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O setor elétrico e o Covid-19

Imagens aéreas do Complexo Eólico Morrinhos da Atlantic Energias Renováveis. Data: 15/07/2015. Local: Morrinhos/BA. Foto: Rafael Gardini/Sergio Andrade/A2img.

Redução da demanda e aumento do custo de projetos (muitos atrelados ao dólar) são algumas das preocupações


A queda acentuada nos preços de energia conforme os casos de Covid-19 escalavam deixou algumas empresas de óleo e gás em risco de inadimplência. Apesar de o nível médio de débito para empresas do setor de energia ser relativamente mais baixo do que para outras indústrias, muitas dessas companhias não têm grandes reservas de dinheiro, sendo mais dependentes do fluxo de caixa e mais vulneráveis a longos períodos disruptivos causados por esse tipo de choque inesperado na economia.


Enquanto se adequa a novas rotinas de trabalhos e “apaga incêndios” iniciados pela pandemia do novo Coronavirus (Covid-19), o setor elétrico brasileiro faz seus cálculos para começar a entender os possíveis desdobramentos e conseqüências da crise global. A queda do consumo e a alta do dólar são as principais preocupações.


“Traçando um paralelo: na Itália, já estão consumindo 15% menos energia elétrica do que antes do COVID. Algumas empresas do setor elétrico já estão trabalhando com projeções de cenários parecidos, simulando o impacto de 15% a 25% na redução da energia elétrica durante o período de “quarentena” e de negócios fechados”, comenta a diretora da Cela Clean Energy Latin America, Camila Ramos.


Esse efeito, apesar de possivelmente temporário, afeta as previsões de negócios para os próximos anos, já que a redução do consumo pode levar a uma sobrecontratação de distribuidoras, o que justificaria o cancelamento dos leilões previstos para este ano, pelo menos os do primeiro semestre, marcados para abril e maio.


A possibilidade de cancelamento não está ligada apenas à redução de consumo. “Também as empresas e o governo estão focados em “apagar incêndios”, estruturar as instituições para trabalhar de formas diferentes (home office por exemplo), reduções de jornadas em fábricas, impacto da cadeia produtiva, etc”, lembra Camila.


Distribuição



Com um PIB menor, as distribuidoras terão faturamento menor e dificuldade para diluir seus custos fixos. Um analista de mercado ouvido pela Brasil Energia estimou que para uma queda de 2% do PIB o consumo (geral, não só de energia) cairia 5%.


Outra variável importante a considerar é a possibilidade de aumento da inadimplência e das perdas não técnicas de energia (as ligações clandestinas). Nesta semana, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, chegou a aventar a possibilidade de suspender a cobrança de tarifas dos serviços públicos (água, gás e eletricidade). Embora a decisão não seja de alçada estadual, a declaração fez com que a Abradee se manifestasse. E, para um analista ouvido pela Brasil Energia, tal declaração “legitima de alguma forma para o cliente final que ele pode não pagar, que tem respaldo, acabando com a posição de caixa e a liquidez das companhias”.


O governo não anunciou nenhuma medida mais específica para o setor elétrico, mas com a redução da taxa básica de juros é esperado um efeito de redução de custo e aumento de liquidez. Uma possível redução da tarifa para os consumidores mais pobres, em linha com o sugerido por Witzel para mitigar os efeitos da crise, poderia vir a ser deliberada, mas a avaliação é a de que não há espaço fiscal para expandir o gasto com esse tipo de “subsídio”.


Novos projetos e GD



Com o efeito cambial, o capex das térmicas, lastreado em dólar, tende a subir. A intenção do governo com os leilões de energia existente A-4 e A-5 era justamente contratar térmicas mais modernas e menos poluentes para substituir térmicas antigas e mais caras, de acordo com as novas previsões de demanda das distribuidoras – que já previam queda com a migração crescente para o mercado livre.


A diretora da Cela, Camila Ramos, destaca que, no mercado livre, já estão sendo negociados preços menores do que o praticado antes do Covid.


Por outro lado, o custo dos projetos tende a subir, com a significativa alta recente do dólar, o capex dos projetos, especialmente fotovoltaicos, está também maior, uma vez que grande parte dos equipamentos fotovoltaicos utilizados no país é importada e aqueles que são fabricados localmente possuem insumos importados.


“No curto prazo, com o câmbio brasileiro depreciado, na prática o custo dos projetos em reais sofre aumento. Já no longo prazo, há redução no custo da tecnologia e aumento de sua eficiência, que têm levado a capex cada vez menores no setor”


De acordo com Camila, há planos sendo adiados. Algumas empresas que estavam planejando emitir debêntures estão colocando seus planos “on-hold”, até a crise amenizar. “Já existe um impacto sensível na GD, uma vez que os negócios / pessoas físicas estão priorizando sua atenção nas atividades básicas do dia-a-dia”, alerta.


Por outro lado, com a retirada de recursos externos do país – um levantamento do Institute of International Finance publicado pelo Jornal Folha de São Paulo nesta semana calcula em US$ 10 bilhões a saída de capital externo do país desde o início do ano – resultado desse adiamento de planos de investimento e até mesmo da desistência de investidores, os preços dos ativos brasileiros ficarão significativamente mais baixos em dólares, criando novas oportunidades em fusões e aquisições após a fase mais aguda da crise.


Financiamento

O impacto para novos projetos de geração está mais do lado da demanda, do que pela disponibilidade de financiamento. “No Brasil, a maior parte do investimento em energia limpa vem de fontes locais, o que está muito ligado ao impacto que os bancos domésticos de desenvolvimento têm”, disse o chefe de pesquisa para a América Latina da BloombergNEF, James Ellis.


Entre 2009 e 2018, 34% do financiamento para projetos de energias renováveis no Brasil veio de fontes estrangeiras, enquanto 66% veio de fontes domésticas, segundo dados da BNEF. Já no México e no Chile cerca de 64% do financiamento é de origem estrangeira.


Fonte : Brasil Energia

Escrito por : Lívia Neves

Link da Notícia :https://editorabrasilenergia.com.br/o-setor-eletrico-e-o-covid-19/

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