Potência sem estratégia: agora com os resultados à vista

Leilão reforça modelo caro e ultrapassado, ignora soluções modernas e amplia custos para consumidores e indústria O leilão de potência realizado pelo governo federal confirmou o que muitos técnicos e agentes independentes já alertavam: o Brasil está respondendo a um problema novo com instrumentos velhos, caros e capturados por interesses conhecidos. O resultado fala por si. Foram contratados quase 19 GW de potência. Desse total, cerca de 80% vieram de termelétricas a gás natural. Houve ainda contratação de térmicas a carvão e ampliação de hidrelétricas. O deságio foi baixo, a competição foi limitada e os principais vencedores foram justamente os grandes grupos já posicionados nesse mercado, com destaque para Eneva, Petrobras e J&F. E a conta também já começou a aparecer. As estimativas apontam custo total superior a R$ 500 bilhões ao longo dos contratos, com potencial impacto relevante nas tarifas de energia. A indústria alerta para perda de competitividade e o consumidor residencial, mais cedo ou mais tarde, pagará essa diferença na conta de luz. O mais grave é que isso está sendo feito enquanto o país segue sem enfrentar com seriedade as soluções estruturais mais adequadas para um sistema com tanta renovável instalada: o armazenamento de energia e a digitalização do sistema. O Brasil expandiu eólica e solar em ritmo acelerado, especialmente no Nordeste. Mas, em vez de criar rapidamente uma regulação moderna para baterias e outras ferramentas de flexibilidade, preferiu continuar girando em torno do velho tripé: térmica a gás, térmica a carvão e hidrelétrica. Isso é um erro técnico e econômico. O gás natural é insumo nobre. Faz muito mais sentido econômico usá-lo na indústria, em fertilizantes e petroquímica, agregando valor, gerando empregos e reduzindo dependência externa. Queimá-lo em usinas de reserva, em larga escala, é uma escolha pobre do ponto de vista industrial. O carvão, por sua vez, nem deveria estar reaparecendo como vencedor relevante em um país que se apresenta ao mundo como liderança em transição energética. É poluente, antiquado e cada vez menos compatível com a lógica de flexibilidade de que o sistema precisa E as hidrelétricas, embora estratégicas, não são resposta mágica para tudo. Sua expansão marginal é cara, lenta e sujeita a restrições ambientais e hidrológicas crescentes. Enquanto isso, o Nordeste continuará sofrendo com mais curtailment e mais perdas para exatamente os segmentos que mais ajudaram a limpar a matriz elétrica brasileira: a solar centralizada e a geração eólica. Em vez de armazenar o excedente renovável e usá-lo nas horas críticas, seguimos desperdiçando energia limpa e contratando energia de reserva mais cara. É o oposto do planejamento racional. Também chama atenção o silêncio político dos estados diretamente prejudicados. Regiões que deveriam estar pressionando por armazenamento, reforço de rede e modernização regulatória permanecem passivas diante de um desenho que penaliza seus ativos renováveis e favorece grupos já consolidados em outras tecnologias. E é difícil não concluir que o presidente da República está sendo mal informado — ou, no mínimo, insuficientemente informado — sobre a gravidade e o custo futuro dessas escolhas. Porque, se o problema estivesse sendo apresentado em toda a sua extensão, com clareza técnica e econômica, seria difícil imaginar a continuidade dessa demora regulatória e a adoção de soluções tão casuísticas. O que está sendo montado é mais uma reserva de mercado. Uma reserva de mercado cara, ineficiente e incompatível com o futuro da matriz elétrica brasileira. O setor elétrico não pode continuar sendo organizado em função de quem tem mais influência imediata sobre o governo ou maior capacidade de pressão regulatória. Ele precisa ser guiado por planejamento, competição real entre tecnologias e compromisso com o interesse nacional. Infelizmente, o leilão mostrou o contrário. E, como sempre, a conta virá depois — para o consumidor, para a indústria e para a economia brasileira. * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor,
Renováveis dominam 77,3% da produção elétrica em Portugal em fevereiro

Impulso face a mesmo mês de 2025 adveio principalmente da energia eólica. País figura entre os líderes europeus no setor. No mês passado, 77,3% da eletricidade produzida em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis. Face a fevereiro de 2025, a produção elétrica nacional aumentou 20,1%, essencialmente devido a um salto na geração eólica. As ilações são do último Boletim de Eletricidade Renovável da Associação de Energias Renováveis – APREN. Das três fontes de produção elétrica, a tecnologia hídrica foi a principal, alcançando 37,2% do pacote total. Seguiu-lhe a energia eólica, com 31,3%, e a solar fotovoltaica, com 5,2% Portugal foi o terceiro país europeu com maior incorporação destas energias no acumulado de janeiro e fevereiro, que resultou em 79% de geração limpa. À frente ficaram a Noruega, que já conta 96,2%, e a Dinamarca (90,7%). No período acumulado de janeiro e fevereiro, o preço médio do Mercado Ibérico da Eletricidade equivaleu a 42,4 euros/megawatt-hora (MWh), o que representa um decréscimo de 58,5% face ao período homólogo do ano passado. Em fevereiro, o preço médio em Portugal fixou-se em 5,1 euros/MWh. A APREN revela ainda que, no último mês, através do setor renovável, o país conseguiu evitar 48,8 milhões de euros na importação de gás natural, 101 milhões na importação de eletricidade e 44 milhões na aquisição de licenças de emissão de CO2. Além disso, no final de janeiro, a capacidade renovável já representava cerca de 81% da capacidade total instalada em Portugal.
