 

Apesar de não ter experiência prévia em energia, Slaviero apontou que o setor de telecomunicações também é muito regulado e importante no país. "O governador busca capacidade de gestão", completou o executivo de 38 anos.

O nome de Slaviero foi aprovado pelo conselho de administração da companhia na semana passada, quando também foi eleito Eduardo Vieira de Souza Barbosa como diretor jurídico e de relações institucionais, e David Campos como diretor-adjunto. A diretoria financeira e de relações com investidores continua com Adriano Moura.

Segundo Slaviero, por enquanto, as mudanças a nível da holding estão concluídas. "Nas subsidiárias integrais, ainda é um processo avaliado internamente", disse, reiterando que os quadros técnicos serão mantidos. A Copel também não prevê a realização de novo programa de demissão voluntária (PDV). "O último PDV deu resultados expressivos, 563 colaboradores aderiram e teremos economia de R$ 200 milhões em 2019", disse o executivo. Em dois anos, houve um total de 811 adesões.

 

Fonte: CERPCH – 17/01/2019

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