25 anos de experiência no mercado de energia

Thiago Barral, do MME: Energia limpa continuará sendo prioridade do planejamento

Em entrevista exclusiva, o secretário fala do desafio de amadurecer as novas tecnologias da próxima década e da avaliação criteriosa sobre eventuais incentivos O governo vai priorizar o crescimento da energia limpa, segura e sustentável ao longo da década, não apenas na matriz elétrica, mas no setor energético como um todo, para sustentar o crescimento da demanda. A diretriz foi anunciada pelo secretário de Planejamento e Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, Thiago Barral, em entrevista à Agência CanalEnergia. Paralelo a isso, afirma Barral, o planejamento terá que enfrentar o desafio de amadurecer novas tecnologias e modelos de negócio, que na década seguinte possam entregar uma descarbonização que vá além do que a eólica, a solar, as hidrelétricas e a biomassa já entregam hoje. O objetivo é avançar em marcos legais e políticas estruturantes, como o Programa Nacional de Hidrogênio e outras políticas para descarbonização. Sem se furtar a discutir eventuais incentivos temporários às novas fontes, um ponto que não é descartado, mas que ainda precisa passar por uma avaliação criteriosa, para garantir racionalidade e evitar impactos tarifários ao consumidor de energia. “Existem novas fronteiras para o desenvolvimento das energias limpas, e para isso e necessário um direcionamento claro dos recursos de pesquisa, desenvolvimento, inovação, e também dos marcos legais e regulatórios para acolher essas novas tecnologias”, explica o secretário. Trechos da conversa com Thiago Barral também estão na reportagem especial Governo busca diálogo para transição, mas não escapa de polêmica com uso de fósseis. Confira a íntegra da entrevista: Agência CanalEnergia: O governo já sinalizou que a questão do meio ambiente deve ser tratada de uma forma transversal, envolvendo não apenas o MMA, mas várias outras pastas, como o MME, por exemplo. Essa interlocução já está acontecendo? Thiago Barral: O presidente Lula deixou muito claro que a questão climática é uma prioridade na administração dele. E, nesse sentido, o ministro Alexandre Silveira nos encomendou toda uma orientação de pauta para que possamos fazer jus a essa orientação do presidente Lula. Nesse sentido, o primeiro passo que nós estamos seguindo nessa orientação do ministro Silveira foi exatamente buscar a interlocução com os diversos ministérios. Não só o Meio Ambiente, mas, por exemplo, a gente já teve contato com o Ministério da Fazenda, Casa Civil, com o próprio Ministério do Meio Ambiente. A gente tem conversado com o Itamarati, com o MDIC, exatamente para estabelecer as conexões com as pessoas que vão estar na linha de frente, dado que a transição energética é um tema que tem muitos elementos transversais. E essa interlocução do Ministério de Minas e Energia com os demais ministérios é fundamental para a gente ter essa coordenação. Então, a gente tem feito esse esforço de estabelecer essa rede e esse compartilhamento de prioridades dentro de cada uma das pastas com o enfoque da transição. Agência CanalEnergia: E vocês já chegaram a aprofundar alguma coisa? Thiago Barral: Vou te dar um exemplo: ontem mesmo [quarta-feira, 29 de março]  tive reunião com Ana Toni, que é a secretária nacional de Mudança do Clima [do Ministério do Meio Ambiente]. E aí, obviamente, nessas reuniões o que a gente passa primeiro é uma visão sobre como cada pasta estava enxergando as prioridades. De forma que a gente possa trabalhar conjuntamente nessas prioridades comuns. A outra esfera de coordenação que já foi inaugurada também para a transição energética é o Conselho Nacional de Política Energética. Tivemos a primeira reunião do ano do CNPE, que é um conselho presidido pelo ministro, mas que contou com a presença do presidente Lula e de vários outros ministros. E foi realmente uma reunião muito produtiva, porque a gente teve oportunidade de receber orientações, discutir entre os vários ministros e alinhar um pouco a pauta do gás natural e da transição energética. Inclusive, tivemos a oportunidade de apresentar a governança do Programa Nacional do Hidrogênio e discutir um pouco sobre isso. Então, nesse momento de início do governo, essa articulação por meio dessas interações e compartilhamento das prioridades com os diversos ministérios que tem a contribuir para a transição. E também essa agenda junto ao Conselho Nacional de Política Energética, e obviamente que nós vamos preparar uma série de outras pautas para o CNPE. Agência CanalEnergia: Nessa questão da expansão especificamente, pensando nas metas que o Brasil tem que cumprir em 2050 de net zero. Lógico que o setor energético vai ter um papel e o setor de energia elétrica também, embora não sejam os grandes emissores no Brasil, especificamente. Tem alguma orientação em relação ao tipo de contribuição que o setor pode dar nesse esforço de neutralizar as emissões? Thiago Barral: Tem várias mensagens importantes aqui. Primeiro a gente vai ter a COP 28 e vai ser um momento importante em que o governo brasileiro vai atualizar a sua posição em relação às metas e as trajetórias que o Brasil se propõe a cumprir na redução das emissões. Obviamente que o destaque hoje no perfil das emissões no Brasil não é energia. Pelo contrário, energia é o destaque positivo. No caso do setor elétrico, ano passado foi, salvo engano, 87% de renovabilidade, e a matriz energética como um todo quase 50% de renovabilidade, o que é realmente um diferencial. Agora, existem dois processos que correm paralelos. Você tem os investimentos em fontes de energia limpa para sustentar o crescimento da demanda, mas também tem outro processo paralelo que é seguinte: a gente tem o desafio de amadurecer novas tecnologias e modelos de negócio que precisam passar por esse amadurecimento, para que na próxima década, por exemplo, possam entregar uma descarbonização que vá além daquilo que a eólica, a solar, as hidrelétricas e a biomassa já entregam hoje. Existem novas fronteiras para o desenvolvimento das energias limpas, e, para isso, é necessário um direcionamento claro dos recursos de pesquisa, desenvolvimento, inovação, e também dos marcos legais e regulatórios para acolher essas novas tecnologias. Então, o ministro Alexandre Silveira tem colocado essa prioridade para que a gente busque priorizar a energia limpa, segura, sustentável nos

