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Equador inicia extração de petróleo com fracking na Amazônia

Poço com produção fica na província amazônica de Sucumbíos, na fronteira com a Colômbia, e é operado em parceria entre a Petroecuador e empresa chinesa. Ténica usada é criticada por alto impacto ambiental. A empresa petrolífera estatal do Equador, Petroecuador, anunciou nesta quarta-feira (29/04) que iniciou sua primeira extração de petróleo na Floresta Amazônica utilizando fraturamento hidráulico, ou fracking, uma técnica criticada por seu impacto ambiental. O novo poço de petróleo na Amazônia deverá produzir mais de 930 barris por dia, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Energia. A descoberta foi feita na província amazônica de Sucumbíos, na fronteira com a Colômbia, onde a Petroecuador, em parceria com a empresa chinesa CCDC, subsidiária da CNPC, implementou o fraturamento hidráulico na camada de calcário A, uma área do subsolo onde esse tipo de extração não é tradicionalmente realizado. O país se torna um dos poucos na região, juntamente com Argentina e México, a utilizar esse método, que consiste em fraturar rochas de xisto com grande quantidade de fluidos, como água, sob alta pressão para extrair gás e petróleo bruto. A técnica também utiliza produtos químicos poluentes, motivo pelo qual é rejeitada por ambientalistas. O país se torna um dos poucos na região, juntamente com a Argentina e o México, a utilizar esse método. A decisão do Equador ocorre num momento em que cerca de 50 países se reúnem numa cúpula na cidade colombiana de Santa Marta para avançar na redução do consumo de combustíveis fósseis. O Equador não participa da reunião, assim como os principais produtores globais de petróleo, como os Estados Unidos, a China e a Rússia. Devido a fatores como a falta de investimento, a produção de petróleo do Equador caiu para 441 mil barris por dia até 2025. Dessa produção, o país exportou 74%, gerando receitas de cerca de 10 bilhões de dólares por ano, dependendo do preço do barril. as (Efe, AFP,  OTS)

O paradoxo da Noruega, país que ganha bilhões com aumento do petróleo mas o consome cada vez menos

A Noruega é considerada um dos países mais verdes do mundo. As bicicletas são onipresentes nas suas cidades, 98% da sua eletricidade provém de fontes renováveis e nove em cada 10 carros novos vendidos em 2024 foram veículos elétricos. A Noruega é também o país membro da Agência Internacional de Energia em que a eletricidade representa a maior proporção do consumo total de energia. E foi um dos primeiros a criar impostos sobre as emissões de carbono. Mas, ao mesmo tempo, o país não deixa de aumentar sua produção de gás e petróleo e exportar massivamente os combustíveis fósseis contaminantes. Esses recursos representam a maior fonte de receita do Estado norueguês e formam o pilar do famoso fundo soberano, o chamado “Fundo do Petróleo”, que garante a solvência do generoso sistema de aposentadorias e bem-estar do país. Essa contradição entre a descarbonização interna e seu papel como grande exportador global de combustíveis fósseis é conhecida como “paradoxo norueguês” e gera, há anos, um intenso debate político e social. De um lado, grupos ambientalistas e jovens ativistas exigem compromissos concretos e um calendário para reduzir a atividade petrolífera. Do outro, o setor do petróleo e gás defende sua importância para a economia e as centenas de milhares de empregos gerados por ele. A guerra no Oriente Médio e o aumento dos preços globais do petróleo e gás causado pelo bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz geraram enormes e inesperados benefícios para a Noruega, mas também reabriram um dos seus debates internos mais incômodos. “Para um ambientalista norueguês como eu, é claro que essa é uma situação vergonhosa”, declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o presidente da associação ecologista Amigos da Terra Noruega, Truls Gulowsen. Importância estratégica A Noruega é um dos países mais desenvolvidos do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. E o setor de energia é a sua principal fonte de riqueza. As exportações do setor representam mais de 60% do total dos produtos vendidos para o exterior e somam mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O Estado mantém participação majoritária no conglomerado Equinor, o principal operador da plataforma continental norueguesa, e destina a maior parte dos seus benefícios ao fundo soberano. No final de 2025, o fundo contava com ativos no valor estimado de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 9,4 trilhões), o equivalente a US$ 350 mil (R$ 1,7 milhão) por cidadão do país. No contexto atual de 2026, as tensões no Oriente Médio indicam que esses números continuarão aumentando. O Estado norueguês recebeu US$ 5 bilhões (cerca de R$ 24,7 bilhões) a mais desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. E a Bolsa de Valores da capital norueguesa, Oslo, bateu recordes graças às companhias locais do setor de energia. O governo trabalhista tentou neutralizar a ideia de que o país que concede o Prêmio Nobel da Paz vem enriquecendo com os transtornos da guerra. O ministro das Finanças norueguês e ex-secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, destacou que esse é um paradoxo, já que a Noruega “se beneficia mais da paz”. Mas, como afirmou a colunista da rede pública norueguesa de rádio e televisão NRK, Cecilie Langum Becker, “a dura realidade é que, quando o mundo está em chamas, o dinheiro flui para o nosso orçamento estatal”. Essa dinâmica já havia ficado clara em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia reduziu drasticamente as exportações de Moscou para a Europa. Desde então, a Noruega surgiu como o último fornecedor confiável de um continente assolado pela crise energética. “Fornecemos, hoje, cerca de 30% do gás e 15% do petróleo que é consumido na Europa, para onde enviamos 90% das nossas exportações”, explica à BBC a analista Thina Saltvedt, da empresa financeira Nordea. A descarbonização Apesar das suas jazidas petrolíferas, a Noruega possui, há décadas, uma das infraestruturas mais limpas da Europa, graças à sua rede hidrelétrica. Em 1991, o governo norueguês criou um imposto ao carbono, para promover a energia limpa. Em 2005, incentivos transformaram o país no líder mundial em carros elétricos. E, em 2017, o Parlamento da Noruega aprovou a Lei do Clima, para reduzir as emissões em 50% até 2030. Mas o atual contexto internacional parece ter freado esta tendência. Os conflitos na Ucrânia e no Irã obrigaram até mesmo os partidos mais “verdes” a aceitar que o gás norueguês é um “mal necessário” para a segurança energética da Europa. Para Gulowsen, a narrativa dominante, agora, é que a instabilidade global justifica a aposta nos hidrocarbonetos. “Fala-se em abrir áreas em águas profundas do Ártico, que são ambientes vulneráveis onde não deveria haver exploração, em nenhuma hipótese.” O que acontecerá agora? O governo do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, ofereceu recentemente 57 novas licenças de exploração. “Continuaremos buscando mais petróleo para fornecer à Europa, prometeu Støre. Ele aposta no “desenvolvimento” da indústria, em vez de estabelecer “fases de saída”. Apesar da pressão dos setores mais jovens do seu partido, Støre não tem intenção de defender um calendário de abandono. Pelo contrário, ele aposta na zona menos explorada do país (o mar de Barents) para compensar a queda das jazidas atuais. Frode Alfheim, do sindicato Industri Energi, relembrou à BBC News Mundo a importância social do setor. “Estamos falando de mais de 200 mil postos de trabalho diretos”, destaca ele. “Não é o momento de deixar a Europa sem fornecimento.” Já Saltvedt conclui com uma advertência. “Cada vez mais pessoas se dão conta de que há um pôr do sol no horizonte. Mas será doloroso.”

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