Reajuste da Light sobe para 16,69% em média e quase dobra após decisão judicial

Uso de créditos tributários para aliviar tarifas é suspenso; AGU prepara recurso A conta de luz dos consumidores atendidos pela Light, no Rio de Janeiro, ficará mais cara a partir desta quarta-feira, após uma decisão judicial elevar o reajuste médio de 8,59% para 16,69%, o que representa quase o dobro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que foi notificada para cumprir uma liminar da 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, concedida após a distribuidora entrar com um mandado de segurança. Na ação, a Light questionou o uso de créditos de PIS/Cofins para reduzir o reajuste das tarifas — mecanismo que vinha sendo aplicado para aliviar o bolso dos consumidores. Com a decisão, o efeito médio do reajuste tarifário praticamente dobrou. No caso dos consumidores residenciais, a alta subiu de 6,40% para 14,58%. Já para clientes de alta tensão, como indústrias, o reajuste pode chegar a mais de 21%. A alta maior ocorre poucos dias após a Aneel ter aprovado o reajuste tarifário anual da distribuidora. Inicialmente, o aumento médio previsto era de 8,59%, com impacto de 6,56% para consumidores residenciais e de 13,46% para clientes de alta tensão. Esse cálculo considerava o uso de créditos de PIS/Cofins para reduzir o valor das tarifas. Esses créditos surgiram após decisões judiciais que retiraram o ICMS da base de cálculo desses tributos, permitindo que as distribuidoras recuperassem valores pagos a mais no passado e os devolvessem aos consumidores por meio da conta de luz. No caso da Light, porém, há controvérsia sobre esses valores. Dados do processo tarifário indicam que a empresa já devolveu cerca de R$ 5,86 bilhões aos consumidores até 2025, enquanto o total de créditos reconhecidos pela Receita Federal é de R$ 5,26 bilhões. A diferença ainda está em discussão administrativa. Segundo a Aneel, esse descompasso pode gerar distorções futuras nas tarifas. O relator do processo, diretor Gentil Nogueira, alertou que, se o entendimento atual for mantido, os consumidores poderiam ter que arcar com ajustes mais elevados nos próximos anos para compensar valores devolvidos a mais — o que foi descrito como uma possível “bolha” tarifária. A própria Light projeta, de forma preliminar, que o reajuste tarifário de 2027 poderia chegar a 37,6%, a depender da evolução dessa disputa sobre os créditos. Na prática, a liminar suspende uma decisão anterior da Aneel que previa devolver R$ 1,04 bilhão aos consumidores por meio da redução das tarifas em 2026. Esse valor corresponde a créditos tributários que seriam usados para diminuir o impacto do reajuste. A Aneel destacou que a decisão tem cumprimento imediato, o que levou à atualização das tarifas já a partir desta quarta. A agência também informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer da liminar, com o objetivo de restabelecer o uso dos créditos e reduzir o impacto nas contas de energia. “A Advocacia Geral da União irá interpor recurso contra a decisão tomada em primeira instância, buscando restabelecer a decisão da Diretoria da Aneel e resguardar o direito dos consumidores da Light”, disse a Aneel em nota.
