25 anos de experiência no mercado de energia

Mais hidrelétricas, inclusive de pequeno porte, para permitir o crescimento da energia solar.

Para poder crescer no Brasil e ser ambientalmente vantajosa, a energia solar precisa deixar de depender de usinas termelétricas fósseis para à noite compensar a falta de novas hidrelétricas. Ivo Pugnaloni* Alegando “falta de recursos” para investir em algo tão essencial como a energia, o governo Sarney proibiu as empresas estatais de fazer qualquer investimento em hidrelétricas a partir de 1997, provocando o apagão de 2001. Com isso, o Governo Sarney abriu mercado para que famílias Sarney, Suarez, Bertin e Batista construíssem novas termelétricas fósseis, vendendo essa energia aos consumidores representados pela ANEEL, por preços oito vezes mais caros por quilowatt-hora do que as hidrelétricas. Essa coincidência causou aumento de 400% da participação das fumacentas usinas na capacidade do nosso sistema, fazendo com que as indústrias e todos os consumidores passássemos a pagar a segunda energia mais cara do mundo, perdendo só para a Alemanha.  E isso, por ironia muito grande, apesar de mais de 10% de todo o potencial hidrelétrico remanescente no mundo estar no Brasil. Para podermos ser enganados a esse ponto, alguém pagou uma bem orquestrada campanha de marketing negativo contra as hidrelétricas, inclusive com famosos artistas de novela, nas quais as usinas de Itaipu e de Balbina e não seus dirigentes, foram acusadas de terem provocado, o despejo ilegal e violento de 70 mil agricultores e indígenas no Brasil de suas terras. Uma perfeita “fake new”, que usou o fato verdadeiro da violência dos generais contra a população atingida, para chegar a uma conclusão mentirosa que “culpou” todas as hidrelétricas pelas barbaridades cometidas pelos responsáveis pela construção. E não pela própria Itaipu, a usina. As muitas vantagens socioambientais das hidrelétricas. No mundo todo, menos no confuso Brasil de hoje, as hidrelétricas são consideradas a forma mais limpa, renovável e barata de gerar energia de forma permanente, durante as 24 horas do dia. Seus reservatórios armazenam, – para ser usada à noite -, a energia que a fonte solar, deixa de gerar durante 16 horas, de noite e da madrugada. As hidrelétricas são uma verdadeira bateria natural, feita de água, não de lítio, mineral raro que para produzir-se com ele uma bateria de carro elétrico com 12,5 kg de lítio puro, precisamos escavar e processar 500 toneladas de minério. Tudo isso, com enorme emissão de gases e particulados provenientes dos motores dos tratores, escavadeiras, caminhões, trens e navios. E claro, baterias que, se produzidas na China, irão usar energia elétrica que depende 80% de carvão. Os reservatórios de água doce das hidrelétricas, se forem construídos adequadamente, considerando os direitos dos povos ribeirinhos e indígenas e respeitando o uso múltiplo dos recursos hídricos, podem ter efeito positivo, como na rápida evolução do IDH onde foram construídos. Esses lagos servem para reservar água doce, algo cada vez mais raro. Geram empregos, receita e tributos com piscicultura, fruticultura, turismo e comercio. O reservatório da usina Pedra do Cavalo por exemplo, garante o abastecimento da região metropolitana de Salvador, mitigando os efeitos das enchentes e das secas. O Lago do Paranoá, em Brasília é o reservatório da hidrelétrica de mesmo nome, e melhorou o nível de umidade do ar, trazendo lazer e turismo. A frieza dos números: depois das 17 horas, 30% do sistema que será solar, deixará de gerar. As 1446 hidrelétricas do Brasil, grandes e pequenas, tem a capacidade de gerar 103,2 GW (gigawatts) ou 56,78% do total instalado que é de 197 GW. Já as eólicas têm 55,5 GW ou 14%, e as solares têm 10,4 GW ou 5,3% em usinas centralizadas. O problema é que se somarmos as solares centralizadas com as solares de pequeno porte que já foram compradas mas não instaladas nos telhados, a fonte solar atingirá 154 GW máximos (ao meio dia), que equivalem a 30,1 GW firmes durante as 8 horas do dia. Isso quer dizer que de uma hora para a outra um enorme potencial de 30% da nossa demanda total que é de 100 GW, vai simplesmente desaparecer! Ou seja: por volta das 17 horas, nosso sistema deixará de gerar esses 30%. Mas então quem será que vai gerar toda essa energia que durante o dia é solar, mas de noite e de madrugada não existe? Nem quando estiver nublado ou chover? Ora, as termoelétricas das famílias felizardas que conseguiram brecar a construção de novas hidrelétricas no Brasil! É nesse ponto que os proprietários de quedas d’água, tem agora mais um motivo para se alegrar, pois se não existirem novas hidrelétricas, mesmo pequenas, terão que ser obrigatoriamente as usinas térmicas fósseis, que geram por preços oito vezes mais caras que precisarão operar para o Brasil não ter um novo apagão. Percebem a oportunidade? Reserva de mercado. Falta de concorrência. Favorecimento. A julgar pelo que está nos acórdãos 0489/08, 2.164/08, 1.196/10 e 1.171/14 do Tribunal de Contas da União (ver links) é isso mesmo o que aconteceu e ainda acontece. E ainda mais grave, fica patente o não atendimento a determinação do TCU, o não cumprimento da Constituição e das leis que estabeleceram a obrigação do aproveitamento ótimo dos potenciais hidrelétricos de propriedade da União Federal. Mas existem potenciais da União disponíveis para serem aproveitados? Sim e muitos. Até janeiro de 2019, quando foi tirado do ar, o sistema SIPOT com os locais de milhares desses potenciais já somava um total de 135 GW de potenciais hidrelétricos remanescentes, disponíveis, considerando apenas aqueles acima de 5 MW (até 60 milhões de investimento). Abaixo de 5 MW a lei estabelece que os potenciais não são da União mas dos proprietários das margens. O povo brasileiro não pode continuar a ser mantido na ignorância sobre as suas riquezas e impedido de aproveitá-las por ignorar suas vantagens. Os reservatórios das hidrelétricas são úteis para o combate às enchentes e às secas, além de protegerem os rios contra a poluição e ocupação irregular das margens. Até mesmo as comunidades indígenas, podem ser beneficiadas pelas hidrelétricas de qualquer tamanho, tal como a solução dada pelos projetistas da pequena hidrelétrica Sacre II, adotada pela tribo dos Haleti-Paresis em

