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No dia mundial da energia, as fontes renováveis são as estrelas

Neste sábado, 29, é comemorado o Dia Mundial da Energia. A data foi criada como uma forma de incentivar a transição para as energias renováveis, movimento que ganhou força desde o início da pandemia. À medida que o mundo entra na chamada década da ação, que marca a reta final para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU, o investimento em fontes limpas de energia se tornou uma prioridade para os investidores.

O Brasil tem muito a ganhar com essa transição. Com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, muito baseada em energia hidráulica e eólica, o país é um candidato natural a receber investimentos. E não apenas nas tradicionais fontes solar e eólica. “O Brasil tem potencial para utilizar o etanol na célula de combustível de automóveis elétricos, com mais eficiência do que o hidrogênio”, afirmou Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e atual diretor estratégia econômica e eelações com mercados do banco Safra.  “Precisamos desenvolver com urgência tecnologias nessa direção.”

Levy participou de um painel no evento Melhores do ESG, promovido pela EXAME durante o mês de maior (foram realizados 60 painéis em quatro semanas). Ainda durante o evento, David Victor, professor de organização industrial e inovação da School of Global Policy and Strategy da Universidade de San Diego, apresentou um panorama do que a descarbonização da energia representa para a indústria do petróleo. “É um desastre para as petroleiras”, disse o professor. “Precisamos de uma redução de cinco vezes na participação do petróleo no mercado, até 2050, e o que restasse seria usado pela indústria, especialmente a química.”

A questão está, justamente, no atingimento das metas estabelecidas não somente pelos ODS, mas também pelo Acordo de Paris. Na avaliação do professor, hoje, as temperaturas globais estão 1,2 grau Celsius acima da era pré-industrial. E o aumento da temperatura vai acelerar nas próximas décadas. Para manter o aquecimento em 1,5 grau Celsius, como determina o acordo, será preciso interromper as emissões em poucos anos, e manter assim por bastante tempo. Com uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis, isso é impossível.

Para o Brasil, a transição para novas fontes de geração de energia limpa é um desafio mais ameno quando comparado à realidade de outros países no mundo, segundo Rafaela Guedes Monteiro, sênior fellow do CEBRI, núcleo de energia. “O país já possui fontes renováveis que podem dar certa vantagem ao país na corrida rumo ao net zero.” Porém, associada à transição energética, está a substituição do combustível fóssil no transporte pela eletricidade, na visão de Philipp Hauser, associado sênior do Think Tank Agora Energiewende.

E, assim como no agronegócio, a China pode fazer a diferença para o Brasil na transição energética. Altamente dependente de combustíveis fósseis, o gigante asiático tem ampliado as metas internas: passou de 25% da energia vinda de fontes renováveis e planeja alcançar 40% até 2030. Para o Brasil, hoje pressionado de todos os lados para que reduza seus índices de desmatamento, a postura de seu maior parceiro comercial é de vital importância.

Fonte: Exame invest

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