Benefícios das PCHs e CGHs

UMA VISÃO QUESTIONADORA

 

Todos sabemos que a distribuição de energia elétrica e a disponibilidade da geração hidrelétrica são hoje essenciais não só à vida humana, mas ao meio ambiente de qualquer país, devido à grande reserva de recursos hídricos que precisa existir para produzir-se a energia necessária.

A gigantesca extensão territorial do Brasil, seu relevo, sua hidrologia, seu regime de chuvas, faz do Brasil o terceiro maior potencial hidroelétrico do mundo, atrás só da China e da Rússia, conferindo ao nosso país uma grande vantagem competitiva, por várias razões que esse texto pretende não apenas detalhar mas questionar quanto ao seu pouco aproveitamento. Afinal, nada menos do que 10% por cento de todos os potenciais hidroelétricos do mundo estão no território brasileiro.

Nenhuma argumentação ambiental poderia explicar por que nosso país ainda importar óleo diesel refinado para gerar energia e evitar apagões em épocas de estiagem que são totalmente previsíveis, gerando energia por preços 600% superiores aos das hidrelétricas, além de jogar milhões de toneladas de particulados cancerígenos e gases de efeito-estufa na atmosfera.

A primeira e mais importante das vantagens de uma hidroelétrica é utilizar como “combustível” apenas água para gerar energia, algo precioso tanto agora como no futuro, pois essa riqueza, a água, para poder gerar energia, antes precisa ser armazenada em reservatórios que, formam gigantescos depósitos de água doce, uma riqueza que vai se tornando cada vez mais escassa em todo mundo.

Essa água, é bom dizer, diferente do diesel, do gás ou do carvão não é consumida para gerar energia mas sim utilizada e devolvida em melhor estado ao rio, do que entrou. Mas segundo pesquisa,  o fato de que as hidrelétricas não “consomem” a agua, é ignorado por pelo menos 12% dos entrevistados,  para os quais a agua para gerar energia deixa de existir.

Neste campo, o Brasil além de possuir um grande potencial para crescer, ostenta a invejável posição de já ser o maior produtor de energia renovável do mundo com uma Matriz Energética dotada da impressionante proporção de 70% a 30% com relação à energia fóssil, contra valores como os da Rússia, Índia, China e Estados Unidos, que gastam mais de 70% de energia fóssil, petróleo, carvão, urânio, para gerar a eletricidade que precisam.

Outro aspecto fundamental que os detratores das hidrelétricas costumam “esquecer” apesar de seu discurso geralmente “ambientalista” é a enorme diferença entre as emissões de gases de efeito estufa por parte das hidrelétricas quando comparadas com as demais fontes.

Não raro, investigações realizadas por autoridades judiciárias de vários países, tem constatado que alguns grupos auto intitulados “defensores do meio ambiente” que atacam as hidroelétricas, usam contratos de prestação de serviços firmados com gigantes do ramo petrolífero para suportar seu ativismo “voluntário”. A maioria, sediados em países que já esgotaram ou possuem muito pequeno potencial hidráulico remanescente para gerar energia hidrelétrica.

Não raro também, esses grupos vão além da propaganda e passam a desempenhar “ações diretas” procurando envolver povos originários em conflitos muitas vezes sangrentos, visando impedir a construção de novas hidrelétricas, mesmo as bem projetadas e ambientalmente corretas. Mas muitas  algumas vezes, é preciso reconhecer, agindo com motivos justificados, quando os projetos são mal elaborados.

Afinal, sempre que não existirem novas hidrelétricas, com novos reservatórios, para atender o consumo crescente que é resultado do crescimento populacional, apenas os derivados de petróleo, que pagam a atividade “conscientizadora voluntária” destes grupos, poderão ser usados pela sociedade, emergencialmente ou por anos e anos, como a única fonte de energia estável e permanente, sem a qual, tudo pode parar. Ou seja: apenas a velha concorrência comercial, agora sob a roupagem limpa e “verde” que na verdade é muito mais suja e cinzenta que uma hidrelétrica.