UMA ITAIPU DE POLUIÇÃO, ENERGIA CARA E AQUECIMENTO GLOBAL DE QUEM SERÁ A CULPA PELO ENORME CRESCIMENTO DA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA ATRAVÉS DE COMBUSTIVEIS FÓSSEIS NO BRASIL?

O Plano Decenal de Energia, colocado em consulta publica um dia antes da véspera do Natal, determina que sejam construídas novas 81 usinas térmicas com capacidade total de 13.600 MW até 2017. Se forem mesmo construídas elas representarão quase uma usina de Itaipu inteira, alimentada com derivados de petróleo e outras fontes fósseis, triplicando as emissões de CO2 do setor elétrico brasileiro. Tentando justificar essa “Itaipu de Poluição”, os responsáveis põem a culpa no setor ambiental e no Ministério Público, que entravariam novas hidroelétricas. As usinas serão construídas junto às cargas, ou seja, dentro de muitas das principais cidades brasileiras. Especialistas independentes têm outra opinião. Eles dizem que os parâmetros arbitrados nas fórmulas usadas nos editais de leilão de compra de energia favoreceriam às termoelétricas em detrimento das usinas hidroelétricas, eólicas e movidas a biomassa.  Apontam também a ineficiência da ANEEL em fiscalizar o retardo intencional e a não-construção de empreendimentos hidráulicos já autorizados que estariam sendo vendidos num autêntico “mercado negro” de autorizações de geração. Culpam também o fato da ANEEL ter um pequeno número de técnicos (apenas doze) para analisar mais de 37.000 MW de novos inventários e projetos de geração hidroelétrica que foram entregues à agência nos últimos cinco anos. Os especialistas também se indagam se o Presidente Lula não gostaria de conhecer uma versão diferente dessas idéias “oficiais” e muito estranhas de comprarmos 81 novas termoelétricas. E também se não seria útil ao presidente dispor de outras alternativas, para quando tiver que tentar convencer, por exemplo, ao presidente Barack Obama, que aqui no Brasil, ao contrário do que ocorre no mundo inteiro, as “eólicas não funcionam” e que nos próximos anos estaremos muito ocupados, construindo uma nova estatal, a IPP ou “Itaipu de Petróleo e Poluição”. E dizem que já pediram uma audiência ao Presidente Lula, para o caso dele estar interessado em conversar sobre o assunto. Quem terá a razão?  06/01/2009 Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni  engenheiro eletricista, ex-diretor da Companhia Paranaense de Energia – COPEL, atual diretor da ENERCONS Consultoria em Energia Ltda.  O fato. 1. Temos potencial hidráulico de sobra. Mas nos leilões da ANEEL e da EPE, há mais de 3 anos quase que só se compra energia de fonte fóssil. Segundo a ELETROBRÁS, o Brasil possui um potencial hidráulico inventariado e ainda não aproveitado, de quase 200 mil  MW. Mais de 14 vezes a potência de Itaipu. Mais de 2,5 vezes toda a potência instalada que temos hoje, de fonte hidráulica, que é de 77 mil MW. Infelizmente porém, a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica e a EPE – Empresa de planejamento Energético (que promovem os leilões de energia em nome do Governo Federal) compraram até hoje, menos de 15% de energia de fonte hidráulica. A maior parte, 75 %, foram comprados de empreendimentos movidos a carvão, óleo diesel e óleo combustível. Comprovando esse verdadeiro absurdo, dados do ONS – Operador Nacional do Sistema, mostram que ocorreu um espantoso crescimento de 58% na produção de energia de origem termoelétrica que passou de 1401 GWh/ano entre 1998 e 2002 para 2261 GWh/ano entre 2003 e 2007. E o mais grave: o Novo Plano Decenal de Energia Elétrica colocado para consulta pública pela EPE por trinta dias a partir de 23 de dezembro, prevê que, nos próximos nove anos deveremos comprar mais 13.685 MW ( quase uma Itaipu, que tem 14.000 MW ) desse tipo de fonte.  