Corrida contra aquecimento global amplia uso de energias renováveis. Entenda o potencial de fontes como eólica e solar

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Corrida contra aquecimento global amplia uso de energias renováveis. Entenda o potencial de fontes como eólica e solar

Condições geográficas e climáticas conferem ao país posição ímpar no desafio de garantir energia necessária ao crescimento econômico e à qualidade de vida

A busca por fontes alternativas de energia é uma preocupação antiga no mundo. Afinal, a disputa por recursos naturais finitos como o petróleo está por trás de tensões entre nações e instabilidades econômicas. Agora, outro fator torna a causa mais urgente: o aquecimento da Terra.

Na mobilização global para deter esse processo, a energia é naturalmente um dos principais alvos. O uso intensivo de combustíveis fósseis faz do setor o maior emissor de CO2, respondendo por cerca 40% do total lançado na atmosfera.

Nos últimos anos, governos e empresas investiram muito no desenvolvimento de fontes renováveis de energia. Ainda assim, desde a primeira convenção das Nações Unidas para o clima, realizada no Rio de Janeiro em 1992, as emissões de carbono do setor energético aumentaram 60%, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE).

Às vésperas da COP-26, que será realizada em novembro na Escócia, um relatório lançado pela agência na semana passada surpreendeu ao convocar os países a acelerar o passo na descarbonização da energia, com a meta de emissão zero até 2050. Assim, o setor daria uma contribuição decisiva para limitar o aquecimento do planeta em 1,5° C.

Como as energias renováveis podem ajudar?

A geração de eletricidade é a transformação de uma energia primária, disponível na natureza, na energia final que abastece lares, lojas, ruas e praças públicas ou uma indústria. Na maior parte dos empreendimentos, essa transformação se dá por meio de turbinas movidas por vento, água ou vapor. Na energia solar fotovoltaica, por exemplo, o processo é diferente.

As fontes renováveis de energia são chamadas assim porque têm como insumo primário algo que pode ser reposto rapidamente pela natureza, como as águas que fazem girar as turbinas de uma hidrelétrica. Esse tipo de geração é  responsável por mais de 60% do abastecimento do sistema elétrico brasileiro.

. Foto: Criação O Globo
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Mas o que vem mais facilmente à mente quando se fala em fontes renováveis são o vento que faz girar as pás de aerogeradores em parques eólicos e a luz do sol captada por painéis fotovoltaicos em grandes empreendimentos ou nos telhados.

Brasil tem vantagens naturais

O desafio de compatibilizar crescimento e energia limpa é ainda maior nas economias em desenvolvimento, que, segundo o Climate Policy Initiative (CPI), responderam por apenas 15% do investimento mundial em energia de fontes renováveis entre 2013 e 2018.

O Brasil se distingue nesse cenário com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Mais de 60% da geração de energia elétrica vêm de hidrelétricas. Sol, vento e biomassa já geram mais de 20% da energia no país, que tem tudo para se tornar líder na transição energética, dizem especialistas.

. Foto: Criação O Globo
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As condições geográficas e climáticas do Brasil conferem ao país uma posição ímpar no desafio de garantir a energia necessária ao crescimento econômico e à qualidade de vida sem agravar o efeito estufa, responsável pelas mudanças climáticas. Na matriz elétrica brasileira, mais de 80% da geração têm origem limpa.

Na maioria dos outros países, ainda é muito intenso o uso de fontes não renováveis para produzir energia elétrica, como carvão mineral, petróleo, gás natural e urânio (usado em usinas nucleares). Sem falar nos combustíveis derivados de petróleo usados nos transportes.

Fontes não sustentáveis

As fontes não renováveis são chamadas assim por demandarem insumos esgotáveis para a geração de energia. A reposição na natureza é muito lenta, pois resultam de processos de milhões de anos sob condições específicas.

. Foto: Criação O Globo
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Algumas fontes não renováveis, como o petróleo e o carvão mineral, são responsáveis pela maior parte da emissão de gases estufa, visto que são combustíveis: precisam ser queimados para gerar energia, liberando poluentes que impactam a saúde e o meio ambiente.

Investimentos em alta

A descarbonização da energia é também uma grande oportunidade de negócios. O Brasil, além de um dos maiores produtores de energia hidrelétrica, avança rapidamente na eólica e na solar. Equipamentos mais baratos e mais financiamento colaboram.

    Um estudo de 2020 da Carbon Tracker, uma instituição que pesquisa o impacto das mudanças climáticas, mostra que, nos últimos dez anos, o custo da geração solar caiu 89%, e o da energia eólica em terra, 70%. Já é mais barato construir parques eólicos e solares que termelétricas.

. Foto: Criação O Globo
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Entre 2016 e 2020, 88% da geração de energia nova no Brasil vieram de fontes limpas, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De 2021 a 2025, a previsão é que esse percentual fique em 83% — sendo metade disso energia solar.

Estão contratados ou em construção parques eólicos que somam R$ 72,4 bilhões em investimentos e deverão gerar um total de 10,3 GW nos próximos anos. Isso apenas considerando em terra (onshore).

Também começam a se desenvolver projetos offshore, com torres instaladas no mar. No Ceará, o primeiro projeto desse tipo é o Complexo Asa Branca, da Eólica Brasil. Na primeira fase, vai receber investimentos de cerca de R$ 13 bilhões, e deve entrar em operação em janeiro de 2025.

. Foto: Criação O Globo
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   O Brasil também conta com usinas de biomassa competitivas, que usam matérias orgânicas como o bagaço de cana-de-açúcar, vegetal que há décadas viabiliza a redução das emissões da frota de transportes brasileira com o etanol. Há ainda empreendimentos que exploram o potencial energético do lixo, das marés e do hidrogênio, entre outras iniciativas.

Fonte: O Globo

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