ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE HIDROELETRICIDADE RESSALTA AÇÕES SOCIAIS E DE SUSTENTABILIDADE DA ITAIPU
Membros da diretoria da Associação Internacional de Hidroeletricidade (International Hydropower Association – IHA), e convidados, visitaram a Itaipu Binacional nos dias 16 e 17 de fevereiro com objetivo de estreitar as relações entre as entidades e conhecer projetos socioambientais da empresa. O grupo participou de encontros com a diretoria de Itaipu e apresentou a missão da IHA na defesa da hidroeletricidade como fonte de energia limpa e renovável e do seu papel na transição energética e na busca dos países por uma matriz energética mais sustentável. A ideia é usar a experiência de hidrelétricas sustentáveis, como é o caso de Itaipu, como exemplo de boas práticas para outras empresas ao redor do globo. Além da área industrial da usina, a comitiva visitou as reservas ecológicas das duas margens e conheceu as instalações da planta de biometano, onde recebeu explicações sobre o processo de produção do combustível renovável, que utiliza o aproveitamento de resíduos orgânicos para sua composição. Na Planta Experimental de Hidrogênio Verde, mantida pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), os visitantes conheceram o processo de produção de hidrogênio a partir de eletrólise da água. O PTI é um dos pioneiros no país na pesquisa, por meio de infraestrutura própria, para a produção, armazenamento e aplicação deste hidrogênio. Durante a reunião com Itaipu, o chefe da delegação da IHA e ex-ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, comentou sobre o interesse no trabalho desenvolvido pela binacional nas diversas áreas além da geração de energia. “Itaipu é uma das maravilhas do mundo moderno. Mas também impressionante pela tecnologia desenvolvida e pelos programas sociais e ambientais que mantém”, disse. Segundo ele, a possibilidade de conhecer esses projetos e poder trocar experiências é muito importante para o próprio trabalho da associação. Já o CEO da IHA, Eddie Rich, lembrou a importância de Itaipu como uma das maiores hidrelétricas do planeta e ressaltou o modelo de gestão compartilhada entre os dois países. “É a maior hidrelétrica fora da China e inclusive serviu de modelo para a usina de Três Gargantas [atualmente maior do mundo]. Além disso, ela é uma mensagem para o mundo de como dois países podem cooperar para gerar energia limpa e sustentável. Então, Itaipu é importante para a região, mas também muito significante para o mundo como um símbolo moderno de eficiência e colaboração energética”, finalizou. Sobre a IHA Fundada em 1995, a International Hydropower Association (IHA) é uma rede global que inclui empresas de energia, governos, organizações não governamentais, acadêmicos e outros especialistas em energia hidrelétrica. Sua missão é promover o desenvolvimento sustentável do setor por meio de pesquisa, diálogo político e divulgação de informações e boas práticas. A organização tem um foco particular em três áreas: sustentabilidade ambiental; benefícios socioeconômicos; e desempenho técnico. A IHA realiza diversas atividades para alcançar seus objetivos. Isso inclui a realização de pesquisas e estudos de caso, o desenvolvimento de ferramentas e diretrizes para o setor de energia hidrelétrica e a organização de eventos, como conferências e fóruns de discussão. A organização também colabora com governos e outras organizações internacionais para promover a energia
Geração solar bate dez recordes no SIN em fevereiro

Geração por painéis fotovoltaicos chegou a atender a 3,2% do sistema, 13,4% da demanda no Nordeste e 5,4% no SE/CO Entre 1° e 14 de fevereiro dez novos recordes de geração solar foram registrados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em 11 de fevereiro, a geração média no Sistema Interligado Nacional (SIN) atingiu 2.242 MW médios, representando cerca de 3,2% da demanda. No dia seguinte o volume subiu para 2.339 MW médios e perfazendo 1.462 MW médios no Nordeste, atingindo 13,4% da demanda da região. O resultado superou o patamar aferido no dia 9 do mesmo mês, de 1.428 MW médios. No dia 13 o Sudeste/Centro-Oeste bateu sua melhor marca de geração instantânea às 11:10 horas, com 2.379 MW, montante equivalente a 5,4% da carga consumida na região naquele momento. Já no dia 14 o pico subiu para 2.502 MW às 13:20 horas. De acordo com dados divulgados no PAR/PEL 2023/2027, em dezembro de 2022 a fonte solar representava cerca de 3,6% ou 6,6 GW do total da energia gerada no SIN. A projeção para dezembro de 2026 é que ela chegue a 6,7% ou 13,9 GW.
