Proposta prevê cascatas submarinas para gerar eletricidade e transformar a paisagem da ilha africana, além de um programa de reintegração social para presos
Inspirada na árvore mais emblemática de Madagascar, o baobá, uma estrutura monumental em pleno oceano propõe unir arquitetura, geração de energia e transformação social em um único projeto. Concebida pelo designer Ahmad Eghtesad, a chamada Cachoeira Baobá imagina uma usina hidrelétrica flutuante capaz de abastecer comunidades, fomentar a capacitação profissional e, futuramente, impulsionar o turismo sustentável na ilha africana.
Em vez de limitar-se a uma solução técnica, Ahmad concebeu uma infraestrutura multifuncional. No centro do complexo, ergue-se um edifício monumental inspirado no baobá — árvore de tronco espesso com ampla capacidade de armazenar água em condições extremas. A referência se revela tanto na volumetria quanto no conceito do projeto, pensado para sustentar e regenerar a vida ao seu redor.
O “tronco” da construção abrigaria espaços administrativos, áreas residenciais e ambientes destinados ao cultivo agrícola. Em estufas transparentes distribuídas por diferentes níveis, os moradores do complexo — inicialmente pensado para receber detentos em processo de reabilitação — teriam acesso a treinamentos agrícolas e ao aprendizado de novas habilidades profissionais.
A proposta prevê ainda que os alimentos cultivados sejam comercializados internamente, estimulando atividades econômicas e preparando os participantes para a reinserção social após a saída do sistema prisional.
Ao redor da estrutura principal, o oceano assume papel central. O projeto prevê um sistema circular de engenharia marítima capaz de conduzir a água do mar até turbinas instaladas em profundidade. O fluxo constante geraria imensas “quedas-d’água” artificiais sob a superfície, transformando a movimentação marítima em eletricidade renovável.
Mais do que infraestrutura energética, a intervenção foi concebida para se tornar um marco visual. As cascatas circundariam uma área verde central repleta de vegetação tropical, funcionando como uma barreira natural contra o mar aberto e criando uma paisagem de forte apelo turístico. Sob a superfície, uma ampla cúpula de vidro resistente à pressão conectaria visitantes e residentes ao ecossistema marinho local, permitindo a observação dos recifes de coral e das espécies migratórias sem interferir no equilíbrio ambiental da região.
A longo prazo, a proposta prevê uma transformação gradual do complexo. Com a redução dos índices de criminalidade, a estrutura deixaria de funcionar como centro de reabilitação para se tornar um resort ecológico público, aliado à produção de energia verde e capaz de ampliar o potencial econômico da costa de Madagascar.