25 anos de experiência no mercado de energia

Após anos de bonança, energia solar vê nuvem espessa ameaçar seus negócios

Após surfar com subsídios desde 2012, setor prevê queda de investimentos com aumento de alíquota de importação de painéis solares e produção insuficiente da indústria nacional para atender demanda Comentário Ivo Pugnaloni: Diminuição dos subsídios e das taxas de isenção de impostos de importação por um lado e queixas das empresas geradoras solares com relação ao cumprimento das especificações pelos fabricantes de painéis quanto à produção real de energia. Essas são apenas duas das notícias que já preocupam quem está pensando em investir em geração solar. Nesse artigo da NEOFEED há ainda outras notícias que também não ajudam a soprar para longe as nuvens que começaram a embaçar o negócio mais maravilhoso do mundo que era produzir energia durante apenas 6 horas mas ter que pagar o financiamento durante 24  horas. Link da matéria: https://neofeed.com.br/negocios/apos-anos-de-bonanca-energia-solar-ve-nuvem-espessa-ameacar-seus-negocios/ Após vários anos batendo recordes de crescimento e de expansão de oferta de potência instalada, embalado por generosos subsídios desde 2012, o segmento de energia solar iniciou o ano cercado por uma gigantesca nuvem que ameaça seus negócios. O primeiro problema surgiu em novembro passado, quando o governo federal anunciou, por meiode uma resolução do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), aelevação do imposto de importação de painéis solares de 9,6% para 25%, medida que passa avaler a partir de 30 de junho. O objetivo do governo federal ao elevar os impostos de importação dos painéis foi o de fortalecer aindústria nacional. Nesta semana, porém, o segmento já começou a sentir os efeitos negativosdesse vento contrário (ou melhor, desse sol no rosto), que vem de todas as direções. Primeiro, ao constatar que o encargo terá de ser dispendido desde já, pois as cotas de importaçãodos produtos com o imposto mais baixo já acabaram. O drama, porém, é ainda maior, uma vez que as empresas geradoras de energia afirmam que aprodução nacional de painéis solares, beneficiada pela medida, é insuficiente para atender ademanda. Segundo elas, os módulos solares fabricados no Brasil não atendem às certificaçõesexigidas pela maioria dos projetos. De acordo com a Absolar, entidade que representa as empresas do setor, a indústria nacional não consegue suprir nem 5% da demanda de painéis fotovoltaicos, com uma capacidade de produção de 1 gigawatt (GW) por ano, ao passo que a importação brasileira em 2024 foi de 22 GW. A estimativa do setor com a elevação tributária é de um impacto médio de 8% nos custos dos empreendimentos solares e queda de 2% na taxa de retorno – esta até pequena, pois pode chegar a 15%, dependendo do projeto. Outra má notícia veio da Justiça, que, na quarta-feira, 22 de janeiro, acatou o recurso da Aneel(Agência Nacional de Energia Elétrica) para não pagar indenizações referentes aos cortes degeração solar e eólica feitos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Esses cortes – chamados de constrained-off ou curtailment pelo setor – refletem o crescimentodescomunal das energias renováveis na matriz elétrica nos últimos anos. Como o sistema de transmissão de energia elétrica não consegue dar conta da oferta de geraçãode energia conectada ao sistema por essas duas fontes renováveis – pois o avanço de GeraçãoDistribuída (GD) não foi acompanhado pelo aumento de instalação de linhas de transmissão, oslinhões -, o ONS faz cortes sem prévio aviso ou programação, para não sobrecarregar o sistema.Os cortes, que vêm crescendo, estão impactando as empresas dos dois setores renováveis – quetêm contratos de fornecimento de energia elétrica que não conseguem cumprir e são obrigadas acomprar energia no mercado livre, a um custo mais alto, para atender os clientes. Muitos casos foram judicializados, com as empresas exigindo ressarcimento dos prejuízos, quechegaram a R$ 1 bilhão em 2024, o que tem pressionado as autoridades do setor elétrico por umasolução. Como consolo, o prejuízo é menor no segmento solar, cerca de 30% desse total. A Absolar criticou a Aneel, afirmando que a agência promove um “sinal regulatório distorcido” eprometeu seguir buscando o ressarcimento pelos cortes. “Os custos dos cortes de geração definidos pelo ONS não são decorrentes da performance diretadas usinas solares, ou seja, pertencem ao sistema elétrico brasileiro” afirma Rodrigo Sauaia,presidente executivo da Absolar. “Por isso, não seria justo que fossem arcados pelos geradoresdiretamente, já que não deram causa a esses eventos e nada podem fazer para gerenciá-los.” Novos tempos A crise no setor ocorre após vários anos acumulando níveis elevados de crescimento. Em 2023, aenergia solar se tornou a segunda maior em potência na matriz elétrica brasileira, atrás apenasdas hidrelétricas. No ano passado, o setor atingiu 52,2 GW de potência de geração solar, depois de experimentar umgrande movimento de fusões e aquisições, com 51 operações em 2023, alta de 76% em relação a2022. A Absolar afirma que, como efeito da alta de impostos, a previsão é de queda de investimentos nosegmento solar, que deve receber R$ 39,4 bilhões em 2025, bem menos que os R$ 54,9 bilhões de2024. Levantamento da entidade junto aos associados mostrou pelo menos 281 empreendimentos comprojetos em potencial risco por causa do aumento de importação, muitos deles fazendas solares.Eles somam mais de 25 GW e mais de R$ 97 bilhões em investimentos até 2026. De acordo com Ewerton Henriques, sócio-diretor da SH Consultoria, que atua no mercadofinanceiro assessorando projetos de infraestrutura, as empresas que já fizeram captação para oinvestimento e agora estão fazendo encomendas são as mais prejudicadas. “Essas empresasestão sentindo o preço maior, prejudicando toda a cadeia do negócio, incluindo a capacidade depagar os financiamentos”, diz. Henriques, porém, observa que essa elevação não chega a inviabilizar os projetos, mas os tornamais apertados. “A taxa de retorno deve cair cerca de 2%, um valor elevado, mas comparado comas taxas de retorno do setor não é algo insuportável, dá para conviver”, acrescenta. Já os novos projetos terão de ser feitos com preço de energia mais caro, para fechar a conta. “Masos projetos antigos vão ter uma valorização, pois ao cair a taxa de retorno dos projetos atuais, osantigos passam a valer mais – no mercado secundário, os spreads desses projetos vão serbeneficiados”, diz Henriques. Outros especialistas ouvidos pelo NeoFeed

2025 - Enercons Consultoria

Desenvolvido por

LOGO TINGO 2024 BRANCO