MapBiomas alerta que 70% da superfície de água do Brasil secou entre 1985 e 2022

Segundo levantamento da rede, bioma mais afetado é o Pantanal. E municípios da região estão entre os que mais estão secando O desmatamento em todos os biomas fez 70% da superfície de água do Brasil secar no período entre 1985 a 2022, conforme levantamento da rede Mapbiomas. Há registro de “sumiço” do mais vital dos recursos naturais em mais de dois terços dos municípios brasileiros, a maioria deles na região do Pantanal. É o caso de Corumbá (MS), Cáceres (MT), Poconé (MT), Aquidauana (MS) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Ou seja, são rios e nascentes desaparecendo. Para se ter uma ideia dessa perda toda no país nesses 37 anos, é como se a água de uma lagoa do tamanho dez cidades do tamanho de São Paulo tivesse evaporado – 1,5 milhão de hectares de superfície de água . Entre os biomas que perderam superfície hídrica, o destaque é para o Pantanal, com redução de 81,7%. Uma situação grave, que preocupa especialistas pela complexidade do dano ambiental. “A redução de água limita ou elimina o habitat para reprodução de espécies e plantas. Está em risco a sobrevivência de espécies. Não há água para os peixes. Presas da onça pintada, por exemplo, também estão em risco. A importância da Amazônia e outras florestas úmidas é inquestionável para controle do clima, mas não se deve tirar o olhar para os outros biomas”, disse Helga Correa, especialista em conservação da organização WWF, ao repórter Camilo Motta, da TVT. Seca no Brasil chega até onde chovia todos os meses A Caatinga aparece em segundo lugar no ranking. Esse bioma que é por natureza o mais seco do país perdeu quase um quinto de sua superfície hídrica (19,1%). Na sequência das perdas aparecem a Mata Atlântica (5,7%), Amazônia (5,5%), Pampa (3,6%) e Cerrado (2,6%). A grave situaçao do Pantanal colocou o Mato Grosso do Sul na liderança dos estados com maior perda de superfície de água. Uma retração de 781.691 hectares, equivalente a bem mais da metade (57%), segundo o MapBiomas. Apesar de não estar entre os primeiros na série histórica, o Pampa enfrenta uma situação difícil desde 2022, quando foi observada a menor superfície do período. Caracterizado por chuvas em todos os meses do ano, porém com estiagens no verão, o sul enfrenta dificuldades. E há inclusive lagoas praticamente secas no Rio Grande do Sul. A causa são os 10 anos mais secos da série histórica, segundo o MapBiomas. Futuro do acesso à água preocupa Foi observada tendência de perda de superfície de água na maioria das bacias e regiões hidrográficas brasileiras. Três em cada quatro sub-bacias hidrográficas (71%) perderam volume e extensão nas últimas três décadas. Essa perda, aliás, não foi compensada pelo aumento geral da superfície de água no país em 2022. Um terço (33%) delas ficaram abaixo da média histórica no ano passado. Segundo o MapBiomas, em 2022 a superfície de água no país ficou 1,5% acima da média da série histórica, iniciada em 1985. Na prática, houve uma recuperação de 1,7 milhão de hectares (10%) em relação a 2021, ano de menor superfície no período. Esse aumento, porém, poderia ser analisado como artificial. Isso porque esta água está represada ou em empreendimentos de irrigação. E as fontes estão secando. “O cenário preocupa. De 2013 para cá tivemos os 10 anos mais secos da série. E em 2022 um alento. Por outro lado, a gente está 7,6% abaixo do que aconteceu em 1991 (de chuvas intensas). Tivemos volumes expressivos no centro do país, que faz com que a gente observe esse aumento de superfície de água. Mas esse cenário nos últimos anos é preocupante. A gente não sabe se vai continuar no ganho, estabilizar ou se voltaremos a ter esses eventos extremos”, disse o pesquisador e coordenador do MapBiomas Água, Juliano Schirmbeck, ao repórter Camilo Mota, na Rádio Brasil Atual.
