Com economia avançando, Ibovespa bate máxima histórica e passa de 131 mil pontos

Analistas afirmam que o otimismo do mercado financeiro também se estende para 2024 Mesmo com algumas análises de que o Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe sinais mais hawkish (duros) com relação à política monetária na véspera, o Ibovespa segue a euforia do último pregão e chegou a renovar a máxima histórica intradia na manhã desta quinta-feira (14), com a continuidade das altas em meio ao cenário de corte de juros por aqui e também com a visão de corte de juros pelo Federal Reserve. Já na máxima do dia desta quinta, o índice foi aos 131.295 pontos, logo durante a manhã. Às 10h37 (horário de Brasília), a alta era menor, mas ainda expressiva, de 1%, a 130.765 pontos. Cabe ressaltar que, ontem, o Ibovespa teve uma sessão de forte ânimo ao subir 2,42%, aos 129.465,08 pontos, maior nível de fechamento desde 24 de junho de 2021, então aos 129.513,62 pontos. Com isso, o benchmark da Bolsa precisaria de apenas de uma alta de 0,98% da sua cotação máxima de fechamento, que aconteceu em 7 de junho de 2021, quando atingiu os 130.776 pontos (a máxima intradia naquela sessão foi de 131.190 pontos), o que ocorreu. Na véspera, o movimento de euforia aconteceu após a decisão de política monetária do Federal Reserve, às 16h (horário de Brasília). Conforme esperado, o BC americano manteve, em decisão unânime, a taxa de juros de referência na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. E o gráfico de pontos, mais aguardado do que o próprio comunicado, mostrou que 15 dirigentes do Fed veem juros entre 4,25% e 5% em 2024 – e que a maioria dos dirigentes espera juros entre 3% e 4% até o fim de 2025. Em suma, a leitura do mercado, ante as indicações de tarde do Fed, é de que os juros na maior economia do mundo, de fato, já passaram do ponto mais alto do ciclo de elevação dos custos de crédito e, para frente, tendem a ser acomodados em níveis mais compatíveis ao apetite por risco – ou seja, haverá cortes na taxa de referência dos EUA, logo adiante, como antecipava o mercado. De acordo com dados da CME, o mercado vê agora 76,1% de chance de que o Federal Reserve iniciará cortes de juros já em março de 2024. Os ganhos se acentuaram com a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, que começou às 16h30, em que os sinais ‘dovish’ acabaram prevalecendo na leitura do mercado. Logo após o Fed, depois do fechamento do mercado de ontem, foi a vez da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros. A expectativa de consenso era por um novo corte de 0,50 ponto porcentual na Selic, trazendo a taxa de juros de referência no Brasil de 12,25% para 11,75% ao ano, o que ocorreu. Contudo, o comunicado veio ligeiramente mais duro do que o esperado pelo mercado, refletindo a manutenção de uma postura cautelosa por parte do comitê no processo de condução da política monetária, mesmo diante da melhora da conjuntura econômica global e doméstica no período entre reuniões. “Se por um lado, o comunicado do Copom deixa sinalizado que há pouca margem para a aceleração do ritmo de corte de juros, a decisão do Fed abre espaço para observamos uma Selic ao final do ciclo abaixo de dois dígitos. Nesse contexto, mantivemos a nossa projeção de Selic terminal em 9,75% a.a., entretanto, retiramos o viés altista em relação ao nosso cenário base, em função da antecipação dos cortes de juro nos EUA do final do ano para a virada do primeiro para o segundo semestre de 2024”, apontou a Genial Investimentos em análise. Os dados de varejo mais fracos do que o esperado e os sinais de arrefecimento da inflação acabaram abrindo margem para a queda dos juros futuros e para visões de que o Copom pode estender o corte de juros, ainda que o comunicado do BC brasileiro tenha sido mais conservador. Otimismo continua para 2024, mas há alertas – Neste sentido, analistas de mercado seguem positivos com a Bolsa brasileira, já de olho também em 2024. Para a XP, o ciclo de corte de juros no Brasil é um dos fatores que