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Atuando como inimigos dos reservatórios das hidroelétricas, de forma consciente ou inconsciente, muitos apressadamente se “esquecem” as vantagens da existência de lagos naturais e artificiais, desde que construídos com base em projetos sustentáveis e dirigidos pelos princípios ESG (Environmental, Social, Governance)

 

AS HIDROELÉTRICAS SÃO MESMO “GRANDES VILÃS” DA NATUREZA?

 

A concorrência, todos sabemos, é a base onde se desenrolam as grandes disputas e mesmo batalhas comerciais dos sistemas econômicos de livre mercado.

Desde o automóvel que adquirimos, até à margarina que passamos no pão, os consumidores somos movidos pela ARTE DA PROPAGANDA, que já existia em Atenas, desde 2000 AC.

Na produção e comercialização da energia elétrica isso não seria diferente, existindo uma forte, mas surda concorrência entre as várias fontes de energia e as empresas que as produzem, uma para tomar mercado das outras.

Uma destas fontes não tem publicidade alguma: a hidrelétrica. Ninguém vê na televisão ou na internet nenhum anúncio deste tipo de energia, que na verdade sustenta mais de 80% de todo o consumo no Brasil. Ou melhor, apenas vemos publicidade NEGATIVA. Paga, naturalmente, por empresas de fontes concorrentes pelo mesmo mercado.

Uma hora são enchentes, outra hora são desmoronamento de barragens de mineração, que nada tem a ver com hidrelétricas, outra hora são conflitos com posseiros, indígenas e população marginalizada. A verdade é uma só: quanto menos hidrelétricas existirem, menos capacidade de armazenar água doce da chuva haverá. E mais dependentes de combustíveis fósseis estaremos.

Logo deles, que são caros, importados e altamente poluentes.

Neste primeiro número de nossa Revista Técnica, nós tomamos um lado: o lado das energias renováveis, principalmente das hidrelétricas, sem medo de sermos “crucificados”.

De forma bastante simples e direta a ENERCONS pretende apresentar uma outra visão sobre essas que são chamadas injustamente de grandes “vilãs ambientais”, visando assim enriquecer o debate que normalmente é tão pouco técnico, tão cheio de sensacionalismo e principalmente de interesses comerciais.

De forma rápida, com textos curtos e muitas imagens reais, vamos levar nossos leitores a um sobrevoo agradável e ao mesmo tempo intrigante, sobre um conjunto de benefícios que fica continuamente oculto da opinião pública, por que as hidrelétricas não colocam anúncios na mídia, mas só energia nos bilhões de residências, fábricas, escolas, hospitais, bancos, lojas comerciais, trens, metros, em todo o mundo.

BENEFÍCIOS PARA O LAZER, TURISMO E NAVEGAÇÃO

Quando extensos, os reservatórios das hidrelétricas são adequados à navegação, transporte de cargas e de passageiros, ao turismo e ao lazer, como nos casos das Usinas de Xingó e de Furnas, conhecida como “O Mar de Minas Gerais”.

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O turismo em torno de reservatórios de hidrelétricas é muito grande nas regiões do interior do país, tendo-se constituído em uma alternativa às longas e caras temporadas no litoral, distantes às vezes mais de 2500 km da moradia do “veranista”.

E lógico, em excelente oportunidade local para negócios nos ramos hoteleiro, alimentação, esportes aquáticos e náuticos. Além é claro, de economizar combustível….

Importante levar em consideração ainda, que do ponto de vista da indústria do Turismo, os reservatórios costumam trazer para a região onde são construídos, grandes e pequenos empreendimentos comerciais relacionados às atividades de recreação, esportes e lazer, como na hidrelétrica de Itá.

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Também o ramo imobiliário ganha com reservatórios, pois atraem investimentos em clubes, casas de campo, condomínios, marinas e resorts como na hidrelétrica de Furnas, da Eletrobrás.

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Este desenvolvimento imobiliário da beira dos reservatórios, quando ocorre, cria empregos também nas áreas de construção de residências, restaurantes, pousadas e hotéis.

