Reservatórios como os das hidrelétricas podem reduzir velocidade de escoamento, recarregando as reservas subterrâneas de água e reduzindo efeitos das enchentes.

Enchente nos Pampas Seca na Amazônia Ivo Pugnaloni* Em 9 de fevereiro passado publiquei um artigo sobre pesquisa da Universidade da California que estudou mais de 170 mil poços em 40 países e encontrou dados alarmantes sobre o rebaixamento do nível das reservas de água subterrânea em todos os continentes. Entre as possíveis causas, o aumento da velocidade de escoamento das águas das chuvas, devido ao desenfreado aumento das monoculturas de alimentos, implantada com a derrubada completa das matas, não apenas ciliares, mas da vegetação original de todas as áreas. Menos de 3 meses depois, uma catástrofe cataclísmica ocorre nos Pampas Brasileiros enquanto uma catástrofe menos “fotogênica” para os padrões da imprensa corporativa, ocorre na Amazônia. Nos dois casos, não precisa ser engenheiro agrônomo, nem eletricista, civil, nem economista, nem sociólogo, nem de esquerda ou direita para concluir que há muita burrice sendo feita em todos os cantos do planeta. E isso está sendo feito a nível mundial tanto em nome do “conceito do politicamente correto”, como contra esse conceito, pela estupidez da negação da ciência em tudo por parte dos ignorantes que, pelas redes sociais passaram a orgulhar-se da própria ignorância. E “simpricidade”. A Catástrofe que poderia ter sido evitada No caso das enchentes no Rio Grande do Sul, o exemplo é mais claro: o presidente passado fiel ao seu credo de extrema direita, mas que também agrada á direita dita “civilizada”, deixou no Orçamento da União para 2024, apenas incríveis 26 mil reais na rubrica “atendimento de desastres naturais”. Mas gastou, apenas com os cartões corporativos da presidência espantosos 45 milhões de reais em quatro anos. Incluídos aí, milhares de litros de gasolina e cerveja para animar motociatas e passeios de jet sky para agradar os que são crentes de sua origem divina e messiânica. Enquanto isso várias regiões e cidades do mundo, como as do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo usam em mormente em áreas urbanas, reservatórios de amortecimento de cheias com eficiência comprovada, mas ainda muito pouco projetados e construídos. Principalmente nas zonas rurais. Isso prova que a falta de novas usinas hidrelétricas com reservatórios não apenas provoca o encarecimento da energia, mas deixa regiões inteiras à mercê de inundações que estão previstas há anos. Mas não apenas reservatórios de hidrelétricas, mas de água para abastecimento de cidades, produção de pescado, para uso em irrigação com água de superfície e não das reservas subterrâneas no plantio de cereais. O papel das “demoníacas” hidrelétricas nas estiagens e nas enchentes “Demonizadas” no Brasil pelos que usam o “politicamente correto” de forma muitíssimo incorreta, as usinas hidrelétricas, quando deixam de ser construídas num local apropriado são substituídas por termelétricas pertencentes a grupos econômicos familiares que monopolizaram a produção de energia durante as estiagens. Afinal um dos dois tipos precisa ser usado quando a energia solar acaba às 18 hs: ou as hidrelétricas, que usam água corrente ou as termoelétricas, que queimam e destroem combustíveis fósseis poluentes, caros e importadas e produzem energia 10 vezes mais cara do que as primeiras. Para entender o papel das “hidros” basta pensar na quantidade de água doce que caiu em forma de chuvas durante 135 anos que elas existem no Brasil e foi retida por mais tempo sem aumentar os caudais descontrolados, que foram provocados pelo desmatamento irracional em busca do lucro máximo dos negócios agrícolas. Quantos quintilhões de metros cúbicos de água caídas dos céus de forma torrencial, terão ido descansar tranquilos, domados, no fundo dos reservatórios das hidrelétricas e dos sistemas de abastecimento das cidades? E mais ainda: quanta água, nesse momento em que você lê esse artigo está percolando silenciosamente, pelo meio da argila, do arenito, do calcáreo, do próprio basalto e do diabásio, sendo assim purificada, para só então descer e ir descansar por milênios nos limpíssimos reservatórios subterrâneos dos aquíferos Guarani, As hidrelétricas, tão combatidas, ainda iriam nos permitir gerar energia elétrica à noite para complementar a energia solar e eólica que não funcionam nesse longo período de 16 horas, hoje produzida por termelétricas fósseis poluentes e 10 vezes mais caras. As hidrelétricas pequenas, micro, mini, médias e grandes, nos permitem abastecer cidades, criar muito pescado, irrigar a agricultura com métodos muito mais eficientes e baratos do que o custoso pivô central, grande consumidor de energia. Ao contrário do que afirmam os que criticam as hidrelétricas para estimular o investimento em outras fontes, a construção de novos reservatórios é extremamente benéfica a todas as fontes renováveis pois serve de bateria natural para elas além de fazer muito bem ao ambiente e às pessoas, por várias razões,mostradas aqui. O individualismo mata. O esforço coletivo preserva. Reduzir a velocidade de escoamento superficial da água numa vasta região plana como o Pampa não é um sonho impossível. Basta usar ao mesmo tempo a ciência, a engenharia, a técnica e acima de tudo, grande dose de interesse público, de senso de coletividade. Se a vegetação original for removida, a velocidade de escoamento vai aumentar, pois menos água será absorvida para descer ao subsolo, formar arbustos, gramíneas e árvores adaptadas há bilhões de anos naquela terra. Ao contrário do que pensam os que não gostam de pensar muito, as hidrelétricas não são culpadas por enchentes, se forem bem construídas. É exatamente o contrário, pois se não fossem as poucas hidrelétricas implantadas no Rio Grande do Sul, o recurso hídrico nelas contido estaria correndo direto para o Oceano Atlântico, com ainda mais velocidade, fora de qualquer possibilidade, mesmo mínima, de controle. Sem haver obrigação de que os governos estaduais usem maior rigor científico ao licenciar ambientalmente o uso da terra arável, tudo isso vai se repetir, várias vezes a cada 11 ou 13 anos. Pois é isso o que mostram as séries históricas das afluências em cada uma das 1.960 estações fluviométricas (medem níveis e/ou vazões de rios) e 2.840 estações pluviométricas (medem chuvas). existentes no Brasil. Deveria a lei prever que cada porção de terra desmatada desde o início da ocupação original de