SIN deve encerrar setembro com aceleração de 5,0%

ONS também indica avanço nas demandas de carga em todos os subsistemas, tendo o Norte a expansão mais expressiva: 8,7% O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) da semana operativa entre 26 de agosto a 1° de setembro apresenta cenários prospectivos, para o final de setembro, e indica avanço nas demandas de carga. O SIN deve encerrar o próximo mês com aceleração de 5,0%. A expansão mais expressiva deve ser do Norte, com 8,7%, seguido pelo Sudeste/Centro-Oeste, com 5,0%. No Nordeste, as estimativas são de 4,4% e no Sul estão em 3,5%. Os percentuais comparam os resultados para o final de setembro de 2023, ante o mesmo período do ano passado. As projeções de Energia Armazenada (EAR) ao final de setembro apontam três subsistemas com percentuais superiores a 70%: Sul (92%), Norte (74,1%) e Sudeste/Centro-Oeste (73,9%). Se esta previsão para o Sudeste/Centro-Oeste se confirmar, será o melhor patamar de EAR para setembro, na região, em toda a série histórica iniciada em 2000. Por fim, o Nordeste deve atingir uma EAR de 68,9%. As indicações para a Energia Natural Afluente (ENA) em setembro são compatíveis com o período tipicamente seco em curso. A ENA mais elevada é prevista para o Sul: 121% da Média de Longo Termo (MLT). Para o Sudeste/Centro-Oeste estima-se 85% da MLT. Os demais subsistemas apresentam os seguintes resultados: Nordeste, com 72% da MLT e o Norte, com 62% da MLT. O Custo Marginal de Operação (CMO) se mantém zerado em todos os subsistemas, assim como vem sendo registrado em todo 2023.
Novas hidrelétricas trarão mais segurança energética, diz Fiemg…

Federação de Indústrias de MG defende simplificação da legislação ambiental para viabilizar investimentos e evitar apagões… O apagão nacional que afetou 25 Estados e o Distrito Federal em 15 de agosto acendeu o sinal vermelho na indústria, setor que mais consome energia no país. A preocupação central é com a segurança energética do SIN (Sistema Interligado Nacional) diante da crescente participação de fontes intermitentes na matriz elétrica, como usinas eólicas e solares. Para reduzir os riscos de novos apagões, um caminho seria a ampliação do parque hidrelétrico. É o que defende a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), que iniciou uma ofensiva para estimular o debate sobre a necessidade de construção de novas hidrelétricas no país. A entidade afirma que esses investimentos dariam maior segurança ao fornecimento de energia, visto que as eólicas e solares não funcionam em todos os horários do dia e não contam com armazenamento para assegurar a geração, como é o caso dos reservatórios…. A medida, inclusive, contribuiria para o crescimento das fontes renováveis. “A geração de energia elétrica na base permite o desenvolvimento também das fontes solar, eólica e de biomassa [geração a partir da queima da matéria orgânica vegetal ou animal], e ainda tem a previsibilidade de produção”, afirma a gerente de Energia da entidade, Tânia Mara Santos. Em 2006, a participação da energia hidrelétrica na matriz energética brasileira era de 92%. Atualmente, está pouco acima de 50%, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema). No período, houve crescimento da participação da geração de energia eólica e solar no Brasil, que são fontes ainda mais limpas, mas que deixam o sistema mais exposto a variações conforme o horário. De acordo com a Fiemg, a composição das fontes renováveis na matriz energética contribui para a sustentabilidade ambiental. No entanto, pondera que essas modalidades precisam estar acompanhadas de outras que gerem energia de forma constante, como hidrelétrica, térmica e nuclear, dando estabilidade ao SIN. A entidade tem feito uma campanha para que o governo e o Congresso atuem para simplificar a legislação ambiental e, assim, atrair investimentos em novas usinas. “Esse é o momento de virar a chave. O consumo de energia elétrica é crescente e precisamos de uma fonte segura, limpa, confiável e que possa ser utilizada como base para os momentos de maior demanda e auxiliar, inclusive no crescimento das demais fontes limpas como solar e eólica”, diz Tânia…. …
Baixo desempenho de fontes geradoras pode ter contribuído para apagão

Linha de investigação mais consistente do ONS aponta esse desempenho como o segundo evento que desencadeou o efeito cascata de desligamentos no dia 15 de agosto Foram encontrados sinais de que as fontes de geração próximas à linha de transmissão Quixadá – Fortaleza II, cujo desligamento foi considerado o evento zero do apagão de 15 de agosto, não apresentaram o desempenho esperado no que diz respeito ao controle de tensão. Segundo o ONS, a linha de investigação mais consistente aponta esse fato como um segundo evento que desencadeou todo o processo de desligamentos que aconteceram em seguida. A informação foi apresentada pelo Operador na primeira reunião para a elaboração do Relatório de Análise de Perturbação (RAP), realizada na sexta-feira (25). Nas simulações realizadas pelo ONS com os parâmetros enviados pelos agentes na entrada em operação das usinas geradoras, não foi possível reproduzir a perturbação ocorrida no dia 15 de agosto. Em todos os testes realizados com dados recebidos não foi observada redução de tensão que viole os procedimentos de rede, como a que ocorreu após o desligamento da LT 500 kV Quixadá – Fortaleza II, da Chesf. Na simulação com esses dados houve injeção de reativos pelos geradores próximos à linha de transmissão, estabilizando a tensão. Somente com as informações recebidas dos agentes após a ocorrência foi possível reproduzir, no ambiente de simulação, a perturbação do dia 15 de agosto. A partir dessas novas informações, o ONS realizou uma análise minuciosa da sequência de eventos e testou múltiplos cenários, que apresentaram sinais de que o desempenho dos equipamentos informado pelos agentes antes da ocorrência é diferente do desempenho apresentado em campo. Ainda segundo o ONS, o problema identificado não tem relação direta com o tipo de fonte geradora, e análises mais aprofundadas do evento continuam sendo realizadas. A próxima reunião do RAP está agendada para 1º de setembro, e a pauta estará focada na atuação do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC). Em relatório preliminar apresentado no próprio dia 15, o ONS informou que a atuação do ERAC – mecanismo automático de intervenção no SIN – foi uma das razões que permitiu o rápido restabelecimento de 100% da carga no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste em aproximadamente uma hora. O apagão do dia 15 de agosto interrompeu mais de 22 mil MW de energia em 25 estados do país e no Distrito Federal.