O desafio da inclusão dos fatores ESG em energia e recursos naturais

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O desafio da inclusão dos fatores ESG em energia e recursos naturais

Nesse cenário, a tendência é que os investidores têm mostrado preferência por ativos que dão prioridades às questões que envolvem ESG pelo fato deles apresentarem um grau maior de confiança

Com ampla riqueza natural, diversidade energética e um grande potencial em energias limpas e renováveis, o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e tem um grande protagonismo no setor. Mas diante dos desafios impostos pela pandemia da covid-19, as empresas formadas, principalmente, pelos segmentos de mineração, petróleo e elétrico, têm um grande desafio no que se refere à inclusão nos modelo de negócios dos fatores ambientais, sociais e de governança que compõem a sigla ESG (do inglês, Environmental, Social and Governance).

Sabemos que a crise gerada pelo isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus alavancou uma tendência mundial de preocupação com o clima e com as questões sociais que já vinham sendo discutidas há alguns anos, mas que foram impulsionadas nos últimos meses e estão remodelando o futuro das gigantes mundiais da indústria.

Nesse cenário, a tendência é que os investidores têm mostrado preferência por ativos que dão prioridades às questões que envolvem ESG pelo fato deles apresentarem um grau maior de confiança. Podemos considerar que esse novo modelo de negócio, menos focado em benefícios financeiros e mais ativos verdes, vem sendo reconhecido como mais interessante pelo mercado. Os elevados custos e riscos associados a indicadores ambientais e às crises de reputação passaram a fazer parte prioritária na agenda de líderes corporativos. Dessa forma, os fatores ESG são relevantes não apenas para reduzir os impactos ambientais, mas também para dar ao investidor mais clareza sobre os recursos alocados pela empresa. São aspectos que deixaram de ser somente uma preocupação de grupos ambientais e passaram a ser fonte determinante no fluxo financeiro das maiores indústrias do mundo. Além disso, não só os investidores, mas governos e agências reguladoras também passaram a precificar esses índices, elevando o ônus de não cumprir com as regulações ambientais.

Por serem empresas de grande porte e algumas de capital aberto na Bolsa de Valores, essas companhias já têm bem desenvolvido um dos requisitos – a governança – que leva em consideração os direitos dos acionistas, a composição do conselho de administração e as políticas de remuneração. Nesse sentido, as que seguem boas práticas de governança tendem a apresentar ações mais consolidadas. O desafio tem sido dar ênfase aos outros dois aspectos, social e ambiental, e mensurar de forma qualitativa e quantitativa o impacto – positivo ou negativo – desses fatores nas empresas e na sociedade. Vale ressaltar que no primeiro caso são consideradas a relação das empresas de energia, petróleo e mineração com a comunidade, responsabilidade com o consumidor, saúde, segurança e treinamentos dos colaboradores, relacionamento com terceiros e com a cadeia de suprimentos, atividades beneficentes e diversidade. Já o segundo abordam, de forma ampla, como essas companhias exploram e lidam com os recursos naturais escassos, geração de resíduos, emissão de poluentes atmosféricos e o nível de emissão de gases causadores do efeito estufa capazes de gerar um grande impacto na sociedade e no planeta.

No Brasil, empresas do mercado de energia e recursos naturais como um todo já vinham se adaptando a essas novas práticas, mas ainda possuem um longo caminho a percorrer, sobretudo aquelas ligadas ao setor de óleo e gás. São companhias que apresentam uma particularidade que é o impacto ambiental imediato causado na implantação de uma infraestrutura, mas que em longo prazo pode ser compensado por outras ações junto à sociedade. Como forma de amenizar isso, elas vêm dando prioridade para a utilização de plantas mais tecnológicas e eficientes e realização de diversas medidas para modificar estruturas que comprometem o meio ambiente. Além disso, o setor de petróleo vendo dando protagonismo à expansão do gás natural com foco na transição energética, descarte de resíduos e redução na emissão de gases de efeito estufa. No setor elétrico, as empresas têm adotado diversas medidas sustentáveis como a redução da pegada de carbono e financiamento atrelados aos critérios de sustentabilidade, como green bonds e social bonds. Além disso, em renovável, há a grande presença da geração hídrica e contínuo crescimento da geração solar, eólica e de biomassa. Em mineração, as maiores empresas do setor estão buscando aprender com os erros do passado, investindo em autogeração de energia, em fortes ações de cunho social e avançando substancialmente na agenda de descarbonização do setor.

Apesar dos inegáveis desafios trazidos pela pandemia, a forma como o mundo vai emergir da atual crise global depende também das decisões que as empresas de energia, principalmente, estão tomando neste momento. Diante do grande protagonismo que o Brasil tem em energia e recursos naturais, a implantação dos fatores de ESG de forma adequada aliada aos esforços de transição para uma economia sustentável pode fazer com que o país entre no mundo pós pandemia com uma grande vantagem competitiva.

Anderson Dutra é sócio líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG e Ana Carolina Oliveira é gerente de ESG da KPMG.

Fonte :Canal Energia

Link da Notícia : https://www.canalenergia.com.br/artigos/53149754/o-desafio-da-inclusao-dos-fatores-esg-em-energia-e-recursos-naturais

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