Associação Internacional de Hidroeletricidade e indústria nacional destacam importância da água para a transição energética limpa em carta aberta ao MME.

As maiores empresas de energia do Brasil se reuniram esta semana para destacar ao ministro Silveira como o governo pode desbloquear as oportunidades significativas para aumentar a capacidade das usinas hidrelétricas existentes por meio da modernização no país. O evento e a subsequente carta aberta foram organizados em parceria com a International Hydropower Association, Engie Brasil, SPIC Brasil e GE Renewable Energy. A IHA acolheu publicamente o foco do Ministro Silveira na modernização da frota de geração do Brasil e recomendou que ele tomasse as três medidas a seguir: Incorpore o Padrão de Sustentabilidade Hidrelétrica aos sistemas de regulamentação, financiamento e aprovação corporativa.Promover a preparação de projetos para licitações de concessão.Melhorar a regulamentação para remunerar adequadamente as usinas hidrelétricas e reservatórios por seus serviços auxiliares, como flexibilidade, despacho e armazenamento.A carta também enfatizou a necessidade de modernização com o Plano Nacional de Energia 2050 do Brasil, apontando para a oportunidade significativa de aumentar a capacidade das usinas existentes por meio da modernização. Com um aumento estimado de 5% a 20% na capacidade instalada em 51 usinas antigas, representando 50 GW, os benefícios seriam significativos: até 11 GW de energia adicional. O CEO da IHA, Eddie Rich, comentou: “O Brasil tem uma enorme vantagem em sua transição para energia limpa. Dos mais de 70 GW de capacidade hidrelétrica na América do Sul, a maior parte está localizada no Brasil e está em operação há mais de 30 anos. Isso representa uma oportunidade de ouro para modernização das unidades, bem como negócios adicionais envolvendo novas plantas de médio porte. Estamos prontos para ajudar a desenvolver um sistema de energia elétrica sustentável, moderno e acessível”, “O Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo graças às suas hidrelétricas. É importante continuar investindo no desenvolvimento dessa modalidade para garantir a segurança do sistema em paralelo com o crescimento de outras fontes renováveis como eólica e solar”, acredita Gil Maranhão, Diretor de Comunicação e Responsabilidade Corporativa da ENGIE e conselheiro da IHA membro. Para Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil, é fundamental dar continuidade às discussões regulatórias sobre a repotenciação de usinas hidrelétricas. “Nosso objetivo é discutir e propor normas que permitam, sempre que possível, a instalação de mais turbinas nas usinas existentes. É o caso da Usina Hidrelétrica São Simão, que este ano completa 45 anos e passa por um amplo retrofit de digitalização e modernização. Quanto mais digitalizarmos as usinas hidrelétricas, se a regulamentação permitir, mais poderemos trabalhar com maior produção de energia e ver o caminho a seguir para uma maior expansão. Temos atuado fortemente para mostrar os ganhos com esses investimentos no Brasil.” Para Cláudio Trejger, CEO da Divisão Hydro da GE Renewable Energy na América Latina, o cenário é bastante promissor para que a geração hidrelétrica assuma um perfil ainda mais relevante no setor elétrico nacional. “Vemos grandes oportunidades para a construção renovada de novas usinas hidrelétricas no Brasil, uma vez que trazem energia mais flexível e sustentável para toda a rede nacional. Além disso, estão disponíveis tecnologias avançadas para investir nas hidrelétricas existentes e reduzir custos e otimizar as operações para a geração de energia mais confiável, competitiva e limpa no país”.