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Sem concorrência, chineses vencem leilão da ponte Salvador-Itaparica

CCCC e CR20 ofereceram lance sem desconto, de R$ 56,2 mi em contraprestações que serão pagas pelo governo da Bahia para viabilizar PPP; obra está orçada em R$ 5,3 bi

 

Sem disputa, o consórcio formado pelos grupos chineses CCCC e CR20 venceu o leilão da ponte Salvador-Itaparica na manhã desta sexta-feira (13). Como esperado, o grupo ofereceu um lance sem desconto, de R$ 56,2 milhões em contraprestações, que serão pagas pelo governo baiano.

 

O empreendimento é uma Parceria Público Privada (PPP) de 35 anos. O objetivo é construir uma ponte de 12,3 quilômetros entre a capital Salvador e a Ilha de Itaparica, que deverá encurtar a viagem dos atuais 90 minutos para aproximadamente 30 minutos, além de facilitar o acesso entre capital e o litoral sul do Estado.

 

 

O projeto da ponte é antigo. A ideia surgiu na década de 1960, e o atual modelo começou a ser desenhado em 2010, sob forte questionamento sobre a viabilidade do empreendimento, cujo principal risco seria a falta de usuários da ponte. Para viabilizar o projeto, além dos aportes, o governo baiano aceitou garantir uma demanda mínima de tráfego, segundo o presidente do conselho da CCCC South America, Chang Yunbo.

 

“O modelo de negócios é diferente do que havia sido desenhado [no passado]. Antes, o capex [investimento na obra] era alto e havia pouco apoio do setor público”, diz. Agora, a Bahia decidiu assumir mais riscos. “O governo está cobrindo risco de demanda, que é o mais importante. O modelo de PPP é a melhor combinação”, disse. Não fosse por isso, o executivo diz que haveria pouco interesse.

 

 

“É um projeto de retorno limitado, apesar do investimento pesado. Ficaria hesitante em investir, porque o retorno é baixo”, afirmou.

 

O investimento estimado na obra é de R$ 5,3 bilhões. No entanto, também poderá haver uma flexibilização para reduzir o valor. “[A previsão de investimento de] R$ 5,3 bilhões é o valor hoje. Temos feito exercício para otimizar o desenho da ponte.

 

Haverá evolução, mas não tivemos a chance de fazer todas as investigações e estudos. Poderá haver surpresas”, afirmou. Uma parcela menor desses investimentos na construção será arcada pelo governo baiano, que contribuirá com R$ 1,5 bilhão.

 

O consórcio vencedor terá cinco anos para construir a ponte. O primeiro ano deverá ser dedicado à elaboração final do projeto, e os demais para a obra em si. Só então, poderá ser cobrado pedágio na via – valor ainda não fechado, segundo representantes do grupo.

 

“Trabalhamos e finalmente conseguimos um consórcio que acreditasse na Bahia”, afirmou o governador Rui Costa (PT), que acompanhou o leilão. Segundo ele, o projeto se justifica porque há uma intenção de desenvolver a região da ilha de Itaparica, mais pobre que a capital. “Teremos um grande crescimento de investimento imobiliário”, disse.

 

Costa afirma que o governo já previa a falta de concorrência. “Esperávamos no máximo dois consórcios”, disse. Além dos chineses, grupos europeus analisaram o projeto, e até o dia da entrega de propostas, na segunda, ainda havia dúvidas sobre a participação dos espanhóis da Acciona.

 

As próprias empresas chinesas chegaram a avaliar o projeto separadamente, mas como todas são estatais, acabaram se unindo. Outro grupo chinês, a Crec, acabou ficando de fora do grupo vencedor de última hora.

 

 

Escrito por: Taís Hirata

Fonte: Valor Econômico

Link da notícia: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/12/13/sem-concorrencia-consorcio-de-chineses-vence-leilao-da-ponte-salvador-itaparica.ghtml

 

 

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