BENEFÍCIOS PARA O MICROCLIMA LOCAL

Os lagos dos reservatórios ajudam a regularizar o clima, transformando áreas antes secas e áridas, em regiões habitáveis, como por exemplo, o entorno do Lago do Paranoá, em Brasília, formado pela construção da Usina Hidrelétrica do Paranoá e hoje cartão de visita da capital do Brasil, com os terrenos mais caros do Brasil por metro quadrado, devido exatamente à formação do Lago.

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BENEFÍCOS PARA O LAZER URBANO E PROTEÇÃO CONTRA ENCHENTES

Em Curitiba, o Lago do Barigui, ponto de lazer de toda a região, ao ser criado ainda na década de 70, trouxe não apenas enorme beleza disponibilizada aos cidadãos, mas criou ainda criou um grande bolsão para a retenção de volumes extraordinários de agua da chuva que inundavam os bairros populares da Cidade Industrial todos os anos.

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Em 2019, graças a um projeto pioneiro da ENERCONS, que foi assumido pela ABRAPCH, uma minicentral hidrelétrica de 70 kW, com turbina helicoidal, passou a gerar energia para abastecer a iluminação pública do Parque do Barigui, em Curitiba.

Além de economizar recursos públicos e colocar em operação uma turbina pensada a 2500 anos pelo famoso Arquimedes, mas ainda inovadora este foi mais um caso do chamado USO MÚLTIPLO DOS RECURSOS HIDRICOS, num caso que poucas outras fontes podem ostentar: proteção contra enchentes, lazer, turismo e geração de energia de energia elétrica.

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BENEFÍCIOS PARA O ABASTECIMENTO DAS CIDADES  

A propaganda negativa contra as hidrelétricas tem muito cuidado também em se “esquecer” que várias cidades do Brasil e do mundo tem seu abastecimento de água potável oriundo dos reservatórios de usinas hidrelétricas, que usam a água de forma planejada e compartilhada.

Estação de Tratamento de Água (ETA) de Limeira (Foto: Luciano Andrade)

Limeira, no interior de São Paulo é uma delas, premiada em 6º lugar entre os 100 maiores municípios do país, num estudo do Instituto Trata Brasil, com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

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Toda a Região Metropolitana de Salvador, a primeira capital do Brasil, também recebe água para o consumo de seus habitantes de uma Usina Hidrelétrica, a UHE Pedra do Cavalo no rio Paraguaçu, que nasce na Chapada Diamantina, 120 quilômetros de distância. A barragem é operada pelo Grupo Votorantim, que fica com a energia elétrica, mas também pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA).

Embora o reservatório tenha como função principal o abastecimento de água à Região Metropolitana de Salvador (RMS), da qual é a principal fonte devido ao fato de fornecer 60% de todo o volume consumido, também foi idealizada para regularizar a vazão, evitando as cheias que assolavam as cidades à jusante, como  São Félix e Cachoeira, cidades históricas importantes da Bahia.

Esse é um dos muitos casos de uso múltiplo da água que existem em todos os países do mundo, mas que são mantidos fora do olhar do consumidor e da população em geral, pois como dissemos antes, “hidrelétricas não colocam anúncio na TV”, nem patrocinam jogos de futebol ou desfiles de carnaval…

BENEFÍCIOS COM A CRIAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – APPs

As hidrelétricas são no Brasil e em toda parte, a única fonte de geração de energia que é obrigada por lei a constituir, cercar, monitorar e vigiar as chamadas “Áreas de Preservação Permanente”, conhecidas como APPs, que servem para proteger e recuperar a mata ciliar e a fauna nativas, fazendo-o totalmente às expensas dos empreendedores.

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As Áreas de Preservação Permanente, foram instituídas pelo Código Florestal (Lei nº 4.771 de 1965 e alterações posteriores) e consistem em espaços legalmente protegidos, cobertos ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade do solo e a biodiversidade, além de facilitar o fluxo da fauna e da flora e assegurar o bem-estar das populações humanas, visando atender ao direito fundamental de todo brasileiro a um “meio ambiente ecologicamente equilibrado”, conforme assegurado no art. 225 da Constituição.