Corrida dos data centers no Brasil ignora impacto ambiental e tem até uso de identidades falsas

Na corrida para a instalação de data centers voltados para a inteligência artificial, prefeituras brasileiras fecharam acordos com empresas que apresentaram problemas de documentação e tomaram decisões antes mesmo de ver os estudos sobre os impactos ambientais. Os projetos ainda repetem a cartilha desinformativa aplicada em toda a América Latina de realizar promessas de emprego e investimento que dificilmente serão cumpridas. Caucaia (CE), Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR) e Uberlândia (MG) são cidades que anunciaram recentemente investimentos pomposos no setor, mas agora enfrentam questionamentos judiciais e administrativos que colocam em dúvida a viabilidade das iniciativas. Duas prefeituras, por exemplo, fecharam um acordo com a empresa RT-One que, em 2024, fingiu ser parceira da Intel para assinar uma carta de intenções com o governo do Distrito Federal para a instalação de um data center em Brasília. Um dos sócios da empresa ainda se passou por vice-presidente da Intel durante a assinatura. O MPF (Ministério Público Federal) e órgãos estaduais também investigam os projetos por falta de transparência e omissões sobre os impactos hídricos e elétricos nas regiões onde serão instalados. Contradições na biografia Apesar de estarem a cerca de 700 km de distância uma da outra, Uberlândia (MG) e Maringá (PR) abrigarão data centers da mesma empresa: a RT-One. Os projetos apontam instalações que chegarão a 400 MW de capacidade — mas que, nas fases iniciais, serão limitadas a 100 MW. Apesar de se autointitular uma “multinacional”, Aos Fatos não identificou nenhum data center da RT-One em outro país. No site oficial, são destacados apenas os dois empreendimentos que ainda não saíram do papel (veja abaixo). Os próprios prefeitos anunciaram os projetos como a chegada de uma multinacional nas suas respectivas cidades. Paulo Sérgio (PP-MG), prefeito de Uberlândia, em publicação em julho de 2025, por exemplo, disse que o projeto consolida a chegada da “norte-americana RT-One, um marco para o desenvolvimento da nossa cidade”. A RT-One, no entanto, é registrada desde dezembro de 2024 em São Paulo, na Vila Ipojuca. No mesmo local, até 2021, funcionava uma empresa de importação de eletrônicos chamada Gamernuc. O CEO da RT-One, Fernando Palamone, também era sócio-administrador da Gamernuc. No LinkedIn, Palamone diz que ocupou cargos de chefia em diversas empresas internacionais, como JSR North America, PDF Solutions e Citrix. Seu último emprego antes de fundar a RT-One teria sido o de COO (Chief Operating Officer, o equivalente a diretor de operações) e vice-presidente da Intel, onde teria trabalhado entre 2022 e 2024. Essa informação está incorreta, segundo Aos Fatos apurou junto à empresa: “As informações apresentadas em seu perfil no LinkedIn referente ao seu tempo como empregado da Intel superestimam e alteram seu cargo e responsabilidades. Ele não é COO da Intel Corporation e nunca ocupou esse cargo”, explicou a assessoria da Intel, em nota enviada ao Aos Fatos. A multinacional ainda disse que processou a RT-One em 2024 após um episódio envolvendo outro data center: Em nota enviada ao Aos Fatos, a RT-One disse que “não tem conhecimento” dessas alegações e reafirmou que “a companhia atua com elevados padrões de integridade, transparência e responsabilidade corporativa”. Aos Fatos questionou o governo do DF para saber em que pé estaria o projeto e se o acordo estava mantido, mas não obteve resposta. Contatado pela reportagem, o CEO da RT-One disse que não comenta boatos sobre sua empresa. Judicialização Uma preocupação em relação aos projetos de data centers é o seu impacto socioambiental: essas estruturas consomem muita energia para alimentar seus equipamentos, consomem muita água para alimentar seus sistemas de resfriamento e ocupam áreas muito extensas. Esse impacto foi, inclusive, o que gerou processos judiciais em alguns dos casos analisados: em Uberlândia, por exemplo, o MPF instaurou um inquérito civil para apurar possíveis danos ambientais do projeto. O procurador destacou que, de acordo com informações divulgadas na imprensa, o centro consumiria energia equivalente a 1,6 milhão de casas. A peça também citou que, em Maringá, a RT-One admitiu a possibilidade de tirar água do subsolo para resfriar seu o data center. O inquérito, então, solicitou informações sobre consumo de água e energia do estabelecimento anunciado. Não há registro de resposta da RT-One nos documentos obtidos pelo Aos Fatos. A única empresa que respondeu afirmando que houve estudos foi a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A empresa pública afirmou que seu levantamento “concluiu que o sistema elétrico regional apresenta condições técnicas adequadas para absorver a carga adicional solicitada [pelo data center], sem comprometer a qualidade e a continuidade do fornecimento local e regional”. A companhia, entretanto, disse que o impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade. Em Caucaia, além dos possíveis impactos na água e energia locais, o que movimentou o Ministério Público foi a denúncia de que o data center do TikTok — antes capitaneado pela Casa dos Ventos, mas agora gerido pelo Pátria Investimentos — seria instalado “em