Reservatórios de hidrelétricas fecham março com melhor nível de armazenamento da última década

Níveis estão acima de 80% em todas as regiões do País; usina de Goiás exportou energia para Argentina e Uruguai Os reservatórios das usinas hidrelétricas fecharam o mês de março com 85,3% de sua capacidade de armazenamento, os melhores níveis do Sistema Interligado Nacional (SIN) registrados na última década. A situação é bem distante do que aconteceu em 2021, quando o Brasil enfrentou uma grave escassez e precisou adotar medidas emergenciais para garantir o suprimento de energia. Foram verificados armazenamentos equivalentes de 83,1%, 82,9%, 91,4% e 97,7% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, no mês passado, informou o Ministério de Minas e Energia (MME). O levantamento foi apresentado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta quarta-feira. O colegiado, presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é responsável por acompanhar e avaliar permanentemente o fornecimento do serviço à população. No dia 25 de março, a Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Goiás, registrou o maior valor de armazenamento já observado desde 2012. Este cenário proporcionou um melhor aproveitamento dos excedentes hidrelétricos, permitindo, ainda, a exportação de energia elétrica de forma comercial para a Argentina, de 1.138 MWmédios, e Uruguai, de 482 MWmédios. A pasta ressaltou que a exportação não prejudicou a segurança energética nacional, bem como os serviços oferecidos aos consumidores brasileiros. “Além desses montantes, a partir de 12 de março, a exportação também foi proveniente de usinas termelétricas que não estavam sendo utilizadas para atendimento ao SIN, agregando mais 269 MWmédios para a Argentina.” “Sobre a redução das chuvas, o colegiado informou que já houve o encerramento da política de operação em condição de cheia nas bacias dos rios São Francisco e Grande, com redução das defluências. Além disso, foi destacado a verificação do encerramento de excedentes hidrelétricos nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, permanecendo apenas no Norte”, informou o MME. O ONS informou ainda que a Agência Norte-Americana dos Oceanos e Atmosfera (NOAA) decretou, em março, o fim do fenômeno La Niña. Há indicativo de que o fenômeno El Niño se estabeleça no segundo semestre de 2023, o que normalmente aumenta a precipitação na região Sul. Também foram apresentados os dados da 1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027, realizado em março. “Para 2023, o crescimento previsto é de 2,6% na carga, sem considerar a micro e minigeração distribuída (MMGD). No estudo, a expectativa de crescimento do PIB em 2023 foi revisada de 0,7% para 1,0%.”

Região Norte conta com 98,4% da capacidade

A Região Norte contou com níveis estáveis, no último domingo, 09 de abril, segundo o boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O subsistema está operando com 98,4% da capacidade. A energia armazenada mostra 15.063 MW mês e a ENA aparece com 30.425 MW med, o mesmo que 74% da MLT. A UHE Tucuruí segue com 99,46%. O subsistema do Nordeste teve queda de 0,1 ponto percentual e opera com 91,1% da sua capacidade. A energia armazenada indica 47.102 MW mês e a energia natural afluente computa 4.325 MW med, correspondendo a 43% da MLT. A hidrelétrica de Sobradinho marca 94,41%. A região Sudeste e Centro-Oeste teve elevação de 0,3 p.p e está com 84,9%. A energia armazenada mostra 173.768 MW mês e a ENA aparece com 54.047 MW med, o mesmo que 80% da MLT. Furnas admite 99,84% e a usina de Itumbiara marca 98,60%. A Região Sul subiu 0,4 p.p e está operando com 84,2% da capacidade. A energia armazenada marca 17.235 MW mês e ENA é de 5.621 MW med, equivalente a 71% da média de longo termo armazenável no mês até o dia. As UHEs G.B Munhoz e Passo Fundo funcionam com 99,71% e 80,42% respectivamente.

Reservatório de Furnas atinge 100% de volume

Após 12 anos, o reservatório da UHE Furnas (MG – 1.216 MW) alcançou, na última quinta-feira, 5 de abril, a marca de 100% do volume de armazenamento, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. O reservatório não alcançava sua capacidade máxima desde o dia 13 de março de 2011. Em janeiro deste ano o vertedouro da Usina de Furnas foi aberto pela primeira vez em 10 anos. A UHE Furnas representa 17,12% da capacidade de armazenamento de energia no Subsistema Sudeste / Centro-Oeste. Seu reservatório permite a regularização do Rio Grande e contribui para a produção de energia em todas as usinas à jusante na bacia, até a Usina Hidrelétrica Itaipu, otimizando a operação em toda bacia do rio Paraná. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da marca para a produção de energia renovável e para a geração de emprego e renda nas regiões Sudoeste e Sul de Minas Gerais, principalmente com as atividades do ecoturismo. De acordo com ele, o lago cheio representa emprego e renda no ecoturismo, na piscicultura e em outras atividades. Ainda segundo o ministro, o volume máximo também representa o trabalho para otimização do Sistema Interligado Nacional para potencializar e priorizar a geração de energia com fontes renováveis.

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