BENEFÍCIOS COM O IMPEDIMENTO DE OCUPAÇÃO IRREGULAR DAS MARGENS, DEPOSIÇÃO DE RESÍDUOS, PREVENÇÃO DE ENCHENTES

A construção de uma grande ou pequena hidrelétrica, tem por benefício adicional impedir que exista deposição de esgoto, lixo, resíduos industriais e florestais, restos de agrotóxicos ou limpeza de recipientes, plantio e ocupação irregular por população carente de moradia.

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As áreas de preservação permanente criadas e conservadas pelas PCHs e CGHs, ao recuperar a vegetação original da região, contribuem significativamente para a conservação do solo, protegendo-o dos processos erosivos e do desmoronamento margens dos rios e do seu assoreamento, que pode ter efeitos muitas vezes catastróficos ao fazer com que as aguas saiam do leito dos rios provocando enormes prejuízos materiais e de vidas humanas em cidades ás vezes a grandes distancias do local.

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A obstrução dos rios por resíduos e assoreamento, durante enchentes, tem provocado grande número de mortes, pois flagelam regiões ribeirinhas nas quais, na verdade, nenhuma habitação ou benfeitoria deveria existir.

BENEFÍCIOS COM A RETIRADA DE RESÍDUOS E ELEVAÇÃO DO NÍVEL DE OXIGENAÇÃO DA ÁGUA

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As hidrelétricas, com suas grades metálicas que são instaladas nas tomadas d’água, prestam ainda um serviço inestimável ao meio ambiente pois retiram dos rios, quase diariamente, milhares de toneladas de detritos, arvores e animais mortos, contribuindo para preservar o escoamento livre e a qualidade da água, funcionando como um gigantesco filtro.

As hidrelétricas também ajudam a melhorar o desenvolvimento de plantas, animais e todas as espécies de organismos nos rios quando as suas águas ao passar pelas turbinas, vertedouros, canais e comportas, formam bolhas de ar, aumentando a quantidade de oxigênio dissolvido fazendo crescer muito melhor todos os seres vivos. 

        A oxigenação também pode ser reforçada por meio de aeradores elétricos, operando com a energia gerada da própria usina hidrelétrica, melhorando as condições do reservatório e de todo trecho a montante e a jusante do local do aproveitamento, contribuindo para o desenvolvimento adequado da ictiofauna.

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BENEFÍCIOS COM O MONITORAMENTO DA QUALIDADE DA ÁGUA

Antes mesmo da construção de uma pequena ou grande hidrelétrica, a água no trecho da usina passa a ser monitorada de forma permanente, auxiliando as autoridades sanitárias a evitar moléstias transmissíveis e a terem informações atualizadas sobre a qualidade do recurso hídrico.

BENEFÍCIOS MACRO AMBIENTAIS, PARA A AGROPECUÁRIA E O REFLORESTAMENTO

 Em termos macro ambientais é importante notar que as Áreas de Preservação Permanente criadas pelas hidrelétricas também contribuem para a agricultura, a pecuária e o reflorestamento ao se constituírem em abrigos adequados aos inimigos naturais de pragas, contribuindo na alimentação e reprodução da fauna local, reduzindo o uso de agrotóxicos nas áreas de extensa monocultura. 

Além disso, as áreas de preservação permanente criadas e mantidas pelas hidrelétricas fornecem refúgio para animais terrestres e aquáticos, além de alimento (pólen e néctar) para insetos polinizadores de culturas o que ajuda, e muito, nas crises Hídricas cíclicas, constituindo-se em autênticos corredores de fluxo gênico para os elementos da flora e da fauna, tornando possível a sua interconexão com áreas adjacentes ou de Reserva Legal.

BENEFÍCIOS À QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES LOCAIS, ESTADOS E MUNICÍPIOS

Do ponto de vista das condições de vida das populações locais, as PCHs, ao melhorarem a qualidade da água, melhoram a saúde das pessoas e dos animais, melhorando desenvolvimento da flora subaquática e da própria ictiofauna, tornando muito mais rentáveis as atividades produtivas como a piscicultura.

Qualquer hidroelétrica bem projetada e construída pode manter intacto e mesmo melhorar fluxo genético e migratório da ictiofauna, através de escadas de peixe e métodos de transposição, que ainda tem por vantagem adicional melhorar a oxigenação dos rios.

