Torres de transmissão de energia são derrubadas em Rondônia e no Paraná; Aneel fala em “sabotagem” e “vandalismo”

Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema colocaram em prática medidas emergenciais para garantir fornecimento de energia pós a invasão à sede dos Três Poderes em Brasília, a infraestrutura de energia elétrica do país também foi alvo de ataques e vandalismo nos últimos dias. Pelo menos seis torres de transmissão de energia foram danificadas em municípios de Rondônia e do Paraná. As ocorrências, que afetaram ativos da Eletrobras (ELET6) e do grupo Evoltz, constam de dois boletins elaborados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os documentos são parte do trabalho do Gabinete de Acompanhamento da Situação do Sistema Elétrico Brasileiro, instalado pelo Ministério de Minas e Energia em meio à percepção de ataques ao sistema. Uma torre de transmissão, identificada com o número 114, foi derrubada no município de Medianeira (PR) e outras três estruturas (torres 112, 113 e 115) foram danificadas. O documento da agência ressalta que não foram observadas condições climáticas que pudessem ter causado algum tipo de dano à linha de transmissão e diz que “há indícios de vandalismo”. A ocorrência foi verificada às 0h13 (horário de Brasília) de segunda-feira (9). Em Rondônia, nos municípios de Porto Velho e Ariquemes, a Aneel relata que duas torres foram derrubadas, com “indícios de sabotagem”, segundo o boletim. Apesar dos transtornos provocados pelos danos às linhas de transmissão, não houve interrupção na carga ou distribuição de energia elétrica nessas regiões. As ocorrências, neste caso, ocorreram entre a noite de domingo (8) e a madrugada de segunda-feira. “A Eletronorte informa que após a confirmação da queda da torre 219 e torção das adjacentes (218 e 220) da linha LT 230kV Samuel-Ariquemes circuito 3, seu plano de contingência foi implementado a fim de restabelecer a referida linha de transmissão”, diz um dos boletins. “As ações realizadas até o momento foram: identificação das avarias sofridas pelas torres, mobilização das equipes, equipamentos e ferramental, limpeza das áreas das torres, construção de acessos para os equipamentos e retirada de parte dos acessórios e recuperação do pino central da torre que está caída no solo”, prossegue. Uma fonte ligada à Eletrobras, uma das companhias afetadas pelas ocorrências, confirmou à agência de notícias Reuters atos de vandalismo em linhas de transmissão, mas disse que não é possível saber se o caso seria um “atentado” ou se tem relação com os atos golpistas observados em Brasília no domingo (8). • Onde Investir 2023: evento gratuito traz os melhores especialistas e as melhores estratégias para turbinar seus investimentos. Inscreva-se agora! No caso paranaense, foi derrubada uma torre do Bipolo 2, que transmite energia gerada pela hidrelétrica Itaipu para o Sistema Interligado Nacional. Uma fonte disse que equipes estão sendo deslocadas para o local no Paraná para checar o ocorrido e se houve uso de um trator na derrubada da torre. No caso da Evoltz, a empresa relatou à Aneel “indícios de sabotagem” na queda de sua torre, já que houve corte de dois estais (cabos de aço). Em Rondônia, houve no domingo o desligamento de uma linha de transmissão da Eletronorte da interligação Acre-Rondônia ao Sistema Interligado Nacional. “Imediatamente, a equipe de manutenção foi acionada e a inspeção realizada detectou que o desligamento foi provocado pela queda de uma torre dessa linha, com indícios de sabotagem. A equipe da Eletronorte já está mobilizada para substituição da torre, com previsão de conclusão dos serviços ao longo do próximo dia 11, quarta-feira”, disse a Eletronorte, em nota divulgada na véspera. Para garantir a segurança no fornecimento de energia elétrica nos principais centros urbanos do país, relatório da Aneel indica que Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema (ONS) colocaram em prática medidas emergenciais, em virtude dos ataques. Entre elas, o ONS informou que passou a realizar o envio de energia entre as regiões do país acima dos limites considerados normais. Distribuidoras de energia foram orientadas a reforçar a segurança de suas instalações físicas e também quanto à proteção de dados virtuais. Para informar ocorrência de vandalismo ou ato de sabotagem, as empresas receberam a orientação de manter contato com os órgãos de segurança pública dos estados e informar qualquer ocorrência, além da suspensão do fornecimento de energia de acampamentos de bolsonaristas em todo o país. Procurado pelo InfoMoney, o ONS disse que “está adotando medidas tradicionalmente implementadas em eventos especiais como, por exemplo, Eleições e Copa do Mundo e Olimpíadas”. Sobre as quedas de torres, o órgão informou que as causas estão sendo investigadas, mas lembrou que as condições climáticas desta época do ano tornam esse tipo de evento “normal”. “Ao longo do trabalho de monitoramento, o Operador foi comunicado de quedas de torres, mas nesta época do ano de condições climáticas severas, o incidente pode ser considerado normal. Neste momento, as causas estão sendo investigadas pelos respectivos agentes”, diz em nota. “O ONS segue acompanhando a operação e reitera que não houve impactos no suprimento de energia para a sociedade, permanecendo, na forma habitual, verificando todas as ocorrências”, conclui. (com Reuters)
Brasil tem muito espaço para repotencializar usinas hidrelétricas

Até 2050, a repotenciação de usinas hidrelétricas deve ocorrer em todos os empreendimentos do mundo, segundo EPE A repotenciação de usinas hidrelétricas é uma realidade mundial. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que até 2050 todas as atuais hidrelétricas do mundo deverão passar por esse processo. No Brasil, os últimos estudos da EPE, realizados em 2019, indicavam que, de uma capacidade instalada de 107,8 GW, cerca de 49,9 GW eram de potência passível de repotenciação, distribuídas em 51 usinas hidrelétricas do país. E, com o terceiro maior parque hidráulico do mundo (dados de 2018), o tema da repotenciação é um assunto que interessa a todo o setor elétrico. Mas o que é o processo? De acordo com o Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, a repotenciação e modernização (R&M) é um conjunto de intervenções nos equipamentos hidrogeradores, de automação e de controle, capazes de incorporar técnicas e concepções avançadas de projetos de engenharia que resultem em ganhos de eficiência, energia, capacidade instalada e potência. Para os especialistas, o processo traz benefícios não só para as próprias usinas hidrelétricas, mas também para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Repotenciação das usinas hidrelétricas é eficiente e barata A repotenciação das usinas hidrelétricas foca na melhoria da capacidade produtiva dos equipamentos, cuja estrutura operativa está centrada nas turbinas e nos geradores, ou seja: equipamentos motrizes responsáveis pela geração de energia e que representam o maior custo de investimento de capital do orçamento de um empreendimento. No que se refere às turbinas, destacam-se os desgastes de cavitação, corrosão, erosão, trincas e fatigação, que afetam a performance dos equipamentos nos diversos pontos operativos, ocasionando a redução da produtividade e aumentando o tempo de indisponibilidade de geração das usinas.