BNP vai abrir cota de fundo contra tragédias climáticas para pessoas físicas neste ano

23 de setembro de 2024 • 08:31 Apesar do interesse dos investidores internacionais, hoje o fluxo mais importante desse fundo são os clientes institucionais brasileiros São Paulo – A gestora do banco francês BNP Parribas no Brasil vai lançar neste ano cotas para pessoas físicas de seu fundo destinado ao investimento em ativos de combate a tragédias climáticas. Segundo a BNP, está crescendo o interesse de investidores de varejo nessa área. O produto, chamado Access Energy Transition Fundo de Investimento em Ações Sustentável IS e hoje voltado apenas para investidores institucionais, já existe há mais de uma década e atrai, entre outros interessados, muitas seguradoras europeias e brasileiras que querem cobrir os custos cada vez mais elevados com as catástrofes ligadas às mudanças climáticas. Segundo Rysman, as seguradoras começaram a procurar investimentos adequados para cobrir gastos com o clima nos anos 2010, de acordo com as regras dos órgãos regulatórios, que exigem a inclusão de aportes em ativos ESG nos países das filiais onde essas seguradoras atuam. ESG é a sigla em inglês para políticas corporativas focadas no ambiente, na responsabilidade social e na governança. Apesar do interesse dos investidores internacionais, hoje o fluxo mais importante desse fundo são os clientes institucionais brasileiros, como as próprias seguradoras, os fundos de pensão e os institutos. “Os eventos climáticos que a gente tem visto com cada vez mais frequência e cada vez mais intensidade impactam a cadeia produtiva inteira e atraem esses investidores”, diz Rysman. A empresa de risco Verisk estima que as seguradoras no mundo devem gastar mais de US$ 151 bilhões (R$ 833 bilhões) por ano devido a catástrofes naturais e a cifra pode ser ainda maior em anos com mais desastres, de acordo com reportagem do Financial Times. Ainda segundo o jornal, a corretora de seguros Howden e o Boston Consulting Group (BCG) concluíram que pelo menos US$ 10 trilhões (R$ 55,2 trilhões em valores atuais) de novas coberturas serão necessárias para os setores de energia, transporte rodoviário e construção entre 2023 e 2030. No Brasil, esse é um assunto cada vez mais na mira das companhias, especialmente neste momento em que os incêndios consomem as florestas do país. Em outro evento oposto, em maio, durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estimou que os sinistros acionados para cobrir a tragédia foram a maior indenização de um único evento que o setor já enfrentou no país. Resta saber se as queimadas pelo Brasil vão superar as águas no Sul. O fundo da BNP Parribas funciona de forma diferente dos chamados “cat bonds”, títulos de catástrofe ou títulos ligados a seguros. A gestora reúne em seu fundo ações de companhias comprometidas com a pauta verde e com a inclusão de mulheres nos cargos mais altos. Segundo Rysman, a BNP tem critérios rígidos na escolha das empresas que compõem a carteira de investimentos do fundo. O banco mensura a pegada de carbono de cada empresa e busca uma pegada total menor do que o benchmark, que é o padrão de referência do mercado. Para isso, parou de investir em companhias do setor de petróleo e gás e também em empresas de carvão. O fundo tem certificação Investimento Sustentável (IS) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) desde fevereiro de 2023. Segundo a entidade, essa certificação passa por uma conferência constante para avaliar se o fundo continua adequado aos critérios exigidos pela associação para ser considerado um investimento sustentável. No total, 95% de seu patrimônio é aplicado no fundo de investimento em ações constituído no exterior e gerido pela BNP Paribas Asset Management. O produto reúne ativos de empresas globais com produtos ou serviços que tenham soluções ambientais transitórias e facilitadoras que contribuam para a transição do sistema energético global por meio da descarbonização, digitalização e descentralização. A BNP hoje tem apenas dois fundos certificados pela Anbima. Além desse, há um outro de infraestrutura focado em debêntures incentivadas que já está disponível também para pessoas físicas. Segundo Rysman, o objetivo da gestora é que se alcance no Brasil a mesma quantidade de fundos IS certificados na Europa. No continente, 95% dos fundos do BNP são certificados de acordo com os critérios de órgãos reguladores como investimento sustentável. “Ainda estamos atrasados em relação a isso no Brasil”, reconhece o gestor.