A piscicultura mais do que decuplicou sua produção nos últimos 20 anos no Brasil, mas as hidrelétricas poderiam ter muito mais a ver com esse crescimento pois sua utilização economizaria enormes investimentos         e custeios feitos hoje com bombeamento d’água, construção e manutenção.

Foto: Divulgação

Uma campanha de esclarecimento e incentivo poderia mostrar aos empreendedores de geração que a piscicultura pode, em determinados casos, aumentar em até 20% o faturamento da usina, com a receita obtida da produção de proteína de alto valor agregado representada pelos peixes.

 Além da piscicultura, os reservatórios das hidrelétricas, mesmo de pequeno porte, podem ser utilizados também para a irrigação da agricultura, em especial da fruticultura, gerando novas receitas e oportunidades de trabalho para os produtores rurais, com relativamente pequeno investimento.

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BENEFÍCIOS AOS ESTADOS, MUNICÍPIOS E À QUALIDADE DE VIDA

Do ponto de vista macroeconômico, somente nas obras de construção das 810 PCHs hoje à espera da licença dos órgãos ambientais, o Brasil geraria cerca de 200 mil novos empregos diretos e indiretos, segundo a metodologia do BNDES, movimentando investimentos de 70 bilhões de reais. Tudo isso ainda com a vantagem de evitar a importação de gás natural e óleo diesel usado em nossas termoelétricas fósseis que geram 12% do total consumido de energia em 2019.

Além disso, segundo estudos da ANEEL, a receita da operação de uma hidrelétrica provoca sensível aumento na cota-parte dos municípios sobre o Fundo de Participação dos Municípios – FPM, que gerencia todo o ICMS arrecadado por estado, levando recursos à base da estrutura social, sempre carente por recursos para a saúde, educação e assistência.

Devido ao pequeno porte da maioria dos municípios brasileiros, o impacto da renda de uma CGH ou PCH na geração de receita local pode ser muito expressivo e fazer com que haja grande impacto favorável na cota que aquele município terá do total da arrecadação do ICMS, representado pelo FPM, Fundo de Participação dos Municípios naquele tributo.

Quanto ao ISS, Imposto Sobre Serviços, é preciso levar em conta que na época da construção de uma hidrelétrica e durante todo seu longo período de vida útil, estimado em mais de 100 anos, a instalação e a manutenção de uma hidrelétrica de qualquer porte faz com que 5% das despesas sejam arrecadados pelos municípios na forma de imposto sobre serviços.

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Isso inclui também os empregos criados para manejo das áreas de preservação permanente que são mantidas pelos empreendedores, acrescida de toda uma cadeia de empregos diretos e indiretos no comercio local e no seu setor de serviços, oficinas, hotelaria, alimentação, etc.

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Ainda com relação aos benefícios para os municípios é importante ressaltar que as áreas reflorestadas pelas hidrelétricas, ao recomporem a vegetação das suas APPs, contribuem para o combate à erosão e desmatamento além de aumentar a cota do ICMS que é repassado pelos Estados aos municípios junto com o FPM quando se verifica aumento de sua área florestada.

A própria operação da usina enquanto fonte de geração de energia elétrica é uma atividade altamente especializada e cuidadosa, que exigirá pessoal qualificado geralmente recrutado localmente, aumentando as oportunidades e o nível do mercado de trabalho na região.

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BENEFÍCIOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, À MELHORIA NA OPERAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO DA REGIÃO

Do ponto de vista operacional, a instalação de uma PCH melhora muito o desempenho do sistema elétrico de toda a região, pois ajuda a regular o nível de tensão e a capacidade de atendimento, mantendo o suprimento local mesmo quando ocorre algum desligamento na energia que vem de outras regiões.

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Por sua vez, essa a melhoria da qualidade da energia numa região é um fator de grande importância na atração de novas indústrias, já que os equipamentos fabris estão cada vez mais automatizados e dependentes de eletricidade confiável, sem oscilações, nem picos.

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Do ponto de vista da operação do Sistema Interligado Nacional, a contribuição das hidrelétricas é muito importante, quase fundamental pois quando uma usina de energia renovável, de outra fonte que não a hidráulica, deixar de operar, como as fotovoltaicas à noite e em dias chuvosos, ela pode ser substituída automaticamente por energia de uma hidrelétrica, pelo sistema interligado.

