25 anos de experiência no mercado de energia

Gerdau (GGBR4) compra participação da Copel em geradora hidrelétrica no RS

A Gerdau (GGBR4) informou nesta segunda-feira (15) que apresentou proposta vinculante e assinou contrato para adquirir a participação de 23,03% da Copel na Dona Francisca Energética S.A. (Dfesa), em uma transação que considera um enterprise value de R$ 150 milhões. Segundo a companhia, o pagamento será realizado à vista na data de fechamento da operação, com recursos próprios. A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo aprovação da autoridade concorrencial brasileira. A operação também prevê a renúncia da Copel ao direito de preferência em relação à aquisição da participação detida pela Celesc na Dfesa, transação já anunciada pela Gerdau em abril deste ano. A Dona Francisca Energética é responsável pela operação de uma participação de 85% no consórcio da concessão da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, localizada no Rio Grande do Sul, entre os municípios de Agudo e Nova Palma, no rio Jacuí. A usina possui capacidade instalada de 125 MW e garantia física de 72,5 MW médios, dos quais aproximadamente 66 MW médios são destinados à Dfesa. Atualmente, a Gerdau detém 53,94% do capital social da empresa, equivalente a 35,6 MW médios de energia. Com a conclusão das aquisições das participações da Copel e da Celesc, a companhia passará a controlar 100% da Dfesa. O investimento total nas duas aquisições soma R$ 300 milhões em enterprise value. Com isso, a Gerdau ampliará sua autoprodução de energia em 30,4 MW médios, passando a utilizar integralmente os 65,94 MW médios de energia assegurada disponíveis na Dfesa para fins de autoprodução. De acordo com a siderúrgica, a operação está alinhada à sua estratégia de alocação de capital e deve aumentar a competitividade dos custos de seus negócios. A companhia afirmou ainda que a transação elevará a autoprodução de energia para mais de 50% do seu consumo, com foco em fontes renováveis e em linha com sua estratégia de descarbonização.

Destaque: Há 60 anos, Usina Hidrelétrica de Kinkon testemunha amizade duradoura entre China e Guiné

