Reservatórios de regularização estocam água quando sobra e usam quando falta.

Jerson Kelman Engenheiro, foi professor da Coppe-UFRJ e dirigente de ANA, Aneel, Light, Enersul e Sabesp Aumento da frequência e da intensidade de secas e cheias deve ser enfrentado com ‘ação adaptativa’ Como engenheiro com formação em hidrologia, estive envolvido em diversas crises hídricas, inclusive a energética, causada pelo esvaziamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas, em 2001, e a de abastecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em 2015. Por isso não me surpreendi quando fui procurado por alguns jornalistas que, motivados pela atual seca que ocorre na maior parte do Brasil, queriam saber sobre perspectivas de colapsos ainda em 2024 —tanto de abastecimento de água quanto de suprimento de energia elétrica. Respondi que, como todos sabem, alguns dramas já estão ocorrendo. Por exemplo, incêndios florestais e colapso da navegação em rios da região Norte, com interrupção do fluxo de pessoas e de mercadorias. E que certamente outros problemas localizados surgirão ainda em 2024, antes do final da estação seca. Porém, não prevejo dificuldades de abastecimento de água na RMSP e de abastecimento de energia elétrica em todo o país, porque ainda há suficiente água nos reservatórios, construídos décadas atrás. Completei a resposta explicando que as usinas térmicas estão sendo acionadas não por falta de água nas hidrelétricas, como ocorria no passado, e sim para atender o pico de carga no final da tarde, quando as placas fotovoltaicas param de produzir e o consumo de eletricidade aumenta. Ou seja, em 2024 as térmicas atendem a uma necessidade de potência (produção instantânea), não de energia (produção média), diferentemente do que ocorreu em 2001 e 2021. Nos últimos anos, a construção de novos reservatórios tem sido obstaculizada devido aos impactos locais, em geral deletérios, tanto os ambientais (por exemplo, corte de vegetação) quanto os sociais (por exemplo, reassentamento das famílias que vivem na área a ser alagada). São objeções às vezes intransponíveis. Porém há casos em que as entidades de licenciamento decidiriam diferentemente se considerassem não apenas os efeitos locais mas também a segurança hídrica de grandes aglomerados urbanos, como a RMSP, e a segurança energética de todo o país. Ou se, inspirados na recente catástrofe que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, incluíssem na análise o papel dos reservatórios no amortecimento de cheias pelo efeito da estocagem temporária do excesso de água. No livro “Climate Future: Averting and Adapting to Climate Change”, Robert Pindyck argumenta que limitar o aumento de temperatura em 1,5ºC ou 2ºC em relação ao período pré-industrial significa monumental esforço econômico, muito difícil de ser alcançado. Ele defende que não basta envidar esforços para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. É preciso também que se ponham em prática iniciativas “adaptativas” para proteger as populações vulneráveis das consequências das mudanças climáticas. O aumento da frequência e da intensidade das secas e cheias deve ser enfrentado, como a humanidade tem feito há milênios, com a “ação adaptativa” de construir barragens com reservatórios de regularização para estocar água quando sobra e usá-la quando falta. Porém, antes disso, será necessário adotar uma metodologia de licenciamento ambiental com uma visão mais holística do que a atual. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.
O que é o tijolo solar e como ele funciona?

A construção civil está sempre passando por constante inovação para atender bem todas as necessidades da sociedade – e com as mudanças climáticas, mais do que nunca, minimizando o impacto do homem sobre a natureza. Uma das invenções mais intrigantes para obras de engenharia é o tijolo solar, capaz de gerar energia limpa. Essa tecnologia deve transformar a forma como erguemos edifícios e consumimos energia, criando um ambiente urbano mais sustentável. Saiba neste artigo do Engenharia 360! O que é um tijolo solar Antes de tudo, vale destacar que a utilização de energia solar não é necessariamente uma novidade na construção civil. Na verdade, desde a década de 1970, os painéis solares vêm sendo aprimorados, se tornando cada vez mais populares. Mas os custos de sua instalação e manutenção ainda permanecem sendo um problema. Então, os tijolos solares surgem como uma alternativa mais viável, permitindo geração de energia não nos telhados, mas nas paredes das edificações. Podemos citar neste ponto do artigo os blocos de vidro Solar Squares, com camada de células fotovoltaicas e alto potencial de maximizar a eficiência da conversão de luz solar em eletricidade. Esse modelo de tijolo solar foi desenvolvido especialmente para poder ajudar a erguer edifícios, substituindo os tijolos comuns – inclusive melhorando a estética dos edifícios, tornando-os mais modernos e eficientes. Como funcionam os tijolos solares Os tijolos solares são, em tese, muito mais fáceis de serem instalados e adaptados às arquiteturas, posicionados verticalmente – pode-se dizer que são uma solução mais estética e funcional para a geração de energia. Graças à sua tecnologia óptica inteligente, é possível gerar energia mesmo em condições de luz difusa (quando a luz solar é mesmo direta). A abordagem desse objeto funciona assim: um conjunto de dispositivos ópticos, como lentes e espelhos, concentra e direciona os raios de luz para as células solares integradas, aumentando a eficiência na geração de energia. Desse modo, os tijolos solares poderiam ser utilizados em uma ampla variedade não só de condições climáticas e de iluminação, mas ângulos de incidência solar. Essa característica é especialmente favorável em áreas urbanas densamente povoadas, onde a luz solar direta é mais limitada. Exemplos de uso Os tijolos solares podem ser usados tanto em novas construções quanto em reformas, integrados ao projeto de Engenharia Civil. Em alimentação instantânea de equipamentos elétricos. E em conjunto com sistemas de armazenamento de energia para uso posterior. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.
A Eletrobras, gigante do setor elétrico, acaba de lançar novos processos seletivos para preencher 23 vagas espalhadas por diversas regiões do Brasil

