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Exportar energia hidrelétrica seria irresponsável, diz ministro

Empresas pediam que governo mantivesse a exportação durante o ano inteiro aos países vizinhos como forma de evitar desperdício de água e aumentar receitas.

Depois da pressão feita pelas geradoras hidrelétricas para que o Brasil mantivesse a exportação para os países vizinhos, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que não vai admitir colocar em risco a segurança energética do Brasil em favor de outros países.

O envio do excedente gerado pela hidrelétricas para Argentina e Uruguai foi a medida encontrada para diminuir o desperdício de energia das usinas no Brasil. Com a baixa demanda e muita água, a maioria das usinas abriu as comportas e liberou água sem gerar, prática do setor conhecida pelo termo técnico de “vertimento turbinável”. Entretanto, no dia 11 de junho, o Brasil suspendeu o envio de energia para a Argentina e Uruguai.

Com os reservatórios acima de 80% da capacidade, as empresas pediram ao governo a manutenção da exportação, prevendo que na chegada do período chuvoso o Brasil não terá capacidade de armazenamento e haverá um novo ciclo de desperdício de água. Se posicionaram a favor Eletrobras, Copel, Cemig, Engie, AES Brasil, Itaipu, entre outras.

“Não admitiremos que nossos reservatórios, que não estão mais vertendo água, gastem uma gota sequer comprometendo a segurança energética do Brasil em favor de outro país”, disse o ministro.

Silveira lembrou que as termelétricas continuam exportando. Para ele, o país não pode ficar à mercê de fatores que não estão sob o controle e precisa manter os reservatórios brasileiros preservados, já que são usados para usos múltiplos.

“A maior parte destes reservatórios não servem só ao setor elétrico, são lagos como o de Furnas, o da Chesf e o de Três Marias de múltiplos usos, ou seja, as economias locais dependem desta água para o turismo, irrigação para produzir alimentos, alimentar a população ribeirinha, para a pesca (…). Portanto, nossa responsabilidade em primeiro lugar é com a economia nacional e segurança energética do Brasil”, afirmou.

O fato é que o Brasil tem aproveitado cada vez menos a água das hidrelétricas para geração de energia e parte significativa desse volume é jogado fora. Janeiro foi o pior mês da história em relação ao não aproveitamento de água para geração de energia, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Foram desperdiçados 9.404 megawatts-médios (MWm), montante superior a toda produção da usina de Itaipu no mesmo período. O que os especialistas temem é que isso se repita novamente.

“Especialistas disseram isso no passado [que o Brasil tem água para passar todo o período seco] e tivemos um apagão em 2001 e em 2021 estivemos à beira de um colapso de energia que custou R$ 20 bilhões ao consumidor brasileiro. Então não podemos ser irresponsáveis com o povo”, ressaltou.

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