Conacri, 9 jun (Xinhua) — No coração das Terras Altas de Fouta Djallon, na Guiné, o Rio Kokoulo serpenteia pelas montanhas, enquanto a eletricidade gerada pela Usina Hidrelétrica de Kinkon abastece vilas e aldeias por todo o país. Em 9 de junho de 1966, a Usina Hidrelétrica de Kinkon, construída pela China International Water and Electric Corporation (CWE), subsidiária da China Communications Construction Group Company Limited, foi oficialmente entregue à Guiné. O projeto representou um marco para a Guiné e para a China. Foi a primeira usina hidrelétrica concluída na Guiné após a independência e o primeiro projeto hidrelétrico entregue pela China como um pacote completo de ajuda externa, com especialistas chineses responsáveis ​​por cada etapa do seu desenvolvimento, da exploração e projeto à construção. Ao longo das últimas seis décadas, a usina, com capacidade instalada de 3.400 quilowatts, permaneceu em operação. Gerando uma média de 16 milhões de quilowatts-hora de eletricidade anualmente, ela fornece energia há muito tempo para as prefeituras de Pita, Labé, Dalaba e Mamou. Os moradores locais a chamam de “Pérola da Noite” da Guiné. Como símbolo da amizade entre a China e a Guiné, a Usina Hidrelétrica de Kinkon foi representada duas vezes nas notas de 5.000 francos guineenses. A usina não só continua iluminando casas e comunidades, como também testemunhou gerações de construtores chineses e guineenses trabalhando juntos pelo desenvolvimento compartilhado. “Inicialmente, pensei que voltaria para a China após concluir uma missão de assistência técnica de dois anos na usina hidrelétrica, mas acabei ficando por 15 anos”, disse Hu Yang, que está envolvido com o projeto desde 2011. Segundo Hu, sua aspiração sempre foi garantir que a usina funcionasse bem e continuasse servindo as comunidades locais. O que o manteve na Guiné não foi apenas o senso de responsabilidade com seu trabalho, mas também as amizades que construiu com a população local. Um chefe de aldeia visitou o acampamento chinês e trouxe medicamentos contra a malária e equipamentos de proteção para a equipe. “O chefe nos disse: ‘Vocês também são membros da nossa aldeia. São nossos irmãos e devemos garantir a saúde e a segurança de vocês’”, lembrou Hu. Os agricultores locais costumam separar seus vegetais mais frescos para a equipe chinesa, enquanto os engenheiros chineses, ao passarem pelas aldeias, frequentemente ajudam os moradores a inspecionar e reparar as linhas elétricas. Ao longo de anos de estreita interação, a usina hidrelétrica passou a representar muito mais do que um projeto de engenharia. Ela também carrega um forte significado para o intercâmbio interpessoal. “Participar do esforço para manter a Usina Hidrelétrica de Kinkon gerando eletricidade continuamente por 60 anos é uma das maiores conquistas da minha carreira”, disse Hu. Dembadouno Pelico, diretor da Usina Hidrelétrica de Kinkon, disse que os técnicos guineenses e chineses formaram uma equipe altamente coordenada. “Seja no nosso trabalho diário ou ao lidar com falhas nos equipamentos, sempre estudamos os problemas juntos e os resolvemos juntos”, disse ele. Com treinamento e orientação contínuos por parte da China, a experiência e o conhecimento técnico têm sido transmitidos de forma constante. Um número crescente de técnicos guineenses assumiu funções-chave nas operações e na gestão da usina. “Espero sinceramente que essa cooperação continue e que os laços entre a Guiné e a China se fortaleçam ainda mais”, disse Pelico, esperando que a cooperação bilateral no desenvolvimento de energia hidrelétrica se expanda para mais regiões da Guiné e beneficie mais pessoas. Souleymane Diallo, um engenheiro aposentado de 73 anos, viu pessoalmente o desenvolvimento da Usina Hidrelétrica de Kinkon. “A maior contribuição da usina foi levar eletricidade às pessoas comuns”, disse Diallo. “As pessoas ficaram extremamente entusiasmadas na época. Pela primeira vez desde a independência, tínhamos um fornecimento de energia estável e confiável, tornando possível o fornecimento de eletricidade 24 horas por dia”. Após ver a conclusão da Usina Hidrelétrica de Kinkon quando criança, Diallo se tornou engenheiro e participou da construção das usinas hidrelétricas de Kaleta e Souapiti. De acordo com a CWE Guiné, a empresa está profundamente envolvida no desenvolvimento hidrelétrico da Guiné desde a década de 1960, participando de grandes projetos, incluindo Kinkon, Kaleta e Souapiti. As usinas hidrelétricas de Kaleta e Souapiti estão entre os projetos hidrelétricos mais importantes da Guiné. Juntas, elas fornecem atualmente cerca de 80% do fornecimento de eletricidade do país, contribuindo significativamente para a segurança energética, a melhoria das condições de vida e o desenvolvimento sustentável. Há 60 anos, a Usina Hidrelétrica de Kinkon trouxe a luz da indústria moderna para as Terras Altas de Fouta Djallon, na Guiné. Seis décadas depois, ela continua fornecendo um fluxo constante de energia limpa para o desenvolvimento econômico e social do país. Assim como o Rio Kokoulo, que flui incessantemente ao seu lado, a amizade e a cooperação personificadas pela usina continuam florescendo na nova era, iluminando um futuro compartilhado de desenvolvimento para a China e a Guiné.