Eletrobras abre novos processos seletivos para preencher 23 vagas; veja cargos A Eletrobras está com uma novidade quente para quem está de olho no mercado de trabalho: a empresa, que foi privatizada em 2022, abriu novos processos seletivos para preencher 23 vagas. Esses processos seletivos estão distribuídos por praticamente todo o Brasil e oferecem oportunidades tanto para quem tem nível médio/técnico quanto superior. E olha que as vagas são bem variadas, viu? Tem para advogado, analista de assuntos regulatórios, comprador, técnico de edificações, entre outras. Essas contratações na Eletrobras não são apenas temporárias, não! São posições efetivas, com regime CLT, o que dá uma segurança a mais pra quem for selecionado. E o pacote de benefícios? É completíssimo! Além do tradicional vale-transporte e auxílio-alimentação/refeição, os aprovados ainda têm direito a previdência complementar, plano de saúde, plano odontológico e até auxílio-creche e pré-escola para os filhos até seis anos. Para onde as vagas nos novos processos seletivos da Eletrobras? Os cargos oferecidos estão espalhados em diversas subsidiárias da Eletrobras e podem ser encontrados em estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Pará, Maranhão, Ceará, entre muitos outros. Isso significa que tem vaga pra todo mundo, de norte a sul do país. Se inscreva Se você ficou interessado em participar dos novos processos seletivos da Eletrobras, é só acessar a página de recrutamento da empresa e cadastrar o seu currículo [SITE DE CARREIRAS DA ELETROBRAS]. Mas fique esperto, porque o período de inscrições pode variar de acordo com o cargo, e as vagas podem ser preenchidas rapidamente. Desde a privatização em 2022, a Eletrobras não realiza mais concursos públicos, o que mudou bastante o formato das seleções, que agora seguem o padrão das empresas privadas. A Eletrobras também destacou que essa nova forma de recrutamento está alinhada com um compromisso maior com a diversidade, reforçando a importância de ter uma equipe variada e inclusiva, pronta para construir o futuro da empresa e da sociedade. Então, se você busca uma carreira sólida, com crescimento e desafios, essa pode ser a sua chance de entrar em uma das maiores empresas do setor elétrico do Brasil.
Aneel autoriza cinco projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas em Minas

