Investimentos públicos em energia limpa estão longe da rota de descarbonização

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Investimentos públicos em energia limpa estão longe da rota de descarbonização

Levantamento da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) divulgado hoje (20) mostra que os investimentos públicos e privados mobilizados por planos de recuperação pós-covid em todo o mundo estão muito aquém do necessário para alcançar emissões líquidas zero de CO2 até 2050.

E longe da meta climática de manter o aquecimento do planeta abaixo de 2° Celsius até o fim do século.

Dos US$ 16 trilhões mobilizados pelos governos para os planos de recuperação pós-covid, apenas 2% estão indo para transições de energia limpa.

Com isso, as emissões globais deverão atingir um pico histórico em 2023 e continuar crescendo nos anos seguintes, destaca o Sustainable Recovery Tracker.

Em 2020, a IEA divulgou um Plano de Recuperação Sustentável recomendando que estes gastos fossem de US$ 1 trilhão.

Mas os planos atuais dos governos só aumentariam o gasto público e privado em energia limpa para cerca de US$ 350 bilhões por ano até 2023.

A maior parte dos recursos está sendo mobilizada em países ricos, que se aproximam de 60% dos níveis de investimento previstos pela agência.

As economias emergentes e em desenvolvimento, muitas das quais têm margem de manobra fiscal limitada, mobilizaram até agora cerca de 20% dos níveis de gastos recomendados.

“Essas deficiências são particularmente pronunciadas nas economias emergentes e em desenvolvimento, muitas das quais enfrentam desafios de financiamento específicos”, explica a IEA.

No rastreador de políticas sustentáveis, o Brasil aparece no final da lista, com a “Compatibilidade com o Plano de Recuperação Sustentável IEA” classificada como muito baixa.

O Brasil foi avaliado na categoria Transições centradas nas pessoas, que analisa o acesso a cozinha limpa, eletricidade por extensão da rede, minigrids ou sistemas de energia independentes, e aparelhos básicos e eficientes.

Como exemplo de financiamento público, o único projeto listado é a linha do BNDES para o Renovabio, que oferece apoio direto por meio de créditos ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) para o setor de biocombustíveis, com incentivo à melhoria da eficiência energética e ambiental e certificação da produção.

No Brasil, assim como em outras economias emergentes, os gastos do governo representam uma parcela menor dos investimentos públicos e privados em medidas de recuperação sustentável do que nos países ricos.

Isso acontece, em grande parte, porque esses países não têm recursos para fazer aportes, e são as políticas públicas que cumprem o papel de atrair investimento privado no setor de energia.

“Além disso, as economias emergentes e em desenvolvimento com empresas estatais fortes têm a opção de canalizar os gastos em medidas de recuperação sustentável por meio dessas empresas, sem fornecer gastos do governo diretamente às empresas”, explica o relatório.

No entanto, diz a agência, são necessários muito mais gastos do governo nas economias emergentes e em desenvolvimento para mobilizar recursos privados.

Outras contribuições importantes para alavancar a transição energética nesses países podem vir de bancos de desenvolvimento e instituições financeiras internacionais, principalmente por meio de alívio da dívida e apoio de emergência para projetos em desenvolvimento.

Os governos também têm um papel crítico.

Para a IEA, é preciso reduzir o risco de investimento em energia limpa, removendo distorções de mercado e de preços e melhorando as estruturas financeiras domésticas sustentáveis.

“Como as economias emergentes e em desenvolvimento muitas vezes canalizam o investimento doméstico por meio de empresas estatais, vincular o apoio financeiro às empresas estatais com critérios de sustentabilidade pode ajudar a mudar seus gastos”, completa.

Exemplo recente e que vai na contramão dessa estratégia desenhada pela IEA é a capitalização da Eletrobras com previsão de contratação de 8 GW de térmicas a gás, boa parte em regiões sem acesso ao combustível.

O que, segundo um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente, pode aumentar em 25% as emissões de CO2 do setor elétrico.

Emergentes essenciais na transição global para energia limpa

A geração de eletricidade por combustíveis fósseis pode ter atingido o pico mundial, dispensando os mercados emergentes da construção de grandes infraestruturas baseadas neles, conclui um relatório do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água da Índia (CEEW) e do think tank financeiro Carbon Tracker.

Segundo a análise, as energias renováveis já são a fonte mais barata de nova eletricidade em 90% do mundo, atendendo ao crescimento da demanda por energia nesses países.

O relatório Reach for the Sun observa que os mercados emergentes são essenciais para a transição energética global, respondendo por 88% de todo o crescimento esperado na demanda de eletricidade até 2040.

“No geral, 82% da atual demanda de eletricidade do mercado emergente e 86% do crescimento esperado da demanda vêm de países que importam carvão e gás, e eles têm incentivos poderosos para mudar para a energia solar e eólica”, diz o relatório.

Segundo o Carbon Tracker, continuar investindo a geração a partir de combustível fóssil pode causar grandes perdas.

E cita como exemplo o setor de eletricidade da Europa que registrou perdas de US$ 150 bilhões depois que a demanda por combustíveis fósseis atingiu o pico em 2007.

A resistência à transição energética tende a ser mais enraizada nos países exportadores de carvão e gás, mas eles respondem por apenas 16% da demanda de eletricidade do mercado emergente e 10% do crescimento esperado da demanda”, diz.

Alguns já estão mudando e um ambiente político favorável será a chave para impulsionar o crescimento das energias renováveis.

“Se os países liberalizarem os mercados e introduzirem leilões competitivos, eles poderão cortar custos e atrair financiamento internacional, à medida que os mercados de capitais virarem as costas aos combustíveis fósseis. Os leilões ajudaram a Índia a reduzir o custo da energia solar a um dos níveis mais baixos do mundo”, completa.


Curtas

Crise hídrica exige soluções energéticas eficientes, escreve Hélio Sugimura, gerente de Marketing da Mitsubishi Electric. O executivo defende o investimento em soluções de eficiência energética para cada tipo de demanda e o uso de dados sobre o consumo em tempo real para otimizar a tomada de decisão. epbr

Recordes na geração eólica têm ajudado a amenizar consequências da crise hídrica. Rio Grande do Norte lidera a contratação de novos projetos. Ao todo, mais 20 usinas eólicas devem entrar em funcionamento a partir de 2024. O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão. Jornal Nacional

A Vitreo lançou nesta terça (20) um fundo de água e entrou na competição com outras empresas, como a XP, que lançou um produto do tipo na semana passada. As plataformas apostam em companhias que desenvolvem tecnologias de conservação do recurso natural e empresas de saneamento e esgoto. Valor

A produção de etanol de milho no Brasil deve triplicar até 2030, de acordo com Beatriz Pupo, analista sênior de biocombustíveis da S&P Global Platts Analytics. Crescimento reflete estagnação da disponibilidade de cana-de-açúcar e necessidade do país de aumentar a produção de biocombustíveis para cumprir metas ambientais. BNAmericas

Nova lei do biodiesel na Argentina deve impactar preços globais do óleo de soja. Exportações de óleo da Argentina devem aumentar, derrubando os preços internacionais do produto, devido à redução do volume de biodiesel misturado ao diesel comum. Reuters/Money Times

A Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprovou na semana passada o Projeto de Lei 5048/20, que torna o extrativismo sustentável uma das áreas prioritárias para aplicação de recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente. A comissão acolheu o parecer da relatora, deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Agência Câmara

Fonte: epbr https://epbr.com.br/investimentos-publicos-em-energia-limpa-estao-longe-da-rota-de-descarbonizacao/

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