Reservatórios de regularização estocam água quando sobra e usam quando falta

Como engenheiro com formação em hidrologia, estive envolvido em diversas crises hídricas, inclusive a energética, causada pelo esvaziamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas, em 2001, e a de abastecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em 2015. Por isso não me surpreendi quando fui procurado por alguns jornalistas que, motivados pela atual seca que ocorre na maior parte do Brasil, queriam saber sobre perspectivas de colapsos ainda em 2024 —tanto de abastecimento de água quanto de suprimento de energia elétrica Respondi que, como todos sabem, alguns dramas já estão ocorrendo. Por exemplo, incêndios florestais e colapso da navegação em rios da região Norte, com interrupção do fluxo de pessoas e de mercadorias. E que certamente outros problemas localizados surgirão ainda em 2024, antes do final da estação seca. Porém, não prevejo dificuldades de abastecimento de água na RMSP e de abastecimento de energia elétrica em todo o país, porque ainda há suficiente água nos reservatórios, construídos décadas atrás. Completei a resposta explicando que as usinas térmicas estão sendo acionadas não por falta de água nas hidrelétricas, como ocorria no passado, e sim para atender o pico de carga no final da tarde, quando as placas fotovoltaicas param de produzir e o consumo de eletricidade aumenta. Ou seja, em 2024 as térmicas atendem a uma necessidade de potência (produção instantânea), não de energia (produção média), diferentemente do que ocorreu em 2001 e 2021. Nos últimos anos, a construção de novos reservatórios tem sido obstaculizada devido aos impactos locais, em geral deletérios, tanto os ambientais (por exemplo, corte de vegetação) quanto os sociais (por exemplo, reassentamento das famílias que vivem na área a ser alagada). São objeções às vezes intransponíveis. Porém há casos em que as entidades de licenciamento decidiriam diferentemente se considerassem não apenas os efeitos locais mas também a segurança hídrica de grandes aglomerados urbanos, como a RMSP, e a segurança energética de todo o país. Ou se, inspirados na recente catástrofe que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, incluíssem na análise o papel dos reservatórios no amortecimento de cheias pelo efeito da estocagem temporária do excesso de água. No livro “Climate Future: Averting and Adapting to Climate Change”, Robert Pindyck argumenta que limitar o aumento de temperatura em 1,5ºC ou 2ºC em relação ao período pré-industrial significa monumental esforço econômico, muito difícil de ser alcançado. Ele defende que não basta envidar esforços para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa. É preciso também que se ponham em prática iniciativas “adaptativas” para proteger as populações vulneráveis das consequências das mudanças climáticas. O aumento da frequência e da intensidade das secas e cheias deve ser enfrentado, como a humanidade tem feito há milênios, com a “ação adaptativa” de construir barragens com reservatórios de regularização para estocar água quando sobra e usá-la quando falta. Porém, antes disso, será necessário adotar uma metodologia de licenciamento ambiental com uma visão mais holística do que a atual. Cometário do Engenheiro e CEO da ENERCONS Ivo Pugnaloni Para o CEO da ENERCONS, engenheiro eletricista Ivo Pugnaloni, a carga no sistema elétrico que essa nova unidade industrial vai acrescentar não poderá ser sustentada por geração solar, altamente influenciada por dias nublados, chuvosos e pelo inexorável horário depois das 16 horas, quando o sol vai se pondo. “Só fontes hidrelétricas ou termelétricas podem suprir cargas como essa, pois são permanentes. Resta saber se o Ministério de Minas e Energia vai preferir gerar energia elétrica com água nacional, ou com derivados de petróleo importados, caríssimos e poluentes” comentou. Pugnaloni lamentou estar ainda paralisada nas assessorias do MME , há três anos, a precificação das externalidades ( benefícios e prejuízos adicionais ao meio ambiente) de cada fonte. “Talvez seja a ação dos poderosos “lobbies” aos quais se referiu o próprio ministro Silveira na sua excelente entrevista à CNN, semana passada”, disse o executivo que foi diretor de planejamento da COPEL , concessionária do Paraná. “Não há como negar que as assessorias do MME estarão fazendo o governo incorrer em grave risco de judicialização caso o Leilão de Reserva de Capacidade não venha a atender ao artigo 26, parágrafo 1-G que determina que todos os benefícios ambientais e de garantia de fornecimento sejam considerados, nos certames como esse, que envolvem centenas de bilhões de reais em energia elétrica, disse ele. “Vejam leitores o que diz a Lei 9784/99 Art. 26 § 1º-G. “O Poder Executivo federal definirá diretrizes para a implementação, no setor elétrico, de mecanismos para a consideração dos benefícios ambientais, em consonância com mecanismos para a garantia da segurança do suprimento e da competitividade, no prazo de 12 (doze) meses, contado a partir da data de publicação deste parágrafo. Se isso não aconteceu, o MME corre o risco de um mandado de segurança interromper todo esse processo de compra enorme, pois a data de publicação deste parágrafo foi 01.03.21. E quem aviusa, geralmente, amigo é”, adendou. “O atual governo brasileiro precisa entender, de uma vez por todas, que não basta geração solar e eólica para fazer a transição energética, pois elas são fontes intermitentes. Param de uma hora para a outra de produzir. Essas duas fontes são muito boas, mas tem esse grave defeito. Sem novas hidrelétricas para completar a geração faltante da solar e eólica a cada momento, a nossa matriz vai ter que usar cada vez mais termelétricas que já são, graças às manobras desses lobbies, mais de 37% da capacidade instalada do Brasil”, concluiu preocupado Ivo Pugnaloni.

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