contribuem para a sua visão otimista para a bolsa brasileira. “Entendemos que ainda há espaço para a Bolsa valorizar daqui para frente. Para o ano que vem, temos como valor estimado de valor-justo do Ibovespa em 142 mil pontos para 2024. Além disso, continuamos vendo o valuation de ações brasileiras como descontadas, com o P/L [múltiplo de preço sobre o lucro] em 8,0 vezes, ainda com um desconto significativo versus sua média histórica de 11 vezes”, avaliam Fernando Ferreira e Jennie Li, estrategistas que assinam o relatório da XP sobre o tema. Olhando para setores, os estrategistas da casa que, historicamente, alguns tendem a ser mais sensíveis aos ciclos de juros, como: Saúde, Educação, Imobiliário, Financeiro, Varejo e Transportes. A Guide Investimentos também tem a visão de que o Ibovespa ainda está “barato” em termos de valuation, como relação preço/lucro e outros indicadores. “Além disso, o fluxo para ações tem sido baixo nos últimos anos: os investidores estão pouco alocados de forma geral, o que abre espaço para mais valorização”, aponta Mateus Haag, analista da casa. A Guide mantém visão positiva pro Ibovespa para os próximos meses, particularmente em 2024, com um target de 155 mil pontos para o índice. “A queda dos juros (tanto no Brasil quanto no exterior) deve favorecer os investimentos em renda variável. Além disso, a queda dos juros tem um impacto direto no lucro das empresas no Ibovespa”, aponta, ressaltando ainda que a economia segue crescendo (ainda que em ritmo lento), o que também favorece a renda variável. “Por fim, vale destacar que a alocação atualmente em ações é baixa nos fundos brasileiros, o que favorece a alta do Ibovespa no curto prazo”, avalia. Voltando ao curto prazo, José Faria Jr., diretor da Wagner Investimentos, avalia que o rali poderá prosseguir por mais tempo com a
Matriz elétrica brasileira registra recorde histórico em 2023

MAS 90% DA POTENCIA INSTALADA É DE FONTES INTERMITENTES SOLAR E EÓLICA. O Brasil registrou avanço na matriz elétrica em 2023, alcançando um crescimento de 8.412,1 megawatts (MW) até o final de novembro. O valor superou os 8.235,1 MW obtidos em todo o ano de 2022, marcando crescimento a um mês do final do ano e estabelecendo um novo recorde desde 1997, ano de fundação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O setor de energias renováveis liderou o avanço com as usinas eólicas e solares centralizadas respondendo por 90,4% do crescimento total, contribuindo com a entrada em operação de 7.608,4 MW ao longo de 2023. Segundo dados do Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA), atualizado diariamente com informações de usinas em operação e empreendimentos em fase de construção, a capacidade instalada totalizou 196.780,4 MW. Vale ressaltar que 83,9% dessas usinas são consideradas renováveis. A expansão da matriz elétrica foi observada em 19 estados das cinco regiões brasileiras. Os líderes desse crescimento, até 30 de novembro, foram o Rio Grande do Norte, com 2.035,2 MW, seguido por Minas Gerais, que registrou um salto notável de 210,0 MW apenas no mês de novembro, contribuindo significativamente para o crescimento total de 2.025,7 MW. A Bahia também se destacou, adicionando 1.992,5 MW à matriz. Em nível mensal, os maiores destaques de novembro foram Minas Gerais, com aumento de 210,0 MW, representando mais de um terço do crescimento total de 613,0 MW no mês, Pernambuco e Paraíba, que também apresentaram desempenho notável, contribuindo com 150 MW e 104,4 MW, respectivamente. Para o CEO da ENERCONS consultoria a enorme quantidade de energia solar e eólica com mais de 7000MW em um ano precisará de reservatórios de hidrelétricas para conterem a energia que essas fontes não conseguirão entregar nos noturnos e de chuvas. Para cada MW intermitente são precisos 2 MW permanentes para operação confiável do sistema a combinação entre as 3 maiores energias renováveis é fundamental para a operação continua e confiável do sistema, o governo federal precisa se atentar para a questão do planejamento.