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Isso acontece por exemplo, com as instalações fotovoltaicas, que quando deixam de produzir, por volta das 17 horas até às 8 horas da manhã seguinte, tem toda sua carga, muito maior à noite nas residências, assumida pelas hidrelétricas, ou eólicas ou térmicas fósseis muito mais caras, o mesmo acontecendo nos dias de chuva, quando existe baixo nível de insolação.

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Além disso, quando uma usina solar ao meio dia, estiver gerando o seu máximo, as usinas hidrelétricas poderão reduzir a sua produção, diminuindo a vazão de água turbinada e, assim, acumularão água e energia que será essencial depois que o Sol for embora até a madrugada do dia seguinte.

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CONCLUSÕES EVIDENTES, MAS AINDA NECESSÁRIAS

 

As hidroelétricas são como se fossem os sistemas bancários de um país, pois guardam, em vez de dinheiro, energia para o crescimento, para o dia a dia, para o funcionamento normal da sociedade. Quanto mais hidrelétricas, com mais reservatórios, menor o risco de faltar energia.

Quanto mais hidrelétricas, mesmo aquelas com pequenos reservatórios ou sem nenhum reservatório como as CGHs, menor será o custo da energia. Afinal se elas não existirem, o amargo remédio será usar energia vinda do petróleo, que é seis vezes mais cara, poluente, mal cheirosa e importada sob a forma de gás, óleo, urânio ou carvão.

Frente a tudo exposto acima resulta muito claro quanto estão equivocadas as opiniões que consideram que as hidrelétricas como uma tecnologia “fora de moda” e prejudicial, pois elas são na verdade a base de todo o nosso sistema de vida, armazenando energia na forma de água, para os mais variados usos. Inclusive para armazenar energia gerada por outras fontes renováveis.

Em 1970 o Brasil tinha 80 milhões de habitantes, hoje são 220 milhões. Como pensar que o conjunto de hidrelétricas construídos nesses últimos anos, dê conta de um crescimento desta ordem, de mais de 300% da população, com hábitos de consumo cada vez mais exigentes?

Como é possível “esquecer” que os reservatórios funcionam como verdadeiros acumuladores de energia renovável, armazenada não em caríssimas baterias de Lítio, mas sob a forma de água doce que pode ser potabilizada?


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Curiosamente, as hidrelétricas só se tornam um “problema” quando alguém se “esquece” e deixa de planejar e estimular a construção de novas hidrelétricas para armazenar a água da chuva em mais lugares!

E é só nesse ponto, quando as sociedades e os governos se vêm às voltas com um “apagão”, que teria sido perfeitamente evitável com uso da precaução e do planejamento, é que geralmente aqueles grandes responsáveis se lembram de procurar os culpados!  

E aí a culpa, estranhamente, passa a ser atribuída ao pobre São Pedro que não manda mais chuvas como mandava antigamente e “às antiquadas hidrelétricas”, por não terem se multiplicado sozinhas, ou por não produzirem água sozinhas!

Algo que poderia ser feito perfeitamente com as chamadas hidrelétricas de fluxo reversível de madrugada, como a Usina Billings que completará 120 anos de operação neste ano!

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A culpa então é das hidrelétricas por não terem se “autoconstruído” como se fossem gigantescos TRANSFORMERS de concreto e aço! Ou será por não existirem mais engenheiros como Henry Borden, que planejou e projetou essa jovem senhora usina, cujo exemplo é tão difícil de imitar?

É realmente incrível como não se enxerga nenhuma responsabilidade por parte de quem deixou de planejar e construir novas hidrelétricas para guardar a agua que continuou a cair do céu, mas não exatamente nos mesmos lugares onde os humanos previdentes de então, décadas atrás, haviam construído as hidrelétricas que necessitavam para atender ao crescimento da população da época.

A conclusão mais triste de tudo isso é que provocarmos o atraso em construir novas hidrelétricas resulta sendo muito conveniente e extremamente lucrativo para a indústria do petróleo pois é ela que será chamada para acionar as termoelétricas fósseis, com o seu ouro negro que patrocina e direciona a opinião pública, o carnaval, o futebol e a cerveja.

