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ANEEL aprova e ENERBIOS vai construir Pequena Central Hidrelétrica sem barramento

Numa iniciativa pioneira, a ENERBIOS, empresa do Grupo ENERCONS, solicitou e obteve junto à ANEEL a alteração do seu próprio projeto da PCH Km 19, no rio dos Patos, na divisa entre Prudentópolis e Guamiranga. A alteração foi para remover do arranjo original

Impacto Ambiental Zero

Assim, a usina, que já tinha um reservatório muito pequeno, – com menos de 0,7 hectare de área alagada –  menor do que o lago decorativo da cidade situado no centro da mesma, agora com o novo projeto não terá mais nenhum lago e nenhum volume armazenado, limitando-se às áreas do canal de adução, conduto forçado, casa de máquinas e subestação.

 “Nosso objetivo foi reduzir custos de geração e baixar quase a zero o impacto ambiental, mas mantendo os impactos positivos representados pela geração de energia limpa e renovável em substituição à geração termoelétrica fóssil, que polui a atmosfera quando as bandeiras da conta de energia estão vermelhas e amarelas, aumentando as contas dos consumidores.”, afirma o engenheiro Ivo Pugnaloni, responsável técnico pelo projeto e diretor do Grupo ENERCONS/ENERBIOS.

Com o novo projeto sem barragem, a área total que será utilizada para construir o empreendimento será inferior a 12 hectares, considerando canal, casa de força, acessos e tomada d’agua, um pouco maior do que um campo de futebol oficial. O canal de adução e de irrigação serão cruzados por pontes para permitir o livre acesso dos proprietários. 

“O novo reservatório terá zero metros quadrados de área. Mas isso não representará nenhuma perda de potência já que permanecemos com a queda bruta de 43 metros e a capacidade de armazenamento anterior era praticamente desprezível. Mas os ganhos ambientais serão muito grandes para os proprietários e para os munícipes como um todo” afirmou Pugnaloni.

Piscicultura e fruticultura: diversificação da produção da agricultura familiar 

A usina também continuará, segundo o engenheiro, viabilizando a construção de tanques para piscicultura. “Construiremos, ao lado do canal de adução, um canal de irrigação usando pequena parte da vazão que exceder à vazão turbinada.

Assim abasteceremos açudes de acumulação ao longo de todo o trecho do canal, que serão usados pelos proprietários para abastecer novos tanques de peixe, usando a gravidade, sem uso de energia elétrica. A água usada nos tanques de piscicultura, ao ser renovada para promoção da oxigenação, será usada na irrigação de pomares de frutas de alto valor agregado, irrigadas pelo método de gotejamento, situados logo abaixo”, afirmou Pugnaloni.

Gráficos  ( amplie clicando sobre os desenhos esquemáticos indicativos )

Localização e principais números 

A PCH Km 19 estará situada na localidade de Linha Nova Galícia, abaixo dos saltos Manduri e Rio Branco, num trecho de corredeiras, onde o rio dos Patos não apresenta nenhum salto, nas proximidades da Igreja de São Miguel e do Salto Sete, o qual não será afetado por situar-se bem acima do canal. Naquele região o rio corre entre os municípios de Prudentópolis e Guamiranga, a 204 km de Curitiba.

A usina terá capacidade de gerar 10 MW ( megawatts ) de potência máxima e 5,5 MW de potência média, montante suficiente para abastecer uma cidade com 18.000 habitantes, considerando o índice de 2620 kWh por habitante por ano, publicado em 2014 pelo Banco Mundial para o Brasil.

A PCH KM 19 sem barramento vai gerar 954 empregos diretos e indiretos durante a sua construção, mais 1184 empregos pelo efeito-renda, devendo o investimento superar 51 milhões de reais, dos quais deverão ser gastos em equipamentos R$ 22 milhões ( 43 % ) e R$ 29 milhões em obras civis ( 57 % ), dentro do prazo de 18 meses para sua construção.

Arrecadação dos municípios e do Estado 

O Imposto sobre Serviços estimado para ser arrecadado pelos municípios da região durante as obras será de R$ 2,5 milhões, enquanto o ICMS sobre a energia, arrecadado pelo Estado do Paraná, será de R$ 4,2 Milhões ao ano. 

Durante todos os 35 anos que perdurará a validade da autorização da ANEEL para a PCH Km 19, o município de Prudentópolis, por ser aquele onde ficará situada a casa de força ganhará um significativo aumento de 1,7% na sua quota-parte no Fundo de Participação dos Municípios, equivalentes a R$ 421.300,00 por ano. Ou R$ 14,7 Milhões nos 35 anos, devido ao aumento de receita municipal com a geração de energia.

Veja na próxima matéria “Benefícios das PCHs ao Meio Ambiente, aos Proprietários, aos Munícipios e à Educação Ambiental e Patrimonial”

Parque Intermunicipal e Museu

A PCH Km 19 ensejará, segundo Pugnaloni a criação de duas grandes atrações turísticas para a região, compreendidas por um Parque Ambiental Intermunicipal com vários temas e dois museus, um histórico, sobre as culturas italiana e ucraniana e outro antropológico, sobre as culturas Tupi, Kaingang e Umbu. 

“A própria usina e seu canteiro de obras que conservaremos depois da obra para servir à comunidade, servirão também para a promoção de atividades de incentivo à Educação Ambiental e Patrimonial”, afirmou Pugnaloni, ele mesmo neto de imigrantes italianos da região da Toscana, casado com uma neta de ucranianos. “Durante os projetos encontramos excelentes amostras de como viveram nossos antepassados e com a construção da usina poderemos organizar uma excelente forma de transformar essas peças em atração turística sem igual, valorizando toda a região.”, concluiu.

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