Hidrelétricas podem reduzir custo da energia e conter inflação, aponta especialista

Com preços menores, pressão inflacionária será menor, aponta a gerente da Fiemg, Tânia Mara Santos O retorno dos investimentos nas hidrelétricas com reservatórios pode ajudar a reduzir a pressão no custo da energia na produção e, logo, na inflação, alerta a gerente de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Tânia Mara Santos. “Um terço do custo da cesta básica é energia”, observa a especialista. De acordo com levantamento da Abrace Energia, associação que representa os grandes consumidores do insumo, a energia já representa um quarto do gasto de uma família brasileira. Outro estudo divulgado neste mês pela entidade mostra que, entre 2000 e 2022, o custo unitário da energia elétrica para a indústria brasileira aumentou 1.154%, em comparação, os preços industriais avançaram 585% e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou uma variação de 291%. “Quando o custo da energia elétrica é reduzido, essa redução não é apenas na conta de energia que o consumidor paga, isso tem impacto no preço dos produtos. Afinal, se o empresário tem aumento no preço de um insumo, o custo sobe e ele repassa para o preço do produto”, observa Tânia Santos. lém do impacto no bolso do consumidor, seja pelo preço pago na conta de luz ou nos custos de produção, a gerente de energia da Fiemg destaca que as hidrelétricas com reservatório ajudam a mitigar os impactos das mudanças climáticas. Diante dessas vantagens e pautada num estudo, a Fiemg está desenvolvendo uma campanha para mostrar os benefícios dessa matriz energética, entre elas, o progresso para a região onde é viabilizada. “A gente quer abrir esse debate, o momento é agora”, diz. A entidade defende a revisão na política energética para uma melhor utilização do uso múltiplo da água, como o aproveitamento do potencial das hidrelétricas para armazenamento, regularização de rios, irrigação e promoção da sustentabilidade das comunidades ao redor. Tânia Santos explica que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) busca sempre utilizar a energia mais barata, que é a hidráulica, complementando com as demais. No entanto, diante do cenário de chuvas escassas e baixo nível dos reservatórios, foi necessário acionar as termelétricas, cujo custo é mais alto, além de serem, em sua maioria, poluentes. “Isso tem impactos ambientais, já que é uma fonte suja, e também social, por causa do custo para a população”, observa. No último dia 30, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária vermelha, patamar dois, em função de previsões de chuvas bem abaixo da média histórica. A última vez que o governo acionou a bandeira vermelha foi em agosto de 2021. A divulgação da bandeira pela agência vale para o mês de setembro. Dessa forma, as faturas de todos os clientes das distribuidoras brasileiras deste mês, com vencimento em outubro, contarão com acréscimo de R$ 7,877 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Vice-governador defende volta dos investimentos em hidrelétricas Além da Fiemg, em maio deste ano, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), defendeu a volta de investimentos em hidrelétricas pelo Estado. Ele representou o governo estadual na terceira reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas do G20, que aconteceu no Minascentro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na ocasião, ele disse que Minas Gerais tem um potencial não utilizado considerável e que os estudos indicam que é possível dobrar a capacidade de produção hidrelétrica no Estado. No entanto, Simões defende que a responsabilidade não seja da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Na opinião do vice-governador, a companhia precisa concentrar seus investimentos na melhoria da rede de distribuição. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada
ONS eleva previsão de carga de energia no mês e vê redução maior dos reservatórios

Lagos das hidrelétricas são um ponto de preocupação para os próximos meses, pela condição de seca neste ano O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) elevou novamente sua projeção para o crescimento da carga de energia no Brasil em setembro, ao mesmo tempo em que projetou um nível menor para os principais reservatórios de hidrelétricas ao final do mês. Segundo boletim publicado nesta sexta-feira, a carga de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer 3,9% ante setembro de 2023, para 80.215 megawatts médios, ante 3,2% previstos pelo ONS na semana anterior. á para os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, principal subsistema para armazenamento, a projeção é de uma capacidade de 46,6% ao final deste mês, um pouco abaixo dos 46,9% estimados há uma semana. Embora ainda estejam em níveis acima dos registrados na última crise hídrica em 2021 (16%), os lagos das hidrelétricas são um ponto de preocupação para os próximos meses, pela condição de seca neste ano. Para setembro, a perspectiva de afluências ainda é de que permaneçam muito abaixo da média histórica em todas as regiões do país. As chuvas que deverão chegar às hidrelétricas neste mês deverão alcançar 47% da média no Sudeste/Centro-Oeste (ante 48% estimados na semana anterior), 62% no Sul (ante 53%), 40% no Nordeste (ante 42%) e 50% no Norte (ante 49%), projetou o ONS nesta sexta-feira. O Brasil vem enfrentando