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Hidrogênio Verde: o que você deve saber sobre o combustível do futuro

hidrogênio herde (H2V) é apontado como o combustível do futuro. A expectativa se deve à sua capacidade de apoiar mudanças energéticas significativas. Para se ter uma ideia, de acordo com a Agência Internacional de Energia, apenas a substituição do hidrogênio “cinza” pelo verde ajudaria a capturar cerca de 830 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino Unido e Indonésia somadas.

Rogério Peres, supervisor técnico de ensino do Centro de Mobilidade Sustentável e Inteligente (CMSI) do Senai Paraná e mestre em Engenharia Elétrica e Eletrônica, explica que o H2V tem a capacidade de armazenar e fornecer quantidades relevantes de energia sem gerar emissões de CO2 durante a combustão.

“O hidrogênio pode desempenhar um papel vital na descarbonização de indústrias que fazem uso intensivo de energia, como o transporte aéreo e marítimo, as indústrias siderúrgicas e químicas. Além disso, a sua utilização crescente poderia ter implicações geopolíticas a nível global e afetar potencialmente as relações energéticas, econômicas, sociais e de segurança”, explica.

Nesse cenário, o Brasil está dando os primeiros passos no desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde e ainda tem muito a fazer para se tornar líder. Porém, o país já se destaca pelo potencial de ser um grande produtor e exportador do H2V, que é produzido a partir de um processo de eletrólise da água utilizando energia renovável, como a eólica e a solar, que existem em abundância em seu território. Por isso, tem atraído investimentos em pesquisas e testes relacionados.

Incentivo ao hidrogênio

Já sobre questões legais de incentivo, o projeto de lei número 725/2022 busca incluir o hidrogênio como fonte de energia na matriz energética do país e estabelecer objetivos para a sua integração em condutas nacionais. Outra política importante é a edição do decreto que estabeleceu um mercado de carbono regulado no Brasil.

Marcos Berton, pesquisador-chefe do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, acrescenta que o governo brasileiro anunciou recentemente um Plano Nacional de Hidrogênio Verde para tornar o país um dos principais produtores e exportadores desse material no mundo. “Além disso, várias empresas brasileiras e estrangeiras têm investido em projetos de produção e aplicação do hidrogênio verde no país, como a EDP Brasil, Petrobras, Toyota, Siemens, entre outras”, reforçou.

No mundo, há uma corrida em busca de soluções sustentáveis, principalmente devido às regulamentações ambientais que exigem medidas efetivas para a produção de energias limpas e redução da emissão de gases de efeito estufa.

Qual o custo do hidrogênio verde?

As vantagens do hidrogênio verde estão cada dia mais disseminadas, mas ainda há muitas dúvidas sobre seu custo e viabilidade para todos os segmentos. “Os investimentos necessários para o setor industrial utilizá-lo em seus processos dependem do tipo de indústria e do grau de integração do hidrogênio verde em suas atividades”, explica Marcos Berton.

Ele ainda acrescenta que, embora os custos iniciais possam ser elevados, vai oferecer benefícios a longo prazo para aquelas que adotam essa tecnologia. O valor da produção também pode ser reduzido à medida em que a tecnologia se torne mais avançada, com mais uso e os custos de energia renovável diminuam.

Atualmente, o hidrogênio verde é mais caro do que outras formas de hidrogênio produzido a partir de combustíveis fósseis, devido ao custo elevado da energia renovável. Alguns especialistas, acreditam que em 10 anos, os custos podem cair até 50%.

Hidrogênio verde e o Mercado de Carbono

No mercado de carbono, as empresas podem adquirir créditos de carbono para compensar suas emissões de gases de efeito estufa. Se uma empresa produzir hidrogênio verde, pode gerar créditos ao evitar as emissões de dióxido de carbono que seriam produzidas pela produção de hidrogênio a partir de fontes fósseis.

Esses créditos de carbono, por sua vez, podem ser vendidos para outras empresas que precisam compensar suas emissões de gases de efeito estufa, gerando mais incentivo e fortalecendo a cultura de desenvolvimento sustentável, que “implica em satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”, complementa Rogério Peres.

Hidrogênio Verde no Paraná

Embora seja um tema bem recente, o Paraná já está tomando ações para que a tecnologia do hidrogênio verde faça parte de suas pautas. Em 2021, o governo estadual anunciou um programa de incentivo à produção e uso no estado, que inclui a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento. Pela sua posição estratégica e condições favoráveis para a produção de energia renovável, deve ser um polo importante de produção no Brasil.

A GIZ (cooperação alemã no Brasil), que tem como parceiro o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ, sigla em alemão), apresentou à Confederação Nacional das Indústrias (CNI) uma parceria para criação de 6 polos de tecnologia em hidrogênio verde e um deles é o Senai Paraná.

Os institutos Senai de Inovação vêm desenvolvendo e mapeando todas as tecnologias ligadas ao elemento: produção, armazenamento, compressão transporte, e as aplicações para todas as indústrias estão entre os temas trabalhados.

Rogério Peres, supervisor técnico de ensino do Centro de Mobilidade Sustentável e Inteligente (CMSI) do Senai Paraná, destaca que existem alguns perfis de profissionais necessários para atuar com o hidrogênio verde:

  1. Especialista em Sistemas de Hidrogênio Verde;
  2. Especialista Técnico em Operação de Usinas de Produção de Hidrogênio Verde;
  3. Instalador de Sistemas de Eletrólise de Usinas de Produção de Hidrogênio Verde;
  4. Mantenedor de Sistemas de Eletrólise de Usinas de Produção de Hidrogênio Verde;
  5. Operador de Logística de Transporte de Gases.

O Senai Paraná oferta diversos Cursos Rápidos e Cursos Técnicos em áreas como Desenvolvimento de Sistemas, Logística, Automação Industrial, Sistemas de Energias Renováveis, Biotecnologia e Química. Eles servem como base sólida de formação profissional em áreas que têm relação com o mercado de Hidrogênio Verde, para que esteja preparado para realizar uma posterior formação voltada especificamente para o mercado do Hidrogênio Verde no mundo.

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