Livro traz pesquisas aplicadas à conservação do solo e da água em regiões produtivas

Produtores rurais do Paraná passam a contar com mais um valioso aliado na preservação dos recursos naturais. Em cerimônia na sede do Sistema Faep, nesta quarta-feira (16), em Curitiba, a Rede Paranaense de AgroPesquisa e Formação Aplicada (Rede AgroParaná) lançou o segundo volume do livro “Manejo e Conservação de Solo e Água”. A publicação é uma coletânea de pesquisas e estudos de solo e recursos hídricos, realizadas nas principais regiões produtivas do Estado. Fruto de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e o Sistema Faep, o projeto é resultado do trabalho de 105 pesquisadores. Dividido em 14 capítulos, traz resultados conclusivos sobre uso, manejo e conservação do solo e da água em seis mesorregiões do Paraná: Centro-Sul, Sudoeste, Norte, Oeste, Noroeste e Nordeste. A iniciativa já recebeu investimentos de R$ 21 milhões. O material tem distribuição gratuita e está disponível no site do Sistema Faep. O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, enfatizou a importância da Rede AgroParaná e a aproximação entre a academia e o setor produtivo que, unidos, chegam a soluções práticas para a sociedade. “Nenhum Estado tem uma pesquisa organizada com essa dimensão, que nós temos”, disse. “Sempre buscamos aproximar o sistema de pesquisa da sociedade. Isso é ciência aplicada. São resultados completamente aplicáveis no campo e vão assegurar a sobrevivência econômica e social do Paraná”. O presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que os saberes resultantes das pesquisas podem ser aplicados por produtores rurais em suas atividades agrícolas. Na sua avaliação, o livro é uma publicação fundamental ao agronegócio moderno. “O solo é maior patrimônio que nós temos e é fundamental para a humanidade. O solo bem conservado proporciona maior produtividade e maior lucro para o produtor, além de melhorar a qualidade da água e do meio ambiente”, disse. Os estudos envolveram uma rede de instituições, que inclui o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Unioeste, Unicentro e Instituto Cesumar. O diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, Marcos Pelegrina, enumerou outras iniciativas no setor do agro que têm sido conduzidas por universidades paranaenses em parceria com o setor produtivo, como estudos em genética do solo. “Desde 2019, nos organizamos para ter mais parcerias com o setor privado e entregar cada vez mais para a sociedade. Hoje, temos inúmeros projetos em andamento, a partir desses esforços conjuntos”, afirmou. A convergência de forças também foi destacada pelo vice-reitor da UEPG, Ivo Mottin. Na avaliação dele, essa aproximação entre o setor privado e as instituições de pesquisa deve ser cada vez maior. “As universidades estão aí para resolver problemas da sociedade. Somos um grande grupo de pessoas altamente qualificadas. Estamos à disposição do setor produtivo para contribuir de forma prática com o desenvolvimento deste Estado inovador e pujante”, disse. IDR-PARANÁ – Por fim, a pesquisadora Graziela Moraes de Cesare Barbosa, do IDR-Paraná, apresentou alguns resultados individuais apontados pela pesquisa. Ela também detalhou a divisão do livro e como o conteúdo pode ser utilizado por produtores. “Ao medir a quantidade de água que escoa e de terra que é levada, é possível indicar maneiras mais sustentáveis de usar o solo, preservando sua fertilidade e evitando o assoreamento de rios e nascentes”, explica a pesquisadora e uma das organizadoras do livro, juntamente com Cristiano André Pott, da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), Eduardo Augusto Agnellos Barbosa, da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e André Pellegrini, ligado à UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). LEIA MAIS EM: Pr.gov
Pará entra no radar da piscicultura nacional em ano decisivo para o meio ambiente

O Pará se prepara para ganhar os holofotes em 2025 com a realização da COP 30 em Belém, e a piscicultura surge como uma das atividades econômicas que mais dependem de avanços em segurança jurídica e ambiental para crescer de forma consistente. A proximidade do evento global de meio ambiente reforça a necessidade de soluções estruturais e planejamento para destravar o enorme potencial aquícola do estado — que possui condições naturais privilegiadas, mas enfrenta gargalos históricos que limitam seu desempenho. Apesar da expectativa e da vocação natural para a atividade, o crescimento da piscicultura no Pará tem sido tímido. Em 2024, o estado produziu 25.420 toneladas, um leve avanço de 4,18% em relação ao ano anterior. Os peixes nativos lideram com ampla margem, representando 24.100 toneladas do total, enquanto a tilápia ainda tem presença discreta, com apenas 1.050 toneladas. Outras espécies, como carpa, truta e panga, somam 270 toneladas. Mapa da piscicultura Conforme levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), esse desempenho modesto revela um problema de base: a falta de um marco regulatório atualizado e atraente para investidores. Sem regras claras e um ambiente de negócios favorável, os projetos de expansão não decolam. O plano de desenvolvimento prometido para o setor há alguns anos ainda não saiu do papel, e o número de viveiros permanece limitado. Hoje, o estado conta com 7.340 hectares de área de cultivo, distribuídos em 29.112 viveiros e apenas 317 tanques-rede — número considerado baixo, principalmente em comparação com outras regiões produtoras. A expansão da piscicultura nos lagos das hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí é vista como um dos caminhos mais promissores para o aumento da produção. No entanto, a efetivação dessas iniciativas depende diretamente de avanços na legislação ambiental e na segurança jurídica, especialmente no que diz respeito à cessão de uso das Águas da União. A dependência de abastecimento de outros estados continua sendo um obstáculo para o crescimento autônomo da piscicultura paraense. Mesmo com um mercado consumidor interno forte e crescente, o estado ainda precisa importar parte do pescado para atender à demanda, o que representa perda de competitividade e oportunidades de renda local. Maiores municípios produtores Municípios como Paragominas, Marabá, Conceição do Araguaia, Altamira e Ipixuna do Pará lideram a produção estadual, de acordo com os dados mais recentes do IBGE. Essas regiões já demonstram vocação para a piscicultura e poderiam se beneficiar fortemente de uma política pública mais eficiente e direcionada. Com a COP 30 prestes a acontecer, o Pará tem a chance de transformar o debate ambiental em alavanca para o desenvolvimento sustentável da piscicultura. Modernizar o marco regulatório, destravar os investimentos e ampliar a produção de forma responsável são passos urgentes para que o estado deixe de depender de outras regiões e assuma seu protagonismo no cenário aquícola brasileiro. LEIA MAIS EM: O presente Rural