Conacri, 9 jun (Xinhua) — No coração das Terras Altas de Fouta Djallon, na Guiné, o Rio Kokoulo serpenteia pelas montanhas, enquanto a eletricidade gerada pela Usina Hidrelétrica de Kinkon abastece vilas e aldeias por todo o país.
Em 9 de junho de 1966, a Usina Hidrelétrica de Kinkon, construída pela China International Water and Electric Corporation (CWE), subsidiária da China Communications Construction Group Company Limited, foi oficialmente entregue à Guiné.
O projeto representou um marco para a Guiné e para a China. Foi a primeira usina hidrelétrica concluída na Guiné após a independência e o primeiro projeto hidrelétrico entregue pela China como um pacote completo de ajuda externa, com especialistas chineses responsáveis por cada etapa do seu desenvolvimento, da exploração e projeto à construção.
Ao longo das últimas seis décadas, a usina, com capacidade instalada de 3.400 quilowatts, permaneceu em operação. Gerando uma média de 16 milhões de quilowatts-hora de eletricidade anualmente, ela fornece energia há muito tempo para as prefeituras de Pita, Labé, Dalaba e Mamou. Os moradores locais a chamam de “Pérola da Noite” da Guiné.
Como símbolo da amizade entre a China e a Guiné, a Usina Hidrelétrica de Kinkon foi representada duas vezes nas notas de 5.000 francos guineenses. A usina não só continua iluminando casas e comunidades, como também testemunhou gerações de construtores chineses e guineenses trabalhando juntos pelo desenvolvimento compartilhado.
“Inicialmente, pensei que voltaria para a China após concluir uma missão de assistência técnica de dois anos na usina hidrelétrica, mas acabei ficando por 15 anos”, disse Hu Yang, que está envolvido com o projeto desde 2011.
Segundo Hu, sua aspiração sempre foi garantir que a usina funcionasse bem e continuasse servindo as comunidades locais. O que o manteve na Guiné não foi apenas o senso de responsabilidade com seu trabalho, mas também as amizades que construiu com a população local.
Um chefe de aldeia visitou o acampamento chinês e trouxe medicamentos contra a malária e equipamentos de proteção para a equipe. “O chefe nos disse: ‘Vocês também são membros da nossa aldeia. São nossos irmãos e devemos garantir a saúde e a segurança de vocês’”, lembrou Hu.
Os agricultores locais costumam separar seus vegetais mais frescos para a equipe chinesa, enquanto os engenheiros chineses, ao passarem pelas aldeias, frequentemente ajudam os moradores a inspecionar e reparar as linhas elétricas.
Ao longo de anos de estreita interação, a usina hidrelétrica passou a representar muito mais do que um projeto de engenharia. Ela também carrega um forte significado para o intercâmbio interpessoal.
“Participar do esforço para manter a Usina Hidrelétrica de Kinkon gerando eletricidade continuamente por 60 anos é uma das maiores conquistas da minha carreira”, disse Hu.
Dembadouno Pelico, diretor da Usina Hidrelétrica de Kinkon, disse que os técnicos guineenses e chineses formaram uma equipe altamente coordenada.
“Seja no nosso trabalho diário ou ao lidar com falhas nos equipamentos, sempre estudamos os problemas juntos e os resolvemos juntos”, disse ele.
Com treinamento e orientação contínuos por parte da China, a experiência e o conhecimento técnico têm sido transmitidos de forma constante. Um número crescente de técnicos guineenses assumiu funções-chave nas operações e na gestão da usina.
“Espero sinceramente que essa cooperação continue e que os laços entre a Guiné e a China se fortaleçam ainda mais”, disse Pelico, esperando que a cooperação bilateral no desenvolvimento de energia hidrelétrica se expanda para mais regiões da Guiné e beneficie mais pessoas.
Souleymane Diallo, um engenheiro aposentado de 73 anos, viu pessoalmente o desenvolvimento da Usina Hidrelétrica de Kinkon.
“A maior contribuição da usina foi levar eletricidade às pessoas comuns”, disse Diallo. “As pessoas ficaram extremamente entusiasmadas na época. Pela primeira vez desde a independência, tínhamos um fornecimento de energia estável e confiável, tornando possível o fornecimento de eletricidade 24 horas por dia”.
Após ver a conclusão da Usina Hidrelétrica de Kinkon quando criança, Diallo se tornou engenheiro e participou da construção das usinas hidrelétricas de Kaleta e Souapiti.
De acordo com a CWE Guiné, a empresa está profundamente envolvida no desenvolvimento hidrelétrico da Guiné desde a década de 1960, participando de grandes projetos, incluindo Kinkon, Kaleta e Souapiti.
As usinas hidrelétricas de Kaleta e Souapiti estão entre os projetos hidrelétricos mais importantes da Guiné. Juntas, elas fornecem atualmente cerca de 80% do fornecimento de eletricidade do país, contribuindo significativamente para a segurança energética, a melhoria das condições de vida e o desenvolvimento sustentável.
Há 60 anos, a Usina Hidrelétrica de Kinkon trouxe a luz da indústria moderna para as Terras Altas de Fouta Djallon, na Guiné. Seis décadas depois, ela continua fornecendo um fluxo constante de energia limpa para o desenvolvimento econômico e social do país.
Assim como o Rio Kokoulo, que flui incessantemente ao seu lado, a amizade e a cooperação personificadas pela usina continuam florescendo na nova era, iluminando um futuro compartilhado de desenvolvimento para a China e a Guiné.