No Brasil, temos energia hidroelétrica abundante. O “combustível” agora é limpo, quase gratuito e pode ser usado muitas vezes em várias hidroelétricas ao longo de um rio. Se compararmos nossa matriz energética com a dos Estados Unidos, as nossas grandes vantagens competitivas são evidentes. Não seria nada estranho, portanto, se nossas tantas empresas fossem inferiores às dos consumidores norte americanos. Mas como se verá a seguir, dá-se, inexplicavelmente o contrário… Gráfico 2 – Matriz Energética dos Setores Elétricos Fonte: ANEEL/ OCDE As conseqüências. 2. Os impactos sobre as tarifas e o ambiente. A perda de competitividade da indústria brasileira, a geração de “Débitos de Carbono” e a chuva ácida. Relatório de 2007 da Agência Internacional de Energia, vinculada à OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, mostra que, o industrial brasileiro paga em média 10,5 cents por kWh, enquanto que seu concorrente, norte-americano paga 5,5 cents por kWh, sem considerar os impostos. Segundo o mesmo trabalho, entre os primeiros 20 países mais desenvolvidos do mundo, a tarifa média da  energia elétrica para a industria no Brasil é a segunda maior, só perdendo para a da Itália.   Gráfico 3 – Tarifas para o setor industrial                                                                                   Isso ocorre, embora o Brasil tenha 77% de sua matriz de energia elétrica produzida de fonte hidráulica, que usa água gratuita, enquanto nos E,stados Unidos a matriz seja 70 % de fonte fóssil. O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, aponta essa situação absurda como um risco concreto de perda de competitividade para a indústria nacional.  Em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara em 2007, ele apresentou dados da Associação Brasileira dos Consumidores de Energia que mostram que de 2001 a 2006 a tarifa cobrada das indústrias subiu de R$ 82 por megawatt-hora (MWh) para R$ 206 por MWh.   Sobre os efeitos ambientais dessa contratação recomendada no Plano Decenal da EPE, um artigo de Daniel Rittner, publicado em 06.01.08 no Valor Econômico mostra que com essa “Itaipu de Poluição”, iremos triplicar a quantidade de gases de efeito estufa produzidos pelo setor elétrico brasileiro. Um retrocesso difícil de explicar,  pois as 81 novas usinas térmicas sujarão nosso ar com 40 milhões de toneladas de CO2 ao ano em 2017 . Ou seja, 172% a mais do que em 2008.  “O plano está em contradição com as metas internas de redução do desmatamento”, afirma a senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, referindo-se a um dos objetivos do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado em dezembro”.  Para a ex-ministra, a área ambiental não pode servir de “bode expiatório” para o aumento

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