UM FUTURO LUMINOSO PARA O PEQUENO NEGÓCIO HIDRELÉTRICO

O crescimento da energia hidroelétrica nos últimos 20 anos em todo o mundo, representado em azul escuro no gráfico, mostra que apesar de ser menor do que o crescimento do fotovoltaico, (pois este é acessível a pequenos investidores e consumidores individuais), tem sido significativo em MW instalados.

E deve crescer mais ainda se pequenos e médios investidores aproveitarem as vantagens da geração distribuída como os consumidores residenciais estão aproveitando instalando suas próprias placas solares, mesmo sabendo que só funcionam 30% do tempo de um dia!

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Essa é a realidade que poucos percebem: o negócio hidroelétrico é um negócio de futuro garantido principalmente devido ao grande crescimento da geração solar nas residências, pois para suportar essa enorme carga à noite, apenas as hidroelétricas e as eólicas poderão ser utilizadas e novas precisarão ser construídas.

Na verdade, quanto mais solares foram instaladas no telhado das residências, usando majoritariamente equipamento importado, mais hidroelétricas serão necessárias para garantir o suprimento de todas elas à noite e nos dias chuvosos, construídas inteiramente com equipamentos e tecnologia nacional.

Além disso a regulamentação da geração distribuída já conferiu às hidrelétricas até 5 MW, as CGHs, os mesmos direitos de conectar-se diretamente às redes já existentes, sem precisar construir extensas linhas de transmissão desde os locais dos aproveitamentos até as subestações que ficam no centro das cidades. Isso reduziu muito o custo de implantação de uma CGH, acabando com aquela situação em que o custo para construir a linha de conexão era quase o mesmo ou maior do que o custo de construir a pequena usina.

FUTURO DO MERCADO DE CONSUMO POR HABITANTE

De acordo com estudo recente do Banco Mundial, a China e os Estados Unidos encabeçam o ranking dos maiores consumidores globais, com 40% do consumo primário de energia no mundo.

Considerando o período acumulado de 1990/2010, o Brasil tem a décima maior demanda mundial por energia básica. Ou seja, espaço para crescer não falta, mas faltam sim bons projetos e bons gestores, que conduzam seus negócios segundo princípios de sustentabilidade global, os princípios ESG, que significam Environmental, Social and Governance.

Quanto ao consumo individual de energia por habitante (medidos em KWh/ano/habitante), importante considerar que os índices do Brasil e da América Latina apenas ganham daqueles do continente africano. Porém não se pode esquecer que esses 99% de já atendidos no Brasil funcionam como garantia de crescimento de mercado para o investidor em geração.

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Afinal, já existindo o acesso, representado pelas redes urbanas e rurais, tudo fica mais fácil, pois o crescimento vegetativo do consumo por habitante poderá ocorrer e ser atendido à medida que evoluam os graus de exigência da população em termos de máquinas agrícolas e industriais, eletrodomésticos, computadores e outros itens do conforto e do aumento da produção.

A conclusão lógica é que, se mais empreendedores existissem, haveria muito espaço a ser ocupado por estas duas modalidades hidrelétricas menores, PCHs e CGHs, que operam com água, combustível gratuito, que não paga frete nem paga seguro, para conseguir deslocar pelo menos parte dessa caríssima energia termoelétrica fóssil do consumo prioritário.

Para finalizar essa nossa apresentação do produto “pequenos negócios de geração de energia hidrelétrica” faltou ainda mostrar a você que esse  tipo de energia tem alta complementariedade anual com as energias de fonte eólica e de fonte biomassa, pois quando uma atinge o seu máximo as outras estão no mínimo.

DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS HIDRÁULICOS DO BRASIL

Outra “lenda urbana” que ouvimos é que “O Brasil não tem mais potencial hidroelétrico para ser aproveitado”. Mas ainda existirão locais com potencial hidrelétrico para ser aproveitado no Brasil?

Já não acabaram esses locais? Onde estão situados? Qual seria a capacidade de geração de cada um deles? Estarão eles todos localizados e mapeados?