Agência publicou os despachos que permitem o andamento do licenciamento ambiental das usinas A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) habilitou cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em Minas Gerais a avançarem nos processos de licenciamento ambiental. Os despachos foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (16). A medida registra a adequabilidade dos projetos com os Estudos de Inventário e com o uso do potencial hidráulico (DRS-PCH), a partir da simplificação dos procedimentos de análise por parte da agência governamental. Agora, os empreendedores das PCHs de Tombo, de Fábio Botelho Notini, de Figueirinha II, de Caldas Capivari e de Barra do Jaguari poderão solicitar o licenciamento ambiental junto aos órgãos competentes. A agência afirma que a agilidade dos processos de análise dos projetos básicos pretende estimular a competitividade desta fonte de geração. O consultor de mercado e energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, aponta que a simplificação da Aneel corrige uma injustiça com as hidrelétricas em relação a outras fontes renováveis de geração de energia elétrica, como usinas eólicas e solares, com processos de licenciamento ambiental mais facilitado. “Realmente havia um desequilíbrio em questão de autorizações. Uma usina solar consegue ter uma autorização de 6 a 8 meses, enquanto uma hidrelétrica demora 8 anos”, afirma Pataca. “Essa ação da Aneel a gente viu com bons olhos, que realmente melhorou alguns aspectos necessários para tirar essa diferença que estava entre as fontes”, completa. Ele ressalta que os investimentos em PCHs trazem benefícios, como o uso múltiplo do empreendimento para outras atividades econômicas, por exemplo, turismo, piscicultura, abastecimento, irrigação, além da preservação ambiental, por ser uma fonte de energia com obrigatoriedade de Área de Preservação Permanente (APP). Até por serem feitas em rios, as PCHs são geralmente próximas a centros urbanos e necessitam de menor infraestrutura de transmissão do que outras fontes. “A gente tem esse benefício, são usinas que usam pouco transporte, estão próximas a cidades, são muito positivas em diminuir as perdas elétricas de grandes transportes de energia”, destacou Pataca. Até por isso, o Estado concentrou, ao lado do Paraná, a maior parte das habilitações da Aneel concedidas dessa vez. Além de Minas, a agência habilitou outras 14 PCHs localizadas no Amazonas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Metade está no estado paranaense e o restante diluído nos outros estados. Minas e Paraná são grandes centros de consumo de energia elétrica no País. A DRS-PCH tem vigência de até oito anos, o prazo para requerimento das outorgas dos empreendimentos junto à agência reguladora. Atualmente, Minas Gerais conta com 65 PCHs em operação, com uma capacidade instalada de gerar 0,8 gigawatts (GW) de energia elétrica, segundo dados do Sistema de Informações de Geração da Aneel (Siga). O Estado tem grande potencial hídrico para energia hidrelétrica. A Fiemg é favorável à expansão de todas as fontes de energia renováveis e contrária à utilização das termelétricas, movidas a combustíveis fósseis. “A gente tem que aproveitar esse potencial. É renovável, tem potencial no Estado, vamos construir. Isso que a gente quer, incentivar cada vez mais a fonte de energia renovável e desincentivar as termelétricas não renováveis”, finaliza Pataca. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.
Reservatórios de regularização estocam água quando sobra e usam quando falta

Jerson Kelman Engenheiro, foi professor da Coppe-UFRJ e dirigente de ANA, Aneel, Light, Enersul e Sabesp Aumento da frequência e da intensidade de secas e cheias deve ser enfrentado com ‘ação adaptativa’ Como engenheiro com formação em hidrologia, estive envolvido em diversas crises hídricas, inclusive a energética, causada pelo esvaziamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas, em 2001, e a de abastecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em 2015. Por isso não me surpreendi quando fui procurado por alguns jornalistas que, motivados pela atual seca que ocorre na maior parte do Brasil, queriam saber sobre perspectivas de colapsos ainda em 2024 —tanto de abastecimento de água quanto de suprimento de energia elétrica. Respondi que, como todos sabem, alguns dramas já estão ocorrendo. Por exemplo, incêndios florestais e colapso da navegação em rios da região Norte, com interrupção do fluxo de pessoas e de mercadorias. E que certamente outros problemas localizados surgirão ainda em 2024, antes do final da estação seca. Porém, não prevejo dificuldades de abastecimento de água na RMSP e de abastecimento de energia elétrica em todo o país, porque ainda há suficiente água nos reservatórios, construídos décadas atrás. Completei a resposta explicando que as usinas térmicas estão sendo acionadas não por falta de água nas hidrelétricas, como ocorria no passado, e sim para atender o pico de carga no final da tarde, quando as placas fotovoltaicas param de produzir e o consumo de eletricidade aumenta. Ou seja, em 2024 as térmicas atendem a uma necessidade de potência (produção instantânea), não de energia (produção média), diferentemente do que ocorreu em 2001 e 2021. Nos últimos anos, a construção de novos reservatórios tem sido obstaculizada devido aos impactos locais, em geral deletérios, tanto os ambientais (por exemplo, corte de vegetação) quanto os sociais (por exemplo, reassentamento das famílias que vivem na área a ser alagada). São objeções às vezes intransponíveis. Porém há casos em que as entidades de licenciamento decidiriam diferentemente se considerassem não apenas os efeitos locais mas também a segurança hídrica de grandes aglomerados urbanos, como a RMSP, e a segurança energética de todo o país. Ou se, inspirados na recente catástrofe que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, incluíssem na análise o papel dos reservatórios no amortecimento de cheias pelo efeito da estocagem temporária do excesso de água. No livro “Climate Future: Averting and Adapting to Climate Change”, Robert Pindyck argumenta que limitar o aumento de temperatura em 1,5ºC ou 2ºC em relação ao período pré-industrial significa monumental esforço econômico, muito difícil de ser alcançado. Ele defende que não basta envidar esforços para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. É preciso também que se ponham em prática iniciativas “adaptativas” para proteger as populações vulneráveis das consequências das mudanças climáticas. O aumento da frequência e da intensidade das secas e cheias deve ser enfrentado, como a humanidade tem feito há milênios, com a “ação adaptativa” de construir barragens com reservatórios de regularização para estocar água quando sobra e usá-la quando falta. Porém, antes disso, será necessário adotar uma metodologia de licenciamento ambiental com uma visão mais holística do que a atual. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.