Barragem do Rio Colônia garante abastecimento e controla riscos de enchentes em Itabuna e Itapé

As fortes chuvas que vêm caindo no Sul da Bahia elevaram o nível da água na Barragem do Rio Colônia, em Itapé, construída pelo Governo da Bahia, o equipamento, gerenciado pela Embasa, tem capacidade para armazenar até 62 milhões de metros cúbicos de água. Além de garantir o abastecimento de água para cerca de 300 mil pessoas em Itabuna, Itapé e Itaju do Colonia, a barragem reduz o risco de enchentes. Durante décadas as inundações afetaram moradores de áreas às margens dos rios Colônia e Cachoeira. De acordo com os técnicos da Embasa, “o controle de vazão do rio, no caso de chuvas intensas, foi previsto no projeto de forma a não gerar impacto nas populações que habitam às margens do rio Colônia depois da barragem”. “Se não fosse a barragem, cidades como Itabuna teriam sido inundadas nos últimos dias. Fazer política é cuidar de gente, e vamos seguir focados nesse objetivo”, destacou o governador Rui Costa, em postagem nas suas redes sociais.
Nem rede elétrica, nem usina gigante: micro-hidrelétrica comunitária acende luz pela primeira vez em vilas isoladas

Micro-hidrelétricas comunitárias transformam vilas isoladas do Himalaia ao levar energia limpa sem depender da rede nacional, utilizando apenas vazão constante e desnível natural para abastecer casas, serviços de saúde e pequenos negócios em regiões montanhosas do Nepal. A primeira lâmpada acesa dentro de casa, sem querosene e sem gerador a combustível, virou o retrato mais direto da eletrificação em vilas isoladas do Himalaia no Nepal, onde micro-hidrelétricas comunitárias usam vazão e desnível para levar energia fora da rede nacional. Em regiões montanhosas onde a linha de transmissão fica distante e o deslocamento pode levar horas a pé, esses sistemas funcionam como minirredes locais, alimentando casas, serviços essenciais e pequenos negócios, com operação organizada pela própria comunidade e manutenção cotidiana. Como funciona a micro-hidrelétrica comunitária no Nepal A lógica das micro-hidrelétricas é simples no desenho e exigente na execução: a água é captada em um ponto do riacho, segue por canal ou tubulação, ganha velocidade no desnível e, ao fim, move uma turbina acoplada ao gerador Como o modelo costuma operar a fio d’água, sem grande reservatório, o impacto territorial tende a ser menor do que o de usinas de grande porte, além de se encaixar bem em vales estreitos, encostas íngremes e cursos d’água perenes. Dois fatores determinam o potencial do local, e eles aparecem no cálculo básico do setor: a vazão disponível no riacho e o “head”, termo usado para o desnível vertical que a água percorre, parâmetro central para estimar quanta energia pode ser extraída. Por isso, um curso d’água modesto, mas constante ao longo do ano, pode sustentar geração suficiente para iluminação residencial, carregamento de celulares e rádio, funcionamento de escola e posto de saúde e serviços comunitários, desde que o projeto dimensione bem tubulação, queda e distribuição. Expansão da micro-hidreletricidade e os 1.400 sistemas instalados No Nepal, a micro-hidreletricidade entrou como peça-chave da eletrificação descentralizada em áreas remotas, apoiada por programas públicos e cooperação internacional, com foco em abastecer localidades fora do alcance da rede e criar condições mínimas para atividade econômica local. Economia Relatos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento indicam que investimentos em micro-hidropotência em vilarejos fora da rede tiveram impacto em mais de 100 mil lares e ajudaram a viabilizar mais de mil negócios em comunidades montanhosas. A dimensão desse esforço também aparece em levantamentos setoriais compilados por instituições multilaterais: um relatório do Banco Mundial, com base em dados recebidos do Alternative Energy Promotion Centre, registra cerca de 1.400 unidades no cenário de micro-hidreletricidade do país. O mesmo documento descreve que essa base instalada soma capacidade agregada de dezenas de milhares de quilowatts, com atendimento potencial a centenas de milhares de domicílios, variando conforme a condição de operação de cada planta, a integração com rede e o status local de funcionamento. A eletricidade, nesses contextos, não chega como comodidade, mas como infraestrutura que reorganiza o cotidiano, porque estende horas de estudo, amplia a segurança ao anoitecer e altera o funcionamento de comércios, além de reduzir a dependência de combustíveis para iluminação. Energia e serviços públicos Em Kharbang, no distrito de Baglung, a experiência relatada por organismos internacionais descreve a energia sustentando atividades que exigem fornecimento contínuo, como oficinas e serviços, ao mesmo tempo em que melhora a capacidade de atendimento em estruturas básicas da comunidade. Segundo esses registros, a presença de luz estável permite ampliar o horário de funcionamento de clínicas e apoiar tarefas diretamente ligadas à saúde, como a refrigeração de vacinas e o uso de equipamentos que antes ficavam limitados pela falta de eletricidade. Ao lado do impacto em serviços, a energia regular abre espaço para empreendimentos de pequena escala, como reparos, solda e agroprocessamento, que dependem de máquinas simples, mas exigem tomada disponível e uma rede local que aguente picos de consumo. Apesar da aparência de solução direta, a confiabilidade não se resume a instalar turbina e gerador, porque rios de montanha carregam sedimentos e detritos, e a infraestrutura civil precisa proteger a captação, estabilizar canalizações e controlar a areia que acelera o desgaste. Relatórios técnicos sobre mini e micro-hidropotência descrevem componentes recorrentes nesses projetos, como bacias de decantação e tanques de carga, justamente para reduzir a entrada de partículas no sistema e evitar perdas de desempenho que, em áreas isoladas, custam caro. Quando a gestão é comunitária, a operação cotidiana costuma incluir regras de uso, cobrança local e organização de manutenção preventiva, já que a resposta a falhas precisa ser rápida e, muitas vezes, depende de peças e mão de obra disponíveis na própria região. Por outro lado, o desenho a fio d’água costuma favorecer a adaptação ao relevo, porque aproveita pequenas quedas ao longo do curso e dispensa grandes represamentos, o que ajuda a viabilizar a geração em pontos onde a geografia complica alternativas tradicionais. Energia descentralizada em regiões montanhosas e fora da rede A micro-hidreletricidade segue no mapa de soluções para áreas de difícil acesso porque responde a uma realidade persistente: nem todo território se conecta com facilidade a linhas de transmissão, e comunidades remotas precisam de sistemas que funcionem onde as pessoas vivem. Geradores Com montanhas, vales estreitos e rios que descem com força, o conceito de gerar energia sem “usina gigante” se traduz em prática: captar o fluxo com segurança, conduzir a água no desnível, transformar movimento em rotação e manter a eletricidade circulando no próprio território.
Nove vezes em que o IAP se viu enroscado em operações policiais

