25 anos de experiência no mercado de energia

BNDES prepara Letras de Crédito de Desenvolvimento e Energia Renovável para baixar juros e estimular crescimento.

A ideia é captar recursos  no mercado por meio de Letras de Crédito de Desenvolvimento nas áreas de Infraestrutura e Energia Renovável, que seriam bem  mais atraentes do que a CDI, para não ter que depender dos altos juros do Banco Central. E bandas diferenciadas, com juros subsidiados, para renováveis. Segundo a matéria de Jaqueline Mendes, na ISTOE Dinheiro, a equipe do BNDES e Mercadante não tem dúvidas de que, sob a gestão de Campos Neto, o BACEN continuará pressionando investidores a apostar nos juros altos e não no crescimento da economia. E muito menos, na geração de novos empregos.              Mercadante e equipe perceberam que, dentre todos os setores da economia, as energias renováveis, em especial, são das mais prejudicadas pelos altos juros até aqui. Eles perceberam também que se as renováveis crescerem, isso traria consigo quatro consequências altamente favoráveis, mas altamente indesejadas segundo Campos Neto. A primeira consequência “indesejável” seria reduzir o consumo de derivados de petróleo, hoje inteiramente importados dos Estados Unidos através de um “Clube de 462 Amigos” do ex-presidente. O mesmo que teve a brilhante(!) ideia de vender refinarias por metade do seu preço real, reduzindo em 50% a produção das que ainda pertencem à Petrobrás. O segundo efeito “ruim” das energias renováveis seria baixar as tarifas de energia elétrica, pois gerar energia com sol, vento e quedas d’água, é oito vezes mais barato do que a gerar com as termoelétricas, que são movidas com os derivados de petróleo fornecidos pelo “Clube” de importadores, muitos dos quais, donos deste tipo de usinas. A terceira consequência “indesejável” das energias renováveis seria reduzir não só o custo de vida das famílias, mas da produção das indústrias brasileiras, aumentando sua competitividade. E tudo isso, claro, reduziria o desemprego e prejudicaria qualquer plano do ex-presidente Bolsonaro. A quarta consequência “ruim” de baixar os juros para investimentos em sistemas renováveis aqui fabricados, seria a redução a zero das emissões de gases de efeito estufa. E sendo esse compromisso assumido por Lula na ONU e na campanha, Campos Neto faz questão de não permitir realiza-lo, pois traria reconhecimento mundial inaceitável. Os altos juros são, sem dúvida, uma forma “eficiente” de impedir que mais brasileiros participem do setor das renováveis. Por isso, hoje, apenas gigantes internacionais, altamente capacitados, conseguem competir, por captarem a juros muito menores e adquirirem enormes equipamentos importados em enormes quantidades mundiais.  Isso precisa melhorar. Independente de preferências políticas, a reconstrução da nossa economia deve continuar e a sua retomada passa obrigatoriamente pela redução dos custos da geração das renováveis. Não apenas usando o sol e o vento, mas os importantíssimos reservatórios de água doce das hidrelétricas. Pois além de gerarem energia, eles abastecem cidades como Salvador, viabilizam a piscicultura, como em Itaipu, a fruticultura e a produção de alimentos no Nordeste, o transporte fluvial, o turismo e a proteção das matas ciliares. E ainda tem a vantagem de fazer isso tudo também durante a noite e de madrugada. Não só de dia. Não esqueçamos, presidente Mercadante, que toda a cadeia produtiva da indústria de equipamentos de geração hidrelétrica e toda a tecnologia de projeto e construção já é 100% nacional. Embora tenham tentado destrui-la, alegando o combate à corrupção. Mas para ela não desaparecer e com ela, – também a tecnologia que dominamos com décadas de trabalho e investimento – , não pode mais essa fonte continuar a ser discriminada e mesmo, demonizada de forma irracional e aparentemente, tendenciosa. Não esqueçamos ainda, que se as reservas mundiais de lítio, que somam 14 milhões de toneladas, das quais o Brasil tem 8%, fossem transformadas em baterias, do dia para a noite, elas não seriam suficientes para armazenar nem durante apenas 3 segundos a carga de que o mundo inteiro representa para os sistemas de energia elétrica. Pensando de forma estratégica, no Brasil, China, Índia, Congo e Rússia, estão 50% dos potenciais hidrelétricos remanescentes no mundo, ficando o nosso país com 10%. Nem que o informe anual da Agência Internacional de Energia mostra que depois de seis anos de declínio as novas hidrelétricas cresceram em um ano, mais de 18 GW (Itaipu tem 14 GW) em projetos na China, Índia, Laos, Nepal, Vietnam, Turquia e Indonésia. Por isso, não apenas devemos estimular essa indústria de equipamentos de energia renovável hidrelétrica a produzir para o consumo interno, mas sim exportar essa tecnologia, esses serviços e essa produção para o mundo inteiro. Pois parece que depois da corrida ao solar o mundo se deu conta que precisamos de hidrelétricas de noite e de madrugada, se não quisermos depender de termoelétricas fósseis. Não existe razão para que preconceito e a discriminação contra investimentos em geração hidrelétrica, governem o BNDES e o MME, ANEEL, EPE, desde que projetados e realizados segundo critérios de sustentabilidade socioambiental. Importante lembrar que além dos recursos captados no mercado, para financiar novas hidrelétricas, solares, eólicas e usinas a biomassa a juros baixos, devemos adicionar os recursos obtidos com a exportação de petróleo e derivados do velho e dos novos “Pré Sal” de Alagoas, Sergipe e da “Margem Equatorial Brasileira” do Amapá ao Rio Grande do Norte. Isso seria o verdadeiro sonho da humanidade, com o recurso fóssil financiando as fontes renováveis, uma ideia que Gilberto Estrella Ildo Sauer, ex-diretores da Petrobrás, defenderam e praticaram durante vários anos. Sempre foi da criatividade e da necessidade que surgiram os verdadeiros avanços da humanidade. E ambas, nestes tempos amargos e desafiadores estão presentes no Brasil. A questão central é: vamos usá-las ou continuaremos a colecionar derrotas? *engenheiro eletricista, CEO da ENERCONS, ex-CEO da COPEL DIS e da ABRAPCH.