terras tradicionais dos Índios Anacés”. O processo, iniciado pelo MP-CE (Ministério Público do Estado do Ceará), foi remetido ao MPF por envolver territórios de povos originários. O órgão federal, então, realizou uma perícia técnica que identificou que o licenciamento ambiental apresentado para instalar o data center do TikTok era “inadequado, insuficiente e inadmissível”. O MPF apontou que a demanda energética era muito elevada e que não houve comprovação de disponibilidade hídrica do manancial subterrâneo que iria alimentar o centro. Após a publicação da perícia, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) solicitou ao governo do Ceará a suspensão da licença de instalação do data center. As empresas responsáveis pelo empreendimento negam qualquer irregularidade. Já em Eldorado do Sul, o MPF também oficiou os órgãos responsáveis pelo empreendimento que foi anunciado na cidade pela Scala. Em junho, a empresa informou que ainda não havia licenciamentos porque o projeto estava ainda na fase de planejamento. Mesmo sem nenhum estudo ou documento que ateste a responsabilidade socioambiental do empreendimento, a Câmara Municipal aprovou em dezembro de 2024 uma lei que cria um pólo de data centers no município e facilita o licenciamento de obras semelhantes. Contatada pelo Aos Fatos, a Scala reafirmou que o projeto ainda não andou e “segue em fase de validações”. O data center também não consta no site oficial da empresa. Falsas promessas Os projetos de data centers voltados para IA no Brasil também seguem a
Após impasses, leilão de capacidade de energia ocorre sob alerta de apagão

Certame contrata usinas para garantir energia em momentos críticos, após atrasos, disputas e alerta de risco ao sistema elétrico Depois de dois anos de espera, inúmeros debates, judicialização, um adiamento e questionamentos sobre as regras, o governo federal realiza nesta quarta-feira (18) um dos leilões mais aguardados pelo setor elétrico, o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026. O certame será dividido em duas etapas: a primeira ocorre nesta quarta-feira (18) e a segunda na sexta-feira (20), ambas na sede da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), a partir das 10h. O leilão vai contratar potência de usinas hidrelétricas (UHE) e termelétricas (UTE) a gás natural, carvão mineral, óleo e biodiesel. Voltado à segurança energética, o LRCAP tem como principal objetivo garantir que o sistema elétrico nacional conte com usinas disponíveis para operar em momentos críticos. Na prática, essas usinas funcionam como uma espécie de “seguro” do sistema: podem ser acionadas rapidamente em situações de alta demanda ou de redução na oferta de outras fontes. Um exemplo recorrente ocorre no início da noite. Nos dias úteis, por volta das 18h, cerca de 45 gigawatts (GW) de geração solar deixam o sistema com o pôr do sol. Para manter o equilíbrio entre oferta e demanda, é necessário acionar rapidamente usinas térmicas e hidrelétricas, que sustentam o suprimento até o aumento da geração eólica durante a noite. À CNN, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, reconhece que foram prazos apertados os colocados pelo MME e que o Brasil perdeu algumas janelas de oportunidades. “De fato, este é um leilão que era para ter sido realizado (…), informamos ao MME a continuidade de descontratação de térmicas importantes para o sistema. Mesmo assim, a expectativa é um leilão muito competitivo e concorrido, conta”, disse. O leilão vai negociar contratos de capacidade de geração (e não diretamente de energia) tanto para empreendimentos novos quanto para usinas já existentes que não possuem contratos ativos. De acordo com as diretrizes do certame, os contratos terão duração de 10 anos para usinas existentes e de 15 anos para novos projetos e ampliações. Ao todo, o leilão mobilizou um volume expressivo de interesse do mercado. Segundo dados do cadastramento técnico, foram inscritos 330 projetos, somando cerca de 120 gigawatts (GW) de potência . A maior parte é composta por termelétricas a gás natural, que respondem por mais de 110 GW cadastrados, seguidas por ampliações de hidrelétricas e projetos a carvão. Também há participação de usinas movidas a óleo e biodiesel, que somam cerca de 5,9 GW distribuídos em 38 projetos. Apesar do interesse elevado, o leilão foi marcado por controvérsias. O Ministério de Minas e Energia revisou as regras e os parâmetros econômicos antes de remarcar a disputa. Outro ponto de tensão envolveu os preços iniciais definidos pelo MME, que foram alvo de críticas por parte de agentes do mercado. As referências acabaram sendo revisadas pelo governo, mas ainda assim motivaram a abertura de uma investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura possíveis irregularidades na formulação das diretrizes. Mesmo assim, o leilão deve ocorrer sem intercursos. O risco de um blecaute por falta de potência tem feito técnicos do TCU recomendarem que a corte não interfira no leilão, já que mais um atraso na licitação aumentaria o risco de um apagão. Mesmo diante das divergências, o leilão é visto como estratégico para o futuro do sistema elétrico brasileiro. Com a expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, cresce a necessidade de fontes despacháveis capazes de garantir estabilidade e confiabilidade ao sistema.