O órgão responsável por zelar pelo meio ambiente do Paraná foi alvo de ações no Litoral, na capital e no interior Quando policiais chegaram à sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), na terça-feira passada (24), os funcionários do local já sabiam como proceder em situações semelhantes. É que não foi a primeira vez que o órgão estadual voltado à conservação da natureza foi alvo de uma operação policial. Na verdade, considerando as unidades também do litoral e do interior, foram pelo menos nove vezes nos últimos seis anos. As investigações são das mais variadas, mas a maior parte envolve supostas irregularidades na concessão de licenciamentos ambientais – algumas viraram ações judiciais e outras ainda estão em fase de inquérito, ou seja, de apuração dos fatos. Fiscais e autoridades do IAP são acusados de corrupção passiva, quando aceitaram participar de fraudes, e também de corrupção ativa, situação em que estariam no comando do esquema. Na gestão Beto Richa (PSDB), o primeiro grande escândalo na área foi em 2012, com a Operação Valadares, que prendeu um ex-chefe do escritório do IAP em Paranaguá, suspeito de comercializar licenças e formação de quadrilha. Ele acabou condenado – em primeira instância, com direito a recurso – em 2016, por crime ambiental. Em 2013, a Justiça determinou o afastamento do comando e de funcionários do IAP em Pato Branco e também em Francisco Beltrão, com base em gravações que mostravam fiscais pedindo propina para liberar licenças ambientais. Em março de 2017, os principais envolvidos foram condenados por corrupção, mas a sentença é de primeira instância e cabe recurso. A Operação João de Barro foi deflagrada em setembro de 2014 e desmontou um esquema de crimes ambientais praticados por fiscais de Curitiba e do interior. Foi uma das maiores ações policiais na áreas nos últimos anos, com o cumprimento de 68 medidas judiciais, entre mandados de condução coercitiva, buscas, interdições e afastamentos. Em 2015, ocorreu a mais rumorosa das operações envolvendo o IAP, que chegou ao então presidente Luiz Tarcísio Mossato Pinto, que teve a própria casa entre os pontos de busca e apreensão – além da sede do IAP – e computadores e celulares apreendidos. A Operação Superagui investiga licenças ambientais supostamente irregulares, também no litoral do Paraná. Passados três anos, o caso segue em investigação, principalmente por causa de problemas técnicos, como demora em perícias. O caso acabou respingando no então governador e parte do inquérito ficou por um tempo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em função do foro privilegiado de Beto Richa. Em junho, a investigação voltou, na íntegra, a ser tocada em âmbito estadual, a partir da renúncia do governador para concorrer nas eleições de outubro. Interior As operações policiais seguintes focaram na atuação do IAP no interior. Em novembro de 2015, o escritório regional do IAP em Foz do Iguaçu foi devassado, por ordem judicial, em busca de documentos e equipamentos para provar uma denúncia de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e associação criminosa, envolvendo três fiscais. Em fevereiro de 2017, foi a vez da sede do IAP em União da Vitória ser alvo de uma busca e apreensão feita pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Em outubro de 2017, a Polícia Civil abriu uma investigação para verificar se o IAP foi negligente e se há indícios de crime de falsidade ideológica e de patrocínio de interesse privado perante a administração pública no caso do projeto de lei que pretende alterar a delimitação da Escarpa Devoniana. O caso mais “curioso” envolvendo o IAP aconteceu em março de 2018, com a Operação Revoada. A chefia do escritório regional de Cornélio Procópio foi revistada por policiais em busca de provas de que licenciamentos complexos eram concedidos rapidamente, por profissionais sem a qualificação adequada para o caso (no caso, apenas com ensino médio completo). Foram localizadas ao menos 26 autorizações dadas em menos de 20 minutos – o que estaria longe de significar eficiência, de acordo com a investigação. Recente Mais recentemente, a sede estadual do IAP voltou a ser alvo de busca e apreensão. Foi na última terça-feira (24), para o cumprimento de mandados da Operação Container, ligada à investigação de que empresários e fiscais ambientais agiam em conluio para fraudar licitações de coleta e destinação de lixo em cidades do interior. A maior parte dos envolvidos seria de Francisco Beltrão, mas foram feitas buscas também na capital. O caso segue em apuração.