Transmissão pode receber R$ 186 bi até 2032, indica EPE

Valores foram revelados no Caderno do PDE 2032 que trata desse assunto, e não considera ainda os quase R$ 40 bi em potencial investimento pelo final da vida útil regulatória de equipamentos em operação Os investimentos em transmissão de energia no PDE 2032 poderão variar entre R$ 64,7 bilhões a até R$ 185,9 bilhões, considerando os três cenários analisados no estudo. O volume intermediário, nomeado de Referência, somaria R$ 158,3 bilhões. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, que publicou o caderno de transmissão do PDE 2032, a diferença entre os cenários consiste nas instalações ainda sem outorga que somam valores de aportes de R$ 121,9 bilhões. E ainda, esse montante não contempla os investimentos potenciais associados aos ativos em final de vida útil. “O cenário de referência considera cerca de 77% das obras sem outorga representadas no cenário otimista. Cabe destacar que esse cenário foi estabelecido a partir de análises elétricas que poderão ser atualizadas durante o ano de 2023”, aponta a EPE. A EPE lembra que o conjunto de obras recomendadas pelos estudos já publicados somam aproximadamente R$ 50 bilhões de investimentos necessários, envolvendo cerca de 15 mil km de novas linhas de transmissão (expansão de aproximadamente 8% da extensão total de linhas de transmissão previstas para dez/2022) e 16 novas subestações. Essas obras deverão entrar em operação no período 2028 e 2029, a depender da programação de leilões de transmissão para os próximos anos. Esses ativos planejados estão em linha com a estimativa apontada pela EPE de que haja uma expansão de 34 GW com pareceres de acesso até 2025 entre as fontes eólica e solar. Esse volume é representado por 19 GW em operação, 6 GW contratados em leilões e há mais 9 GW com parecer de acesso e CUST assinado no mercado livre. E para o pós 2025 estão os maiores montantes de expansão das fontes de geração que devem liderar a geração na década. Os números são de até 38 GW em nova capacidade em 2033 que alcançam 72 GW em capacidade instalada no Cenário Superior. No Cenário de Referência os volumes são menores, estão em 23 GW de expansão somando mais 57 GW em potência instalada ao final do horizonte do estudo. A EPE indica no caderno que o LCOE médio (taxa de desconto de 8%) de usinas eólicas ou solares, mais presentes no Norte/Nordeste, acrescidos dos custos nivelados da expansão da transmissão (de cerca de R$ 15/MWh) ainda se apresentam competitivos quando comparados com os LCOE médios de usinas a biomassa, termelétricas a gás natural ou PCH, mais comuns no Sudeste/Centro-Oeste. E argumenta que os investimentos necessários para a expansão do sistema propiciarão um fornecimento de energia elétrica mais competitiva ao SIN, ao proporcionar o acesso de novos empreendimentos de geração de energia, de baixo custo, à rede elétrica. Sobre as interligações, a previsão do primeiro linhão que poderá ser em corrente contínua é para o segundo semestre de 2023, saindo de uma região entre o centro do Rio Grande do Norte a até o sul do Ceará. Sua chegada engloba uma área mais ampla que vai desde o norte de Santa Catarina até o centro sul de Minas Gerais, incluindo quase o estado de São Paulo todo. Já para um segundo bipolo a perspectiva de capacidade de exportação de energia do Nordeste aumentará 173%, para 30 mil MW quando comparado aos atuais 11 mil MW de janeiro de 2022. Somando a capacidade do Norte para o Sul do país essa exportação dos dois submercados para onde está a carga no país chegará até 34 mil MW. Os ativos em final de vida útil podem somar aportes de R$ R$ 37,6 bilhões nos próximos 10 anos e mais R$ 18,3 bilhões no horizonte a partir de 2033 e estão relacionados ao final da vida útil regulatória dos equipamentos. “Um desafio a ser enfrentado pelo planejamento da transmissão consiste no envelhecimento do sistema de transmissão brasileiro, realidade que tende a se tornar mais crítica nos próximos anos. Há que assegurar a substituição racional da infraestrutura do sistema elétrico em fim de vida útil de modo que a malha de transmissão possa operar com os níveis de confiabilidade e qualidadeexigidos pela sociedade”, finaliza o planejador.

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