25 anos de experiência no mercado de energia

Se está sobrando energia, porque a conta de luz é tão cara?

Ivo Pugnaloni* 07.03.24 No Brasil de hoje, por falta de planejamento, para podermos utilizar energia solar e eólica, estamos sendo obrigados a fazer as hidrelétricas a jogarem fora preciosa água doce dos seus reservatórios de dia, para de noite ligarmos usinas termelétricas, movidas a carvão, gás e petróleo. Isso se deve a não termos construído mais hidrelétricas e mais reservatórios para guardar toda essa água. Mas como isso ocorreu? Falta de recursos, ou falta de vontade de olho em outros interesses? Para entender melhor o caso, basta dizer que a “termificação” ocorrida na matriz de energia elétrica brasileira é um caso único no mundo, pois essa fonte cresceu 400% em capacidade, entre 1995 e 2022. Na sua corrida para o sucesso, turbinado pelos governos federais a energia termelétrica perdeu apenas para os bitcoins, o tráfico de drogas e as empresas de tecnologia. Se depender do Plano Decenal de Expansão de Energia esse valor astronômico chegará a 540%. Um verdadeiro “case” de sucesso em como iludir 215 milhões de pessoas, vários governos, partidos de situação e de oposição, usando artistas globais para gravar depoimentos e dinheiro de embaixadas  de países que já usaram quase todo seu potencial hidrelétrico. Mas são contra a construção de hidrelétricas no Brasil E ainda por cima, aumentando 5,4 vezes a capacidade e as emissões dizendo que se estamos fazendo uma “transição energética”. Uma transição estranha, que transita da água para o petróleo caro, importado e poluente, graças à falta de planejamento, uma utopia, pois quando o estado diz que não planejará, quem planejará será a “Mão Invisível do Mercado”. Ou seja, as grandes famílias da política. Se continuarmos a combinar mal as fontes permanentes e intermitentes, só para aumentar o lucro das distribuidoras e dos donos de centrais termoelétricas, a nossa indústria nunca mais será competitiva. Fotos de vertedouros jogando água fora hoje em dia podem ser sinal de mau planejamento no uso de energia renovável porque se não for água, de noite será petróleo e gás. Nesse artigo o leitor encontrará como esse assalto vem ocorrendo silenciosamente nos últimos quarenta anos sem que a sociedade fosse informada de coisa alguma, ou de muito pouco, num setor que é complicado de se entender. O artigo conta alguns dos erros propositais que nos levaram a essa situação. Dentre os quais o maior de todos, foi desumanizar e tentar intimidar povos indígenas que poderiam ser aliados históricos, na construção de hidrelétricas sustentáveis. Mas que se tornaram adversários graças a estultices como a cometida pela EPE ao solicitar 200 homens fortemente armados da Força de Segurança Nacional para ameaçar as lideranças locais durante as “negociações” para fazer os levantamentos de campo. Hidrelétricas ambientalmente sustentáveis seriam um exemplo que poderíamos ter dado ao mundo e não demos, como o leitor verá no “Documentário Haleti-Paresis” sobre pequena hidrelétrica SACRE II no Mato Grosso. O leitor também poderá encontrar informações no relatório “Exemplos de Casos de Geração Hidrelétrica em Parceria com Povos Aborígenes”  nos quais os povos indígenas não apenas participam da elaboração dos estudos e projetos, mas da sua receita. Eles tornaram-se sócios e depois proprietários de várias delas. Tudo sem perder seus costumes e fortalecendo a sua identidade, exatamente por subsistirem da natureza da qual as águas fazem parte, por possuírem vida digna, recursos próprios, sendo soberanos de suas riquezas. Se os responsáveis pelos inventários energéticos, tivessem respeitado como cidadãos brasileiros os direitos dos Mundurukus, obedecendo ao Decreto 5051/04, que obrigava ao cumprimento da Convenção 169 da OIT, os povos indígenas, não teriam reagido como reagiram. Se o governo federal todo obedecesse ao Decreto acima, assinado pelo presidente da república, não teria havido aquela revolta, pois as medidas compensatórias deveriam prever não apenas a justa compensação indenizatória, mas de manutenção do modo de vida daquelas populações, Pessoas em nome do governo, terminaram criando  uma animosidade desnecessária, ajudando os interessados em impedir o desenvolvimento do Brasil  a “demonizarem” as hidrelétricas, usando a tática de “desumanizar” os indígenas e ribeirinhos, de propósito. Tudo, isso, aparentemente alinhado com o projeto de “termificação” de 400% que estava para acontecer. Uma jogada de marketing reverso na qual, colocar a culpa nos indígenas, era a fórmula perfeita para justificar que, tendo sido impedidos de construir 70 hidrelétricas de vários portes, seria preciso instalar mais e mais termoelétricas de propriedade de algumas famílias importantes..  Agora em diante, se a economia crescer como todos esperamos, a situação criada com essa ilusão de “fartura” de energia pode surpreender a todos com um novo tipo de “apagão”, em forma de preços absurdos, como na Alemanha ou em falhas sistêmicas nacionais pela parada repentina de fontes eólicas. Energia é indispensável para a vida humana. Não pode ser algo sujeito a chuvas e trovoadas. O número de hidrelétricas e a capacidade de reservação não podem deixar de crescer com a população e o consumo, tanto de água quanto de energia. Pois afinal a distribuição de água numa cidade é totalmente dependente de energia elétrica. Por essa razão, energia elétrica não pode ser assunto discutido apenas entre burocratas, donos de distribuidoras e de termelétricas, mas na Primeira Conferência Nacional de Energia Elétrica, promovida pelo governo federal, como suas equivalentes para a Saúde, a Educação, o Meio Ambiente, sendo precedida por etapas municipais e estaduais Apagões por falta de precaução das autoridades. Outra vez? Vertedouros servindo como espetáculo cênico são na verdade provas de gigantescos erros de planejamento, que nos levam a queimar cada vez mais carvão, gás e petróleo, importados, para gerar com termelétricas à noite em vez usar água, pois vento e sol não podem ser armazenados.  “Tem energia sobrando” foi a mesma coisa que alegou FHC quando disse que não ia investir em geração hidrelétrica e mandou construir uma “nova Itaipu termelétrica” com 14 GW de energia 10 vezes mais cara, 60 vezes mais poluente e 100% importada. Isso devido à teimosia do presidente que mandou às favas os avisos da indústria e da academia. E perdeu as eleições por causa disso. E deu no que deu: em 2001 tivemos

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