Onde estarão reunidas e disponíveis todas essas informações? Elas são mesmo confiáveis?

Como se poderia prospectar esses pontos, qualificar cada um deles, comparar suas características físicas e tomar a decisão de escolher os mais adequados para investir?

O quadro a seguir vai provar quanto de “lenda” existe nessas opiniões.  Segundo a ANEEL, ELETROBRÁS e a EPE, Empresa de Pesquisa Energética, em 2017 existiam já inventariados e estimados mais de 135 GW de novos potenciais hidrelétricos remanescentes a ser aproveitados, contra um total de 104 GW atualmente em operação, desde que em 1875, quando a primeira hidrelétrica foi instalada no Brasil nas minas de diamante de Minas Gerais, hoje município de Diamantina.

Ou seja, ao contrário do que dizem alguns, passados 145 anos da chegada da geração hidrelétrica ao Brasil, temos ainda para construir mais do que tudo que já construímos até hoje!

Mas claro, precisamos fazê-lo dentro de uma perspectiva ESG ( Environmental , Social , Governance ) sobre a qual falaremos adiante nesta Proposta Técnica e Comercial.  

A ELETROBRÁS atualiza anualmente esse potencial remanescente do país, através do sistema SIPOT, tanto por estado da federação como por sub mercado e por bacia hidrográfica.

   Existindo todo esse potencial remanescente para ser aproveitado, imaginando que iremos atuar de acordo com as exigências socio ambientais, como poderia um empreendedor ter acesso a essas informações?

Como um interessado poderá interpretá-las de forma a selecionar os locais com maiores quedas e vazões, melhores condições de construção, menores custos, menores distancias de conexão, menores perdas e distancias de transporte?

Como poderia um empreendedor transformar essas informações preliminares em estudos e projetos de engenharia de forma a construir um negócio viável, seguro, ambientalmente correto, lucrativo, sustentável e de governança fácil, rápida e transparente?

Como seria possível reunir recursos próprios ou de terceiros, de forma a captar financiamento, elaborar estudos, projetos e obter licenças ambientais, como por exemplo a Brookfield conseguiu para a PCH SACRE II, com 30 MW, em parceria com a tribo Parecis, no Mato Grosso, como faz há décadas no Canadá?

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Como um interessado de menor capacidade financeira poderia construir uma CGH de pequeno porte para arrendar a um consumidor ou conjunto de consumidores pelo sistema de geração distribuída, que similarmente à solar, pode ser conectado em qualquer linha existente na região, sem precisar conectar a subestação da concessionária?

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Como construir pelo menor custo, como operar uma usina hidrelétrica de pequeno porte de forma adequada e lucrativa? Como vender essa energia?

Como administrar de forma sustentável esse negócio, fazendo-o crescer com regularidade, atraindo novos investidores?

ESG E GERAÇÃO HIDRELÉTRICA DE PEQUENO PORTE

O caminho para responder a essas questões acima não é muito fácil, mas com certeza, vale muito a pena prosseguir estudando o assunto com a ENERCONS, mas claro, seguindo os princípios ESG

Devido à ampla aceitação dos princípios básicos do ESG é um caminho sem volta, que se reflete no apoio de 91% de apoio mundial da opinião pública para a energia hidroelétrica segundo a IPSOS.

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Por isso mesmo, já é muito grande hoje o interesse da sociedade, dos investidores e dos gestores de ativos por empresas que contenham e persigam em todo o conjunto do seu modelo de negócio os princípios ESG (Environmental, Social and Governance).

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Prova disso é a evolução dos valores arrecadados em investimento e negociados em Bolsas do mundo todo deste tipo de empresa, que adota os princípios ESG como roteiro de suas ações.

O próprio mercado de ações e de investimentos diretos mundial mostra uma evolução constante dos fluxos de dinheiro para setores que adotem os princípios ESG.

Esperamos que este conteúdo tenha sido de utilidade para você e sua empresa conhecer as muitas vantagens dessa fonte de geração de energia. Agradeceríamos muito que nos fizesse chegar seus comentários, contribuições e principalmente suas dúvidas e discordâncias com o texto, os fatos e as opiniões que apresentamos.

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