Certel pretende iniciar construção de nova PCH no segundo semestre

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Certel pretende iniciar construção de nova PCH no segundo semestre

Uma das maiores e mais antigas cooperativas de infraestrutura do Brasil, a Certel, que completou 65 anos em fevereiro passado, pretende iniciar nos próximos meses a construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Vale do Leite, que será implantada entre os municípios de Pouso Novo e Coqueiro Baixo, no rio Forqueta, absorvendo um investimento de aproximadamente R$ 50 milhões. Assim como o importante aporte, o presidente da Certel, Erineo José Hennemann, acrescenta que a perspectiva do grupo é ultrapassar o patamar de R$ 400 milhões em receita neste ano. Além da operação na área de geração, a cooperativa realiza o trabalho de distribuição de energia elétrica atendendo a 48 municípios no Rio Grande do Sul.

Jornal do Comércio – Um relevante empreendimento que será desenvolvido pela Certel é a PCH Vale do Leite. Em que fase está essa iniciativa?Erineo José Hennemann – O projeto está tramitando na área ambiental, ou seja, na Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental). A questão financeira está toda ajustada, com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) também, só depende de atender às exigências da Fepam. Mas, eu creio que está bem encaminhado, devemos iniciar no segundo semestre a construção da usina. Assim que começarem as obras, deve levar cerca de 18 meses para sua finalização.

JC – Qual a capacidade instalada projetada para essa PCH?Hennemann – São 6,4 MW. Ela vai se somar às outras usinas que temos que é a Salto Forqueta, a Boa Vista, a Rastro de Auto e a Cazuza Ferreira (em parceria com a Coprel e Geopar). Hoje, temos em torno de 30 MW instalados (um pouco menos de 1% da demanda de energia do Rio Grande do Sul). Também temos duas usinas fotovoltaicas, uma em Teutônia e outra no município de São Pedro da Serra.

JC – Inicialmente, o investimento na PCH Vale do Leite era estimado em R$ 45 milhões, continua sendo esse valor?Hennemann – Houve alguns ajustes, em relação ao dólar e o preço do aço também aumentou bastante. Então, acreditamos que vai elevar um pouco o valor, mas não deve ser algo que preocupe. Deve ser algo por volta de R$ 50 milhões.

JC – A Certel tem mais projetos de PCHs dentro do seu planejamento?Hennemann – Temos mais quatro projetos no rio Forqueta, que deverão ser desenvolvidos depois de construída a usina Vale do Leite. A ideia é a cada dois anos construir mais uma planta. No total, serão em torno de 25 MW a serem instalados no rio, um investimento de cerca de R$ 200 milhões.

JC – A cooperativa tem planos para desenvolver projetos eólicos?Hennemann – Estamos fazendo um levantamento para a implantação de geração eólica em Teutônia. A previsão é para um parque com 11 aerogeradores de 3 MW cada um, o que daria 33 MW, energia que poderia atender até 100 mil pessoas. Esse é um projeto bastante audacioso e um empreendimento que vai nos deixar em uma posição muito favorável com relação à geração de energia elétrica.

JC – Qual o cronograma trabalhado para o parque eólico?Hennemann – Agora estão sendo realizados os estudos e a preparação do terreno para a instalação da torre que irá medir a velocidade e a direção dos ventos. Temos que ter no mínimo um ano de medição, então a obra deve começar a partir de setembro de 2022. A implantação (a partir do início das obras) deve levar no máximo um ano. Ainda não há um investimento definido quanto a esse projeto.

JC – Quais são as iniciativas da cooperativa na área fotovoltaica?Hennemann – São dois projetos fotovoltaicos que estão abastecendo as lojas da Certel (a cooperativa tem uma rede de estabelecimentos de venda de eletrodomésticos). A usina de São Pedro da Serra foi inaugurada no aniversário da Certel em 19 fevereiro (de 2021) e a outra (em Teutônia) está há uns três anos funcionado.

JC – A pandemia chegou a impactar o consumo de energia na área atendida pela Certel?Hennemann – Não. A nossa preocupação era de que ia aumentar a inadimplência e reduzir o consumo, mas, pelo contrário, houve uma atenção muito especial por parte dos associados de manter as contas em dia e o consumo aumentou. Neste ano, a indústria (em consumo de energia) cresceu 10%, um incremento nunca esperado, em um momento de pandemia. E o consumo médio, de todas as classes, aumentou 5%. O uso da energia está sendo transformado em trabalho produtivo. Quando se fala em melhoria do PIB, nós estamos sentindo essa melhoria. A energia tem sido um termômetro do crescimento, do desenvolvimento.

JC – Qual o investimento que a Certel estima para 2021?Hennemann – Na ordem de R$ 100 milhões, sem contar a usina (PCH Vale do Leite). Recentemente, lançamos uma nova subestação de energia, em Forquetinha, já se antecipando à demanda da região, que é próxima a Lajeado, que está se desenvolvendo muito. O novo plano diretor de Lajeado vai acontecer dentro da área abastecida pela Certel. Também estamos investindo nas redes para manter a qualidade do fornecimento de energia elétrica. Nas pesquisas da Aneel, a Certel tem sido colocada entre as melhores distribuidoras do País. E estamos investindo no varejo, devemos ter mais algumas aberturas de lojas, porque o resultado está muito bom com relação a essa área.

JC – Quando iniciou a operação da cooperativa no segmento de varejo com o braço Lojas Certel?Hennemann – Nós iniciamos com a atividade no varejo na década de 1970, porque o associado, naquela época, precisava adquirir bombas d’água, refrigeradores, entre outros produtos, e não tinha onde comprar. Hoje, estamos com 30 lojas, a maioria delas nas regiões que têm associados, há algumas fora dessas áreas, mas a tendência é desenvolver e melhorar esse atendimento no território de atuação da Certel. A iniciativa tem dado retorno positivo, gerando emprego, atualmente são em torno de 300 funcionários na área comercial.

JC – Quais os planos da Certel para deixar a sua rede elétrica mais robusta?Hennemann – Há o programa do governo Energia Forte no Campo que prevê a transformação da rede monofásica em trifásica. O Estado entra com uma parte, a Certel entra com outra e levamos energia trifásica para as regiões. Evidentemente que há bastante rede monofásica e com esse plano pretendemos fazer o maior número possível de quilômetros em trifásica. No passado, houve programas como o Luz Para Todos que levou iluminação ao campo e as famílias aumentaram suas produções e agora precisam da rede trifásica.

JC – Qual a principal diferença do serviço de uma grande distribuidora de energia para o trabalho que é prestado por uma cooperativa?Hennemann – A diferença está no modelo de negócios. O cooperativismo é uma sociedade de pessoas, um modelo saudável de relação. As cooperativas têm um relacionamento muito forte com os seus associados. Outra vantagem é que todas as sobras (financeiras) são reaplicadas, reutilizadas, no próprio negócio.

Certel

Fundação e sede: 19/02/1956, em Vila de Teutônia (que pertencia, na época, a Estrela e hoje é o município de Teutônia).

Receita: R$ 350 milhões em 2020 (alta de 17%)

Sobras: R$ 41,4 milhões em 2020 (alta de 13%).

Associados: 73 mil.

Fonte: jornal do comercio https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/cooperativismo/2021/06/799095-certel-pretende-iniciar-construcao-de-nova-pch-no-segundo-semestre.html

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