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Setor elétrico aposta em diversificação

Diante de uma mudança impulsionada pela digitalização, descentralização e
descarbonização, a inovação tem ganhado importância na agenda das empresas
do setor elétrico.

Além de buscar mais eficiência reduzindo custos, as concessionárias estão de olho
em novos serviços e modelos de negócios frente a um consumidor que, com o
avanço da geração distribuída solar e das redes inteligentes, passa a também atuar
como minigerador. As empresas também estão atentas a oportunidades em
mobilidade elétrica e iluminação pública. Um vetor são investimentos feitos dentro
do programa de Pesquisa & Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia
Elétrica, em que se investe 0,5% da receita operacional líquida em inovação.

Uma das maiores holdings do setor elétrico nacional, a italiana Enel é uma das
líderes em distribuição de energia no Brasil, com cerca de 15% do mercado e
presença na região metropolitana de São Paulo. Na zona sul da capital paulista, no
bairro da Vila Olímpia, a empresa investiu em um projeto com milhares de
sensores que coletam, remotamente e em tempo real, dados sobre condições da
rede, além de permitir conectar informações de outras concessionárias. A partir daí
será criada uma base de dados com informações sobre rede subterrânea,
iluminação pública, trânsito, e isso poderá ajudar a financiar o investimento nessa
plataforma digital, que vai muito além do escopo do contrato de distribuição.

A principal iniciativa é a réplica em terceira dimensão da rede elétrica física que
permite à concessionária a visão virtual completa da infraestrutura. Sensores
auxiliam no processo de localização de defeitos, e sistemas de autorreconfiguração
isolam o trecho afetado de forma automática. A empresa reuniu 148 parceiros em
evento para discutir o projeto e receber ideias. Uma delas é que sensores nas latas
de lixo pudessem informar quando estão cheias e assim ajudar a estabelecer a
melhor rota para a limpeza do bairro.

“Digitalização é uma tendência crescente e muitos serviços e soluções poderão ser
criados com essa rede do futuro”, afirma o presidente da Enel, Nicola Cotugno.
Mobilidade elétrica é outro interesse da Enel no Brasil. A empresa negocia o avanço
da eletrificação de ônibus na região metropolitana de São Paulo. “Podemos ter
novidades relevantes ainda este ano”, acrescenta.

Na Alsol, empresa adquirida em 2019 pela Energisa e que atua no segmento solar,
mobilidade elétrica também é outra vertente que ganha destaque. A companhia foi
contemplada com o Rushlight Awards, premiação britânica que reconhece projetos
de inovação e sustentabilidade. A iniciativa reconhecida foi o MoovAlsol, o primeiro
projeto de mobilidade elétrica do Brasil em que veículos elétricos são abastecidos
com energia 100% solar.

A automação da rede elétrica é um interesse de diversas concessionárias de
distribuição, de olho na redução de despesas operacionais, medida que ganha
importância em um momento em que a pandemia tem pressionado a receita no
mercado cativo e elevado a inadimplência.

Há três anos, a Copel fez sua primeira incursão nas redes inteligentes de energia
em um projeto-piloto, em Ipiranga (PR). Houve redução de 50% do indicador de DEC
(Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), e a leitura, que
antes era feita por uma equipe de seis pessoas, passou a ser remota. O projeto
detectou ainda que na rede da concessionária paranaense boa parte dos
medidores fica depois do disjuntor.

“Há dificuldade para avaliar se a queda de energia é de algum problema nosso ou
do cliente”, diz Julio Omori, superintendente de smart grid e projetos especiais. Esse
foi um dos motivos que levaram a empresa a investir R$ 250 milhões em rede
inteligente.

“Com os novos medidores, também fazemos a mudança do posicionamento. Isso
reduzirá despacho de equipe, por exemplo”, afirma Omori. Em razão de
inadimplência, algumas vezes, se fazem 100 mil cortes por mês. “Os religamentos
podem ser automáticos, o que pode gerar também redução de custo operacional”,
acrescenta. A Copel prevê retorno de dois dígitos com o projeto em seis a sete
anos, com principal motivador: a redução de despesas operacionais.

A inteligência artificial vem sendo usada em novas áreas na EDP. As disputas
judiciais da concessionária com clientes têm acontecido, nos últimos meses, em
um novo ambiente: uma plataforma online que vem sendo testada em 400 casos. A
ideia, desenvolvida em parceria com a startup eConciliadora, é reduzir prazos e
custos.

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