uma seca severa que afetou o potencial de geração hidrelétrica, acarretando custos mais altos para os consumidores, e que fez com o governo avaliasse a retomada do horário de verão, como forma de reduzir o “estresse” da operação do sistema elétrico entre o final da tarde e começo da noite. A volta do horário de verão ainda requer mais análises, mas pode entrar em vigor ainda em 2024, a depender de uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na véspera. A chegada da primavera no fim deste mês desenha um cenário hidrológico mais favorável, com as chuvas começando a aparecer na primeira quinzena de outubro e se intensificando durante a última metade do mês, segundo análise da Nottus Metereologia. A expectativa é de que a estação que se aproxima seja menos quente e mais chuvosa do que a primavera de 2023, que foi seguida por um verão de chuvas frustrantes. Devido ao cenário ruim nos últimos 12 meses, o retorno das chuvas deve demorar mais para beneficiar o setor elétrico. A umidade do solo das principais bacias hidrográficas para geração de energia elétrica no Brasil alcançou o nível mais seco em quase 20 anos, de forma que as chuvas servirão primeiro para repor essa umidade, antes de a água fluir para os reservatórios e se converter em energia natural afluente (ENA), métrica que indica o quanto do volume pode ser transformado em energia. Já para outras fontes de geração, a Nottus apontou que as condições meteorológicas continuarão favoráveis tanto para os ventos nas regiões de parques eólicos quanto para a incidência solar entre o final de setembro e a primeira quinzena de outubro. À medida que a chuva avança pelo país e se consolida ao longo de outubro e novembro, a geração solar e eólica tende naturalmente a diminuir pelas condições climáticas associadas às precipitações, acrescentou. Comentário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.
Reservatórios de regularização estocam água quando sobra e usam quando falta

ENERCONS – 18/09/2024 Aumento da frequência e da intensidade de secas e cheias deve ser enfrentado com ‘ação adaptativa‘ Como engenheiro com formação em hidrologia, estive envolvido em diversas crises hídricas, inclusive a energética, causada pelo esvaziamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas, em 2001, e a de abastecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em 2015. Por isso não me surpreendi quando fui procurado por alguns jornalistas que, motivados pela atual seca que ocorre na maior parte do Brasil, queriam saber sobre perspectivas de colapsos ainda em 2024 —tanto de abastecimento de água quanto de suprimento de energia elétrica. Respondi que, como todos sabem, alguns dramas já estão ocorrendo. Por exemplo, incêndios florestais e colapso da navegação em rios da região Norte, com interrupção do fluxo de pessoas e de mercadorias. E que certamente outros problemas localizados surgirão ainda em 2024, antes do final da estação seca. Porém, não prevejo dificuldades de abastecimento de água na RMSP e de abastecimento de energia elétrica em todo o país, porque ainda há suficiente água nos reservatórios, construídos décadas atrás. Completei a resposta explicando que as usinas térmicas estão sendo acionadas não por falta de água nas hidrelétricas, como ocorria no passado, e sim para atender o pico de carga no final da tarde, quando as placas fotovoltaicas param de produzir e o consumo de eletricidade aumenta. Ou seja, em 2024 as térmicas atendem a uma necessidade de potência (produção instantânea), não de energia (produção média), diferentemente do que ocorreu em 2001 e 2021. Nos últimos anos, a construção de novos reservatórios tem sido obstaculizada devido aos impactos locais, em geral deletérios, tanto os ambientais (por exemplo, corte de vegetação) quanto os sociais (por exemplo, reassentamento das famílias que vivem na área a ser alagada). São objeções às vezes intransponíveis. Porém há casos em que as entidades de licenciamento decidiriam diferentemente se considerassem não apenas os efeitos locais mas também a segurança hídrica de grandes aglomerados urbanos, como a RMSP, e a segurança energética de todo o país. Ou se, inspirados na recente catástrofe que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, incluíssem na análise o papel dos reservatórios no amortecimento de cheias pelo efeito da estocagem temporária do excesso de água. No livro “Climate Future: Averting and Adapting to Climate Change”, Robert Pindyck argumenta que limitar o aumento de temperatura em 1,5ºC ou 2ºC em relação ao período pré-industrial significa monumental esforço econômico, muito difícil de ser alcançado. Ele defende que não basta envidar esforços para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. É preciso também que se ponham em prática iniciativas “adaptativas” para proteger as populações vulneráveis das consequências das mudanças climáticas. O aumento da frequência e da intensidade das secas e cheias deve ser enfrentado, como a humanidade tem feito há milênios, com a “ação adaptativa” de construir barragens com reservatórios de regularização para estocar água quando sobra e usá-la quando falta. Porém, antes disso, será necessário adotar uma metodologia de licenciamento ambiental com uma visão mais holística do que a atual. Cometário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni. ENERCONS (sistemas@mailingimprensa.com.br)